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BORRACHA ATRAI MAIS DE CEM EM SEMINÁRIO
Quase faltou lugar para acolher os participantes do 1º Seminário Brasileiro sobre Borracha Termoplástica e TPV (termoplásticos vulcanizados), realizado em 16 e 17 de junho, no Centro de Convenções do Novotel, em São Paulo. O pequeno auditório permaneceu com a lotação máxima em quase todas as palestras. Com mais de cem inscritos, o evento, organizado pela Associação Brasileira de Tecnologia da Borracha (ABTB), foi considerado um sucesso não só pelo grau de adesão, acima das expectativas, mas também pelo excelente nível das apresentações, poucas de conteúdo comercial e a maioria enfocando aspectos técnicos dos desenvolvimentos e aplicações dos elastômeros termoplásticos (TPEs). Contou ainda com uma pequena exposição institucional montada no rol de entrada.
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O presidente da ABTB Luiz Antonio Tormento salientou a importância da iniciativa. “Trata-se de um material com vasto campo de aplicação, cuja versatilidade e eficiência precisam ser divulgadas.” A entidade planeja realizar a segunda edição do evento em 2004. |
Cuca Jorge |
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| Para Tormento, produto tem vasto campo de
aplicação |
Dentre os temas abordados destacam-se a modificação de asfalto com TPEs, as propriedades do negro de fumo nos termoplásticos, o uso de sílicas em compostos, blendas com polipropileno e as aplicações e características dos TPVs com base em EPDM, NBR e PVC, além de palestras sobre produtos específicos como Styroflex (copolímero de estireno-butadieno) da Basf, o Santoprene da Advanced, os compostos de Engage da DuPont Dow, os elastômeros da Optatech, os adesivos Chemlok e outros.
| Cuca Jorge |
De um modo geral, as palestras abordaram questões referentes ao processamento, novos compostos e aplicações, e tiveram como público alvo indústria de borracha, em especial as que ainda operam exclusivamente com termofixos. No final de cada dia foi promovido um debate entre os participantes. A apresentação de Julio Schmitt, gerente industrial da FCC Fornecedora e responsável técnico pelos elastômeros termoplásticos marca Fortiprene, trouxe informações introdutórias sobre o mercado de TPEs no Brasil e no mundo. Intitulada Desenvolvimento em Elastômero Termoplástico, a palestra abordou dados históricos, técnicos e comerciais desses materiais. |
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| Schmitt destacou aspectos históricos |
Desenvolvidos a partir da década de 50, os TPEs ganharam maior destaque nos últimos dez anos. Schmitt estima o potencial do mercado brasileiro em 300 mil toneladas, dez vezes a atual demanda. No mundo, o consumo pode atingir 6,6 milhões de toneladas. Os números, segundo ele, são incompletos pois têm como base a substituição das borrachas vulcanizadas, exceto pneumáticos. Porém, o material concorre ainda com o policloreto de vinila (PVC) e olefínicos em aplicações soft touch.
Pé na estrada – A modificação de asfalto está entre as principais aplicações dos TPEs. O tema foi abordado na palestra Asfaltos Modificados com Borracha Termoplástica, proferida por Mônica Romero S. Fernandes, da área de pesquisa e desenvolvimento da Petroflex. A apresentação abordou questões técnicas referentes à composição do asfalto e as características do material modificado com polímeros. Dentre as borrachas utilizadas estão as termofixas como o SBR (estireno-butadieno) e o EPDM, e as termoplásticas SBS (estireno-(estireno-etileno/butileno-estireno).
Dentre eles, o SBS é mais empregado. “Quando dissolvido em cimento asfáltico de petróleo (CAP), a porção estirênica do material é solvatada pelos compostos aromáticos, formando um gel estabilizado enquanto a seqüência butadiênica mantém a estrutura em certa conformação espacial.” Tais características garantem propriedades melhoradas, compatibilidade do asfalto com o SBS e balanceamento da composição do CAP com adição de compostos maltênicos (aromáticos e naftênicos).
Segundo Mônica, o asfalto modificado é menos suscetível às variações de temperatura, mostrando-se mais estáveis a temperaturas elevadas e mais flexíveis a baixas temperaturas. Apresentam ainda maior ponto de amolecimento, de coesão e adesão aos agregados, boa resistência ao envelhecimento, maior resistência à fadiga e à deformação permanente e maior elasticidade e viscosidade absoluta. “Tais características reduzem a formação de trincas e fissuras na superfície do pavimento, entre outros detalhes”, explicou.
TPV com NBR – A Nitriflex, principal fabricante de borrachas nitrílicas (NBR) da América do Sul, divulgou nova classe de TPVs com base em NBR e policloreto de vinila (PVC).
A palestra, a cargo de Luiz Tormento, abordou aspectos técnicos do material. De acordo com ele, a utilização de NBR em pó como plastificante polimérico do PVC definiu novo perfil de propriedades e qualidades no artefato final, em comparação com o uso de outros plastificantes não poliméricos tradicionais. “Melhora as propriedades do composto à temperatura ambiente e aumenta a vida útil do produto final”, afirmou.
O composto NBR-PVC é uma mistura homogênea de um copolímero de acrilonitrila-butadieno, polimerizado a frio com PVC, sendo recomendado para a moldagem de artefatos que necessitem boa resistência a líquidos orgânicos, como óleos alifáticos e solventes não polares, e a intempéries. Dentre as vantagens, citou ainda o aumento da resistência ao ataque químico, a melhoria da resistência à abrasão, menor deformação por compressão, melhor alongamento e toque emborrachado.
As aplicaçõs típicas são mangueiras e tubos resistentes a óleos e solventes, gaxetas e perfis para portas, janelas e refrigeradores, alguns tipos de solados, recobrimento de cabos industriais, vidros encapsulados para automóveis, filmes transparentes para embalagens e outros. A Nitriflex detém 70% do mercado brasileiro de borracha nitrílica, estimado em 7 mil toneladas/ano. As exportações da empresa somam 10 mil t/a e seguem principalmente para os Estados Unidos e Europa.
Os TPVs produzidos a partir de EPDM e polipropileno (PP) são muito difundidos no mercado mundial, com aplicações em diversos segmentos. No Brasil, pelo menos 80% seguem para autopeças (mangueiras de radiadores, perfis, pára-choques, etc.). Estima-se que a demanda mundial do material cresça em média 8% ao ano.
Simone Ferro
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