Outro lançamento foi desenvolvido para uso em conectores aplicados em chapas e grelhas elétricas. O composto, à base de polímero de cristal líquido (LCP) reforçado com fibra de vidro suporta temperatura de uso contínuo acima de 200 ºC, é autoextingüível (atende à classificação VO na UL’94), confere à peça alta estabilidade dimensional e excelente resistência química às graxas e aos óleos alimentares. Ainda dispõe de alta fluidez, facilitando o preenchimento de paredes de baixa espessura.

O produtor também aposta nos materiais semicondutivos. De acordo com Eva, é possível utilizar métodos diferentes para converter um polímero isolante em dissipador de carga estática, ou em condutor elétrico, como acrescentar fibras ou flocos metálicos, fibras ou pó de carbono, além de aditivos que melhoram a resistividade superficial. Outras opções consistem em usar polímeros intrinsecamente condutores, como os polímeros de cristal líquido (LCP), ou compostos poliméricos dissipadores, além de cobertura metálica.

A linha de semicondutivos da Lati inclui diversas resinas e aditivos, inclusive com produtos coloridos, considerados pela empresa um dos seus diferenciais, capazes de cobrir ampla faixa de resistividades superficiais, desde 10 até 1017 ohms. “Esses materiais permitem ao usuário substituir, de forma vantajosa, os materiais ou os tratamentos de revestimento de superfícies empregados para obter o efeito condutor ou dissipador desejado”, assegura Eva.

Essa família ganhou recentemente dois novos grades, um específico para conectores e acessórios para fixação de equipamentos elétricos. Trata-se de um náilon 6 semicondutivo reforçado com fibra de vidro com ótima rigidez, resistência mecânica e térmica. O outro é um composto de PBT com fibra de vidro e carga mineral com baixa resistividade elétrica e autoextingüível (UL’94-VO) a baixas espessuras. O produto ainda apresenta alta rigidez e boas propriedades mecânicas e tribológicas (atrito), além de baixa contração e boa resistência química.

Outro lançamento foi desenvolvido para aplicação em buchas da embreagem do setor automotivo, em substituição ao metal. A matriz polimérica do composto é a poliftalamida (PPA), que recebeu fibras de carbono especiais a fim conferir excelentes propriedades mecânicas, como rigidez e resistência à carga, além de boa condutividade térmica, baixa higroscopia e dilatação térmica linear, e elevada resistência térmica.

Na linha de compostos autolubrificados, a Lati desenvolveu novo grade de poliéter-éter-cetona (PEEK) com fibra de vidro e lubrificado com PTFE, destinado ao setor automotivo. O produto é autoextingüível (UL’94-VO) e dispõe de alta rigidez, ótima resistência térmica e química, além de excelentes propriedades autolubrificantes, mesmo sob carga e altas temperaturas. Ainda apresenta baixa contração e dilatação térmica. Cuca Jorge
Crisostomo (esq.) e Noatsch: soluções para o mercado

Polimerização e compostagem – Dedicada à produção de compostos na linha das especialidades, a Ticona também domina a tecnologia de polimerização, um diferencial a favor da empresa, na opinião do diretor Mark Noatsch. “É um diferencial porque vários aditivos reagem com a matriz polimérica, e a falta de conhecimento da química do polímero pode provocar perda nas propriedades”, justifica. A empresa conta com dois centros de pesquisa e desenvolvimento, um nos Estados Unidos e outro na Alemanha, disponibilizando para a unidade brasileira acesso ao banco de dados das formulações. “Os produtos são iguais em todas as regiões.”

Os desenvolvimentos na Ticona também atendem a necessidades particulares de um cliente, porém, o procedimento mais comum visa resolver os problemas de um segmento de mercado. Segundo Noatsch, a estratégia consiste em monitorar o mercado em busca de tendências e possibilidades de atender novas aplicações, identificar problemas e buscar as soluções em novos produtos. “Identificamos alguma dificuldade em um conjunto de clientes e buscamos solucioná-la.”

Novas formulações também resultam da busca por novas aplicações, como a tendência de substituir outros materiais, ou reduzir etapas de processo, informa o diretor. Substituir outros materiais por plásticos, aliás, consiste numa operação bastante complexa. Seu desenvolvimento envolve estudos de toda a cadeia de valor já instalada no cliente (equipamentos, processo, etc.), ou no setor.

Os desenvolvimentos recentes suprem diversos segmentos de mercado. A área médica conta com uma família específica de produtos aprovados pelo FDA (Food and Drug Administration) denominada Medical Technology, ou MT, à base de poliacetal, poliésteres ou polissulfeto de fenileno (PPS), que passam por um ciclo de produção diferenciado. Os cuidados incluem critérios rigorosos de pureza dos aditivos.

A indústria automotiva inspirou vários desenvolvimentos. Uma das reclamações desse setor diz respeito ao odor exalado pelo plástico. Para resolver a questão, a Ticona desenvolveu um poliacetal com baixa emissão de odores. “Esse material já sofre modificações no processo de polimerização da resina e depois ainda recebe um pacote de aditivos para assegurar requisitos mecânicos, de cor e outras características”, explica o gerente de vendas Ricardo Crisostomo.

O desenvolvimento de um poliacetal de baixo brilho atende de igual modo solicitação das montadoras. “É uma tendência eliminar dentro dos carros peças com brilho; a idéia é manter um padrão mais clean dentro do veículo”, diz Crisostomo. Pesa, nesse caso, o fator estético. Já a nova linha XF, também à base de acetal, constitui uma solução para peças que entram em contato com o sistema de alimentação do combustível.

A família de compostos à base de poliacetal ainda ganhou novo grade de baixa emissão de ruído, mais resistente ao desgaste e com melhor acabamento superficial. O produto resulta de uma tecnologia desenvolvida pela Ticona que permite a acoplagem da fibra de vidro nas resinas, melhorando a adesão do polímero à fibra, o acabamento superficial e também as propriedades mecânicas do composto, assegura Noatsch.

Também o PBT (polibutileno tereftalato) foi agraciado com novidades. A indústria agora conta com uma linha resistente à hidrólise – não suportar água quente é um problema inerente à resina –, compostos antichama isentos de halogênios, e ainda materiais desenvolvidos para atender às novas normas da indústria eletroeletrônica que requerem maior resistividade.

Os mesmos polímeros usados nas formulações para a indústria médica também servem de base para a nova linha destinada à produção de fibras para não-tecidos de aplicação industrial. Caracterizado pela alta resistência mecânica e química, o material pode ser usado em filtros industriais ou em esteiras transportadoras de alimentos (a resistência química elevada permite o uso de produtos químicos na limpeza), entre outras aplicações.

Briga com os metais – Listada entre os líderes mundiais na área de polímeros de alto desempenho, a Solvay Química acredita ser um dos seletos provedores capacitados a ofertar linha completa dessas especialidades. Seu portfólio inclui ampla variedade de grades de resinas amorfas e semicristalinas: poliarilamidas (PAA), polissulfona (PSU), polieterssulfona (PES), polifenilssulfona (PPSU), poliftalamidas (PPA), poliamida-imida (PAI) e polímeros de cristal líquido (LCP).

Cuca Jorge
Câmara de umidificação de uso hospitalar feita de PSU

Os desenvolvimentos da empresa visam, em geral, substituir metal, ou outros tipos de plástico que não atendem mais às especificações requeridas pela peça.

 Tais compostos destinam-se a aplicações de grande exigência em ambientes de elevada agressividade térmica, química, mecânica, e de stress, explica o gerente regional da América do Sul para polímeros especiais Alexandre M. Guimarães. “Dispomos de cerca de 500 grades especiais, todos envolvendo avançada tecnologia para compostagem”, informa. Cuca Jorge
Guimarães: mais de 500 grades especiais


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