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| Cuca Jorge |
No primeiro semestre deste ano, a crise vivida pela indústria automobilística esfriou bastante os negócios dessas empresas, cujos resultados despencaram em torno de 40% em 2003. “A queda nas vendas fez com que as montadoras congelassem investimentos”, queixa-se Miguel Martinez, gerente do departamento técnico comercial da TSP. As dificuldades atuais, no entanto, não abalam o otimismo dos envolvidos com o negócio. Todos acreditam ser a atividade bastante promissora, considerando-se a crescente substituição do uso de outras matérias-primas pelas resinas termoplásticas por indústrias de quase todos os segmentos econômicos. |
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| Martinez: gravação de cavidade requer
habilidade artesanal |
No caso especial do setor automobilístico, mesmo com muitos moldes importados, as montadoras quase sempre optam por realizar a operação no Brasil, por vários motivos. Um deles é o preço, mais atraente com a desvalorização do real nos últimos anos. “Aqui o custo de texturização é muito inferior ao dos cobrados no exterior”, garante Ranieri, da MRA. Por se tratar do último passo de fabricação da ferramenta, a operação também precisa ser feita com agilidade, o que aumenta a competitividade das empresas nacionais. Alguns moldes com grandes dimensões chegam a ser texturizados nas unidades dos próprios clientes para evitar o transporte. A necessidade de reparos na textura das ferramentas mais utilizadas é outro motivo de lucro para os prestadores de serviços brasileiros.
Aparência - A escolha da textura a ser aplicada no molde é a primeira etapa do processo. As empresas especializadas contam com bancos de dados com centenas de opções de imagens e também têm know how para desenvolver padrões diferenciados para clientes que queiram contar com aparência exclusiva em suas peças.
Tal capacidade, porém, não tem muito valor junto ao principal cliente do setor, a indústria automobilística. De qualquer modo, não está descartada a hipótese de uma prestadora de serviços nacional assinar a criação de uma textura que venha a ser adotada por uma fabricante de veículos. Mas o grau de dificuldade desta façanha se elevou muito com o fenômeno da globalização da economia. Hoje, ao contrário do que ocorria no passado, a maioria dos designs das texturas presentes nos carros é criada no exterior. Para atender as montadoras, os especialistas precisam reproduzir com exatidão em testes os padrões solicitados. Para cada teste no qual é aprovada, a empresa ganha a homologação da montadora para realizar trabalhos em moldes nos quais será utilizado aquele respectivo padrão.
Não bastasse essa barreira, a indústria automobilística cobra uma impecável uniformidade da textura das peças dos modelos mundiais de automóveis, sejam eles fabricados aqui ou em qualquer outro ponto do Planeta. O rigor cobrado é tamanho que duas empresas homologadas para realizar trabalhos com um mesmo padrão nem sempre conseguem obter resultados idênticos.
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Desta forma, é comum a empresa selecionada por uma montadora no Brasil para fazer determinado serviço ser a associada ao grupo internacional que se responsabilizou pelo trabalho em ferramentas similares no exterior. “Quando uma montadora vai lançar um automóvel no Brasil temos condições de trazer para cá os técnicos da Tenibac que realizaram a texturização dos moldes fabricados no exterior para produzir as mesmas peças, ou também podemos enviar nossos técnicos para outros países quando o automóvel é lançado primeiro por aqui”, conta João Carlos da Rosa Lopes, diretor da PKW Latina. |
Cuca Jorge |
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| Lopes: blue film permite sobreposição
de camadas |
| Cuca Jorge |
A tolerância mínima também explica o fato de quase sempre uma mesma empresa se responsabilizar pelos trabalhos feitos em todas as ferramentas voltadas para a produção de peças de um modelo de automóvel que contam com o mesmo padrão. “O painel do veículo e as partes internas das portas, caso tenham a mesma textura, geralmente são produzidos a partir de ferramentas texturizadas a partir de uma mesma tecnologia, o que garante a aparência idêntica”, exemplifica Jairo Dias, presidente da Krüth. |
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| Dias: uso da mesma tecnologia garante
resultados idênticos |
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