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3° FÓRUM TÉCNICO DO PLÁSTICO
Seminário discute as tendências do plástico no mundo
Entrada do policarbonato nas janelas automotivas foi tema de destaque, ao lado de
assuntos como a evolução dos moldes brasileiros
O milenar vidro já tem os dias contados na inovadora indústria automotiva. O fabricante de máquinas e equipamentos Battenfeld já domina a tecnologia desses componentes em policarbonato para a produção das janelas para carros. A informação é do engenheiro de vendas da filial brasileira da empresa, Marcos Cardenal. Ele proferiu palestra sobre tema no 3º Fórum Técnico do Plástico, realizado em Sapucaia do Sul, região metropolitana de Porto Alegre, de 2 e 5 de setembro. Batizado de IMP more, o desenvolvimento do processo contou com a participação das áreas de polímeros da Bayer, General Electric Plastics e do fabricante de moldes Summerer.
Segundo Cardenal, o IMP more possibilita o controle do recalque através do sistema de fechamento do molde, ao invés do processo realizado pela rosca de injeção. Como é equipado com uma gama variada de sensores de carga, instalados na cavidade do molde, confere a pressão interna eletronicamente, enviando os valores para o comando da máquina. “Essa, por sua vez, atua imediatamente sobre os cilindros de pressão, mantendo uma força de fechamento uniforme ao longo de toda a extensão do molde.”
Além disso, o IMP more produz janelas automotivas de grandes dimensões isentas de tensões, pesando 50% a menos se comparadas com o vidro, além de 250 vezes mais resistentes em colisões e capotamento. A Battenfeld demandou cinco anos no desenvolvimento do IMP more e demonstrou seu funcionamento pela primeira vez na NPE 2003 realizada em junho, nos Estados Unidos, quando foram injetadas janelas automotivas da porta traseira em uma injetora de duas placas, com duas mil toneladas de força de fechamento e colunas retráteis, com quatro colunas (tirantes) acompanhando a placa móvel durante a abertura e fechamento. Segundo Cardenal, esse sistema oferece um controle de fechamento muito mais preciso com relação aos convencionais de tirantes fixos, resultando em maior liberdade de movimentos para o robô e mais agilidade na montagem do molde.
Outra vantagem é a utilização da técnica de injeção multimaterial. No caso das janelas, torna-se perfeitamente viável injetar uma borda ou moldura, ou até mesmo uma porta traseira em conjunto com o policarbonato. “Esse processo abrirá uma série de novas aplicações não só na indústria automotiva como em toda terceira geração petroquímica em peças de grandes dimensões onde havia limitações de aplicação devido a tensões”. Cardenal prevê ainda profundas transformações nos conceitos de design, resultando em uma revolução na área de projetos nos próximos anos.
O 3º Fórum Técnico do Plástico abordou também o atual estágio de desenvolvimento da indústria de ferramentas no Brasil. No entendimento do diretor da ferramentaria Technojung, de Joinville, Santa Catarina, Christian Dihlman, o segmento precisa seguir os passos dos europeus para vislumbrar crescimento e desenvolvimento tecnológico. Ele revelou que Portugal faturou US$ 250 milhões com as exportações de moldes em 2002, com suas 300 fundições do gênero. Na contramão, o Brasil importou US$ 118 milhões no mesmo período, embora o número de ferramentarias por aqui seja bem maior, cerca de mil.
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Divulgação |
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| Dihlman: falta união entre as ferramentarias |
De acordo com Dihlman, os fabricantes de moldes europeus atuam num processo de forte unidade associativa. “Se dão muito bem. Se uma recebe uma encomenda da Panasonic para fabricar 70 moldes, mesmo sem condições de atender o pedido ela aceita a encomenda e divide o serviço com as demais”, exemplificou. Na opinião dele, os empresários brasileiros acham que um quer roubar o projeto e o cliente do outro. Por isso, Dihlman batalha para criar a Associação Brasileira da Indústria de Moldes, para a qual já conta inclusive com um rascunho de estatuto. Seu objetivo é unir a classe dos fabricantes numa entidade de interesse e ações comuns. Atualmente, ele preside um núcleo reduzido com empresas de Caxias do Sul, São Paulo e Joinville.
“Há muita falta de informação. A USP faz eventos sobre materiais e não convida o pessoal do sul, o pessoal do sul faz um congresso e não convida os de São Paulo. Existem eventos como a Brasilplast, seminários e congressos capazes de reunir os empresários de ferramentaria para discutir o desenvolvimento do segmento, mas não são aproveitados”, queixa-se. Como resultado de tantos desencontros, o Brasil ainda é incapaz de produzir moldes voltados à injeção bicolor e contam-se nos dedos as fábricas de moldes aptas a produzirem ferramentas para injeção a gás. Moldes de alta tecnologia e precisão são todos importados.
Dihlman anuncia uma lista de demandas para o segmento de ferramentarias. Uma é brigar com o governo para diminuir as taxas de importações para centros de usinagem, fresadores, retíficas e eletroerosão. Hoje empresas brasileiras não têm como investir R$ 1 milhão em equipamentos de alta velocidade. As fábricas brasileiras de moldes se reúnem em pequenas organizações como Núcleo de Usinas e Ferramentarias da Associação Comercial e Industrial de Joinville, na ferramentaria virtual de Caxias do Sul (Virfebras) e o grupo da Associação Brasileira de Máquinas equipamentos (Abimaq), em São Paulo. Outro assunto da pauta é a mão-de-obra. Para Dihlman, os técnicos formados são poucos e falta qualidade na formação.
O Fórum – Realizado a cada dois anos desde 1999, o Fórum Técnico do Plástico é uma iniciativa do Centro Federal de Ensino Tecnológico de Pelotas (Cefet), em sua Unidade Descentralizada de Sapucaia do Sul, direcionada à formação de técnicos em nível superior e médio para atuarem na área de desenvolvimento e produção de polímeros e na indústria de transformação termoplástica. A Uned, como é conhecida na comunidade local, conta com equipamentos para projetos de peças e design, laboratórios químicos para análise de polímeros, além de linhas de produção para sopro, extrusão, injeção, rotomoldagem, entre outros processos.
O Fórum é o principal catalisador da troca de informações das lideranças empresariais na cadeia produtiva do plástico no estado gaúcho. “Nosso objetivo é promover o intercâmbio de idéias e informações sobre o que há de mais moderno em termos de tecnologia de produção e seus resultados para a transformação de termoplásticos”, explica Carlos Alberto Bork, diretor-geral da Unidade Descentralizada do Cefet.
Segundo Bork, o Cefet é hoje a instituição estruturada no Rio Grande do Sul como centro de referência do desenvolvimento tecnológico do plástico, capaz de agregar conhecimento e tecnologia. Para ele, a principal conquista num evento como o Fórum é a informação produzida de quem detém conhecimento para quem precisa adquirir. Em sua opinião a velocidade da evolução tecnológica, hoje, é muito maior. “A cada dois anos, a tecnologia evolui e esse tipo de debate amplia a visão, contribuindo decisivamente para o progresso da indústria de plásticos”, enfatiza.
A iniciativa mais recente da instituição foi a criação do Centro de Referência em Plásticos (Cerplast-RS), em conjunto com o Sindicato da Indústria de Material Plástico do Estado do Rio Grande do Sul (Sinplast-RS). Trata-se de uma fundação sem fins lucrativos bancada por empresas interessadas em investir em desenvolvimento e aperfeiçoamento de recursos humanos. Inaugurado em junho último, o Cerplast já realizou cursos de informática e extrusão para empresas gaúchas e de São Paulo, totalizando aproximadamente 100 técnicos e operadores industriais, promovendo treinamento dentro das empresas.
Latinoplast 2004 – A feira promovida pelo Sindicato da Indústria de Material Plástico/RS (Simplast) vai mudar. O presidente da entidade César Codorniz anunciou mudanças no formato da próxima exposição, em 2004, provavelmente em junho, e também a transferência do evento de Porto Alegre para a cidade serrana de Gramado. Ao contrário das demais feiras do país, a Latinoplast se voltará para o debate sobre o a cadeia produtiva do plástico no Brasil e sua inserção no mercado mundial. Para isso, estão previstas as participações de economistas, empresários, técnicos norte-americano, brasileiros e europeus. Para o presidente do Sinplast, as pequenas feiras regionais estão perdendo força e isso favorece a realização de eventos voltados ao debate e troca de conhecimento. “O Brasil deve prestigiar a Brasilplast. Esse negócio de feira todo ano desgasta e não leva a lugar nenhum”, criticou. De acordo com Codorniz, a Latinoplast irá oferecer exposição de máquinas e matérias-primas, mas a ênfase estará no formato de reuniões, debates e painéis.
Codorniz fez um breve comentário sobre o desempenho da indústria de transformação de plástico e advertiu. “Foi um período com 35% de ociosidade de nosso parque industrial. Creio que é o pior desempenho dos últimos dez anos”. No entanto, ele aposta em alguma recuperação nos últimos 90 dias do ano, com a chegada das encomendas do natal. Os cálculos do Sinplast apontam um crescimento médio de 8% para o segmento nos últimos dez anos com picos de 10% entre 1990 e 1998 e com taxas entre 8% e 5% nos últimos quatro. Em 2003, a taxa ficaria em 1,5%. “É uma queda de 300% em relação ao pico, lamenta Codorniz.
Para ele, o ano de 2004 sinaliza para a recuperação com crescimento de 5%. Há uma confiança na retomada a partir da queda dos juros da economia, consolidação das reformas tributária e previdenciária. Mas é preciso desburocratizar e desonerar as exportações, criando um ambiente mais favorável para crescimento.”
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