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INDÚSTRIAS QUEREM EXPORTAR MAIS E DESONERAR A PRODUÇÃO
Demanda cai e fabricantes sobrevivem da venda de peças e do mercado externo
Simone Ferro
O ano passado foi tão ruim que nem mesmo os mais pessimistas acreditavam numa piora acentuada. Mas, 2003 está surpreendendo. Os fabricantes de extrusoras rezam para conseguir ao menos empatar os resultados comerciais com os do ano passado, um dos piores dos últimos cinco. Porém, o segundo semestre fornece poucos indícios de recuperação. Com a corda no pescoço, muitas empresas sobrevivem da venda de peças de reposição e assistência técnica.
Outras ampliaram as exportações. A crise, no entanto, não é exclusividade do setor. O mercado nacional de bens de capital mecânico deve encolher 50%, segundo avaliação do presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Acessórios para a Indústria do Plástico, da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e
Equipamentos (Abimaq), Luiz Antonio Delosso Simões. |
Cuca Jorge |
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| Simões ampliou as exportações |
A situação aflitiva também não se concentrou em um segmento da extrusão. Atingiu filmes, tubos, chapas e perfis, sem distinção. À frente da gerência comercial da Carnevalli, de Guarulhos-SP, Delosso Simões vive na prática as agruras da área de filmes e usa alguns números desse nicho para exemplificar a situação do mercado. Segundo ele, a demanda nacional de extrusoras mono e multicamadas se aproximou das 210 máquinas em 2000.
A retração começou no ano seguinte com o fantasma do apagão e culminou com as oscilações cambiais. No final de 2002, as vendas nacionais contabilizavam algo em torno de 130 extrusoras. “Com sorte, 2003 será igual. Não melhor, infelizmente”, diz. A queda, na avaliação de Simões, atinge os demais mercados. Porém, não há estatísticas disponíveis.
Os países da América Latina são os principais clientes. Simões ressalta a gradativa recuperação da Argentina, importante mercado para as máquinas brasileiras. A retração nacional fez encolher também as importações. Na extrusão de filmes, estima-se que os equipamentos fabricados no País supram mais de 90% da demanda. “As importadas atendem apenas às aplicações muito especiais”, avalia. Pelas contas de Simões, a Carnevalli detém mais de 80% do mercado de filmes. “No segmento de polietileno de alta densidade, chega a 95%.”
Para manter a liderança, a Carnevalli investe constantemente no aperfeiçoamento de seus equipamentos. Na Brasilplast 2003, de 10 a 14 de março, em São Paulo, divulgou a linha Polaris, cujo principal apelo refere-se à economia de energia elétrica entre 10% e 15% e o perfeito controle da temperatura do processo, com ganhos em produtividade da ordem de 30%. “Garante melhor desempenho com menor motorização”, afirma Simões.
Os diâmetros de roscas vão de 50 mm a 120 mm, com capacidade para processar até 700 kg/hora. A tecnologia disponível tanto para mono quanto co-extrusão conta ainda com modernos recursos de automação, como bobinadeira com CLP, troca automática de bobina, controle e regulagem de espessura e largura, sistema de gerenciamento e de controle gravimétrico do processo, entre outros itens.
Imposto zero – Na presidência da câmara setorial desde abril, Simões destaca duas das principais frentes de trabalho da Abimaq. A primeira visa ampliar as exportações e a outra, desonerar a produção de bens de capital mecânico. Para impulsionar as vendas externas, a entidade assinou acordo com a Agência de Promoção de Exportações (Apex) que estabelece a execução de três novos projetos de divulgação comercial de equipamentos para a indústria do plástico, metal-mecânica e do setor agrícola.
Com investimentos de R$ 15 milhões, os três setores pretendem aumentar o número de empresas exportadoras, diversificar os produtos vendidos no mercado internacional e favorecer o aperfeiçoamento tecnológico para atender à demanda externa. Os indicadores econômicos da Abimaq já apontam aumento das exportações de bens de capital mecânico. Segundo Simões, mais uma vez a estimativa se aplica às extrusoras. “As vendas externas cresceram pelo menos 30%.” Em detrimento da queda na demanda interna, também passaram a representar maior fatia da produção e do faturamento. Na Carnevalli absorvem atualmente 60% da produção, enquanto os índices históricos não ultrapassavam os 35%.
A questão tributária, porém, parece mais complicada. “A cadeia não tem como suportar o atual volume de impostos”, afirma. A pressão, exercida junto ao governo federal, tem a Reforma Tributária como alvo. “O Brasil é um dos únicos países que tributa o investimento”, avalia. A proposta da Abimaq, que representa 4,5 mil empresas de máquinas e equipamentos, é a alíquota zero para o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), a eliminação da CPMF e transformação da Cofins em imposto de valor agregado. Com relação ao ICMS, defende que o crédito ao comprador aconteça de forma imediata e não mais em 48 vezes como ocorre atualmente, anulando a vantagem fiscal.
As emendas sugeridas pela Abimaq contemplam o estabelecimento da isonomia no tratamento tributário para o produto nacional e o importado. Atualmente, PIS, Cofins e CPMF não incidem sobre os bens importados, apenas sobre os produzidos pela indústria local. A entidade sugeriu sete emendas aditivas para a reforma, encaminhadas à Comissão Especial da Câmara dos Deputados. Paralelamente, mantém contatos com ministros, governadores e parlamentares, visando a desoneração dos bens de capital.
Segundo a Abimaq, a renúncia fiscal do IPI e do ICMS hoje incidentes sobre os bens de capital mecânicos seria de R$ 5,5 bilhões. O montante, no entanto, é pequeno frente aos R$ 12,5 bilhões que seriam gerados pela incidência do PIS e Cofins sobre os produtos importados. Sendo assim, a proposta pode resultar em uma arrecadação adicional de R$ 7 bilhões aos cofres públicos, sem contar o acréscimo de arrecadação que será provocado pela retomada do crescimento econômico.
Aparício Mesquita Sapage, gerente de negócios da AWS Brasil, representante da italiana Macchi, com sede em Curitiba-PR, também defende a desoneração fiscal. “Enquanto na Europa as empresas planejam o ano seguinte, no Brasil os empresários traçam suas estratégias mês a mês. É difícil porque no meio do caminho sempre temos surpresas”, afirma. Na opinião dele, as questões cambiais e a política de tributação além de reprimirem novos investimentos, dificultam o avanço tecnológico. “Quando houver estabilidade e continuidade em políticas transparentes, com menos impostos, possibilitando ao empresariado investir e gerar mais empregos, teremos uma situação competitiva sem tantas desigualdades entre os fornecedores”, diz ele.
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