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ISOLAMENTOS FLEXÍVEIS GANHAM FÁBRICA LOCAL

A Armacell, fabricante de isolamentos térmicos flexíveis para sistemas de aquecimento, refrigeração, condicionamento de ar e instalações industriais e marítimas acaba de inaugurar fábrica em Pindamonhangaba-SP. A nova instalação industrial se soma a outras 13 fábricas em 11 países e encerra o período de atuação por importações, além de iniciar a produção de isolamentos flexíveis no Brasil. A inauguração oficial contou com a presença do presidente mundial da empresa baseada na Alemanha Ulrich Weimer, também presente na inauguração do novo armazém que ampliará em 50% a capacidade de estocagem de produtos.  Divulgação
Weimer: centro de pesquisa pode ser o próximo passo

Equipada para a produção mensal de cerca de seis a sete milhões de metros lineares de espuma elastomérica, a filial brasileira da Armacell produz ao redor de 3,6 milhões de metros por mês, quantidade suficiente para atender a 95% da demanda nacional do produto. Mas novas fábricas podem ser necessárias em dois ou três anos, quando, segundo as projeções de Weimer, o mercado nacional ou as exportações para a América Latina podem gerar demanda superior à capacidade instalada em Pindamonhangaba. 

O portfólio da empresa engloba basicamente tubos e mantas confeccionados em espuma elastomérica flexível de células fechadas (a resina base é borracha nitrílica), introduzida em meados dos anos 50 pelos engenheiros da divisão de isolamentos da Armstrong World Industries, antiga proprietária da Armacell. O novo material contribuiu para solucionar um dos principais problemas técnicos no isolamento de linhas frias: a condensação de vapor d’água ao redor dos tubos, que impregna o isolamento e diminui a eficiência das trocas de calor. Além de servir também ao isolamento de tubulações de alta temperatura, o produto, quando vendido na forma de tubos flexíveis, é colado a frio, simplificando a instalação e permitindo o reuso na ocasião da manutenção. A espuma não-inflamável possui grande capacidade para gerar barreira efetiva ao vapor d’água (elevado fator de resistência à difusão do vapor) e baixa condutividade térmica, combinadas à flexibilidade, que possibilita o uso em equipamentos e instalações de geometrias complexas. À parte do material elastomérico tradicional, a Armacell também oferece opções com maior resistência mecânica, próprias para uso em plataformas de petróleo e nas indústrias químicas e naval; produtos auto-adesivos ou com revestimento de alumínio, para revestimento de dutos; e também isolamentos com proteção contra raios UV.

Ações estratégicas – Falando para jornalistas na sede da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha, o presidente da Armacell detalhou as estratégias que delinearão as ações da empresa nos próximos anos, quando espera atingir no País a marca de 70% de participação no mercado, semelhante à obtida em outros mercados onde atua. 

Conforme explicou Weimer, o mercado de isolamento térmico divide-se em dois segmentos. O isolamento técnico compreende o isolamento de todo o equipamento técnico de instalações, como sistemas de condicionamento de ar, sistemas de bombeamento, equipamentos de plantas de geração de energia ou de refino de petróleo, enquanto o isolamento estrutural refere-se a paredes e tetos de construções. Em ambos, a maior parte do material empregado é de espumas rígidas, mas no segmento técnico, isolamentos flexíveis também podem ser usados. 
Este mercado tem hoje o tamanho de US$ 400 milhões, onde a Armacell, com faturamento de US$ 260 milhões a US$ 270 milhões, participa com fatia de cerca de 60%. Obviamente, a primeira estratégia central para a empresa é elevar o market share no segmento de espumas técnicas flexíveis. 

Mas, de acordo com Weimer, a alta penetração em mercados ao redor do globo e a existência de canais comerciais já estabelecidos nestes mercados torna lógico agregar tecnologia e novas linhas de produtos ao portfólio da empresa. Por isso, a segunda estratégia central é expandir os negócios também para o segmento de espumas estruturais rígidas, pois uma atividade induz à outra.

O terceiro ponto importante para a orientação dos rumos da Armacell nos próximos anos, contudo, não se relaciona com espumas para isolamento térmico, mas aponta para a exploração de um mercado relativamente novo e com altas taxas de crescimento: as espumas técnicas. Estas resinas plásticas encontram aplicações crescentes concentradas em quatro áreas: construção civil, indústria automotiva, lazer e embalagens. Weimer ressalta que o uso de espumas técnicas em construção não tem o propósito de isolamento térmico, mas o emprego em outras funções, como material de acabamento, por exemplo. O segmento automotivo possui as maiores taxas de crescimento, e tende a acelerar-se na trilha de novas aplicações estruturais para as resinas. O mercado mundial de espumas técnicas tem tamanho de cerca de US$ 10 bilhões, e as três metas traçadas por Weimer focam um mercado que totaliza cerca de US$ 16,5 bilhões. “Comparando ao nosso nível de faturamento atual, entre US$ 260 milhões e US$ 270 milhões, percebe-se o tremendo potencial de crescimento”, afirmou.

Mudança de paradigma – Outro fator que reforça o potencial de crescimento do setor, na visão do presidente da Armacell, é o fato de as espumas plásticas terem maior aplicação que as fibras naturais modificadas pelo homem, pois a tecnologia de aditivação já está esgotada. “Tudo que pode ou poderia ser inventado foi inventado, é uma tecnologia madura”, sentenciou. A tecnologia de espumas plásticas, por outro lado, tem grande potencial de desenvolvimento e ainda foi pouco explorada, “apenas arranhada na superfície”, diz Weimer. “Novas resinas surgem quase diariamente, e em um breve período não apenas a relação preço/eficiência das espumas plásticas será melhor, mas também do ponto de vista do aspecto ecológico o desempenho será superior”, acrescentou.

A Armacell surgiu em 2000, da separação da unidade de isolamentos da Armostrong World Industries, processo liderado então por Ulrich Weimer. A divisão foi comprada pela Armacell International GmbH, que tem 90% de suas ações divididas igualmente entre o Gilde Investment Management, do Rabobank, e a CVC Capital Partners, da City Corp. 
Após inovar com a criação do isolamento flexível nos anos 50, a empresa adicionou linha de materiais a base de polietileno no final dos anos 70, e linha de poliuretanas, em meados da década de 80. Atuando por importações no Brasil há oito anos, a multinacional percebeu a necessidade de investir na América do Sul há dois anos, quando optou por estabelecer uma fábrica no Brasil, melhor opção disponível em virtude da estabilidade política e da relativa estabilidade econômica, e por oferecer as maiores oportunidades de negócios. 

Weimer não descartou a possibilidade da necessidade de novas fábricas, bem como a instalação de um centro de pesquisa no País. Atualmente, os principais centros de desenvolvimento estão nos Estados Unidos e na Alemanha. Mas há um pequeno centro na China – onde será inaugurada em breve, próxima a Shangai, a nova fábrica da empresa – e caso criem-se condições favoráveis, o mesmo pode ocorrer no Brasil. “Acreditamos que adaptar os produtos utilizando mão-de-obra local é a estratégia correta”, disse. A unidade brasileira terá a sua disposição a mesma tecnologia empregada nas outras fábricas do grupo, mas a nacionalização de matérias-primas é um processo um pouco mais complexo. Como a Armacell compra suas 36 matérias-primas globalmente em países como Coréia do Sul, Indonésia, Estados Unidos, Inglaterra, Alemanha e Japão, de clientes que também são competidores globais, como Bayer, Basf, Dow e Exxon, é muito difícil convencer fornecedores a produzirem seus insumos no Brasil. Entretanto, quando a Armacell houver completado sua lição de casa, isto é, quando detiver conhecimento do mercado brasileiro suficientemente profundo, a parceria com fabricantes nacionais deve se concretizar.n Márcio Azevedo


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