ESPECIAL

O SETOR DO PLÁSTICO 
QUER CRESCER, MAS...


MERHEG CACHUM

O plástico é uma das matérias-primas mais utilizadas no nosso dia a dia: está na embalagem do leite, nos brinquedos de nossos filhos, nos eletrodomésticos, nas aeronaves, equipa nosso carro, faz parte da estrutura de tubulação de nossas casas, entre outras utilizações. Se a indústria do plástico parar sua produção por um dia, a economia mundial entrará em colapso. Apesar de tantas aplicações, o consumo de plástico estimado para o Brasil é de 20 a 22 kg per capita/ano contra 100 a 170 kg nos Estados Unidos, o que significa que o setor tem um espaço muito grande para incrementar sua produção.

O setor de transformação de plástico no País é formado por 7 mil empresas, com capacidade produtiva de 6 milhões de toneladas anuais e que emprega mais de 200 mil profissionais. Em 2002, gerou faturamento de R$ 22,6 bilhões, representando 1,7% do PIB, e crescimento de 6,56% em relação a 2001.

Merheg Cachum é presidente da 
Associação Brasileira da 
Indústria do Plástico (Abiplast) 
e também da Associação 
Latino Americana do Plástico 
(Aliplast).

Embora apresente números tão significativos, a indústria sofre diversas deficiências: 25% de capacidade ociosa, exportação de apenas 3% de sua produção (receita de US$ 495 milhões para 156 mil toneladas) e déficit de US$ 376,9 milhões, já que as importações foram de U$ 872 milhões.

Podemos citar vários fatores que dificultam a expansão do uso do plástico no Brasil, a começar pelo parque industrial brasileiro. Mesmo contando com fábricas modernas, algumas completamente automatizadas, muitos dos equipamentos empregados no setor possuem alto nível de obsolescência e deveriam ter sido sucateados há muito tempo. Para reverter essa situação, considerando um ambiente de economia estável, serão necessários investimentos da ordem de US$ 6 bilhões até 2008 para renovação do parque, infra-estrutura, aquisição de moldes e ampliação da capacidade instalada. 

Outro entrave refere-se à elevada taxa de juros praticada no Brasil, que inibe os empresários a pensar em obter algum tipo de financiamento, pois o valor crescente das parcelas acaba “engolindo” grande parte do lucro, dificultando o reinvestimento. Na Europa, a taxa de juros da maioria dos países não passa de 6% ao ano, considerando que no Chile é de 2,5% ao ano. Aqui, o Banco Central dita 20%, mas para nós é muito mais!.

Por último, temos a questão da mão-de-obra. O brasileiro é um trabalhador de qualidade, inteligente mesmo sem ter um nível educacional alto, e que possui uma característica ímpar: jogo de cintura para se adequar a qualquer contingência. Com mais preparo, o que implica investimento em treinamento e capacitação, o nosso trabalhador pode produzir tanto ou mais que o estrangeiro com o mesmo nível de excelência. 

Os diversos players do mercado de plástico têm unido suas experiências para achar soluções que compatibilizem as necessidades das empresas e o instável momento econômico que o Brasil está passando. Entre as propostas, destaca-se o “Export Plastic Brasil”, que tem por objetivo promover os produtos plásticos brasileiros no exterior e garantir a adequada infra-estrutura operacional e mercadológica às empresas participantes. Com isso, espera-se reverter o atual quadro deficitário da balança comercial do plástico, através do aumento das exportações. O projeto é ambicioso, pois propõe zerar esse déficit, positivar a balança do setor em US$ 800 milhões e gerar resultado líquido de US$ 1,8 bilhão para a do País.

Para alcançar esses objetivos, será necessária a união dos três elos da cadeia produtiva (centrais petroquímicas, empresas produtoras de resinas termoplásticas e transformadoras de plástico) para alinhar custos ao longo da cadeia, aumentando a competitividade do produto nacional. 
Há muitos mercados promissores que podem ser contemplados, como China, Índia, Rússia, África e Países Árabes, que são responsáveis por 15% das exportações brasileiras. Os maiores importadores dos produtos nacionais de plástico são os países do Mercosul, principalmente a Argentina, com 26% de participação e os Estados Unidos com 22%.

Os empresários do setor precisam ter consciência de que a exportação é um compromisso de longo prazo, que implica credibilidade, e não apenas um recurso alternativo para ser utilizado nos momentos de crise e depois abandonado em detrimento do reaquecimento da demanda interna. É uma oportunidade de ampliar o mercado externo, assumindo riscos de perdas para atender seu parceiro que serão compensadas mais para frente, com o aumento do volume de negócios.

Entre os produtos de maior aceitação estão as embalagens plásticas, em especial as flexíveis, que possuem a vantagem de ter o tamanho ideal para ocupar pouco lugar nos containeres, embora com menor valor agregado. Muito procurados também, especialmente pelos Estados Unidos, são os tubos e conexões de PVC, além das peças técnicas que equipam a indústria de automóveis.

Mas, para que todas essas propostas possam se concretizar e o setor volte a crescer em torno de 10% ao ano, o governo tem que ajudar através de medidas que beneficiem o aumento da produção.
O grande entrave da economia nos últimos 30 anos é a pesada carga tributária imposta ao setor produtivo. Uma esperança foi vislumbrada com a Reforma Tributária, mas o que se percebe é que o ônus deve aumentar ainda mais, prejudicando, principalmente, os pequenos produtores. 

A Reforma Tributária deveria ser a mola propulsora da volta do desenvolvimento econômico, ampliando o leque de setores contemplados por suas mudanças, diminuindo a incidência de impostos para que se possa arrecadar mais, proporcionando o aumento do volume de crédito necessário ao financiamento da produção nacional.

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