|

BORRACHA
TERMOPLÁSTICAS AVANÇAM E TERMOFIXAS ESTABILIZAM
Fáceis de processar e recicláveis, as borrachas termoplásticas crescem acima
de 6% ao ano no mercado mundial
Simone Ferro
A flexibilidade e a suavidade ao toque da borracha aliadas à facilidade de processamento dos plásticos representam os principais apelos mercadológicos dos elastômeros termoplásticos (TPEs). Mas, não são os únicos. Aos poucos esses materiais, classificados de acordo com os componentes da blenda, ganham fatias importantes ao substituir borrachas convencionais e resinas. Recicláveis, permitem o reaproveitamento de rebarbas e sobras do processo, além de tornarem viável a moldagem de peças impossíveis de serem fabricadas com as concorrentes termofixas.
Com crescimento mundial em torno de 6,5% ao ano, encontram nos segmentos automotivo e calçadista seus principais redutos. Nos Estados Unidos, a demanda de TPE avança cerca de 6% ao ano. Na Europa, chega a 7%. Estima-se que o Brasil acompanhe os índices internacionais, embora não haja estatísticas oficiais. O consumo de algumas borrachas termofixas, por sua vez, cresce em menor escala ou permanece estável.
O potencial de crescimento e a variada gama de aplicações resultam em investimentos importantes por parte de fabricantes mundiais, alguns no Brasil. Motivaram ainda a criação de seminário e exposição exclusivos, organizado pela Associação Brasileira de Tecnologia da Borracha (ABTB), nos dias 16 e 17 de junho, no Centro de Convenções do Novotel, na zona norte de São Paulo, das 9 às 18 horas.
O 1º Seminário Brasileiro sobre Borracha Termoplástica e TPV (termoplásticos vulcanizados) contará com palestrantes da Petroflex, Basf, Crompton Witco, Advanced, DSE, DuPont Dow, Optatech, Nitriflex, Unicamp e outros. As palestras vão abordar questões referentes ao processamento, novos compostos e aplicações, e têm como público alvo indústrias de borracha, em especial as que ainda operam exclusivamente com termofixos.
De acordo com informações da ABTB, baseadas em artigos e pesquisas internacionais, os TPEs de maior consumo são os copolímeros de blocos estirênicos (SBC – copolímero estireno-butadieno), com pelo menos 48% do mercado. Os termoplásticos poliolefínicos (TPO) ocupam a segunda posição com cerca de 23%, seguidos pelos poliuretanos termoplásticos (TPU), com 13%. O consumo de TPV e dos elastômeros copoliésteres (COPE) corresponde a aproximadamente 8% e 7% da demanda mundial. Porém, os dois materiais estão entre os que mais crescem ao lado das borrachas estirênicas. Os primeiros em substituição às termofixas e vinílicos tradicionais e os outros, no segmento de bens de consumo que requeiram acabamentos suaves ao toque.
As estirênicas dos tipos SBS (estireno-butadieno-estireno) e SIS (estireno-isopreno-estireno) são fabricadas no Brasil. A primeira conta com dois produtores, a Kraton Polymers e a Petroflex. Já a planta da Kraton, em Paulínia-SP, é a única na América Latina a produzir o SIS, pelo menos por enquanto. Segundo o diretor comercial da Petroflex Wanderlei Passarella, tanto as borrachas do tipo SIS, direcionadas para o mercado de adesivos; quanto as hidrogenadas SEBS (estireno-etileno/butileno-estireno), voltadas para aplicações de peças técnicas, calçados e adesivos, serão produzidas pela companhia a partir de 2004.
|
Mais SBCs – A Kraton também tem novidades. A filial brasileira recebeu aval da matriz e vai expandir a capacidade produtiva das atuais 25 mil t/ano para 30 mil t até 2005. A liberação anunciada em meados de maio prevê a instalação de uma caldeira. “A geração de vapor é o atual gargalo da unidade”, explica o diretor comercial para a América Latina Henrique Lewi. A nova caldeira, além de ampliar a produção, será responsável por gerar processo mais limpo ao empregar gás como combustível. A atual opera com óleo. |
Cuca Jorge |
 |
| Lewi aposta na maior escala de produção |
Embora a filial ainda não tenha detalhados os custos do projeto, antecipa que os investimentos na expansão e nas áreas de saúde, segurança e meio ambiente vão consumir em torno de US$ 2 milhões entre 2003 e 2004. Na opinião de Lewi, o aval da matriz confirma o otimismo da companhia em relação aos mercados de atuação, em especial o brasileiro, e dá continuidade aos planos traçados anteriormente tanto para o País quanto com vista às exportações. “Vamos melhorar nossa escala frente aos fabricantes internacionais”, avalia.
Atualmente, a unidade brasileira exporta 40% da produção para diversos países. Tornou-se ainda único supridor mundial de alguns grades de Kraton, estratégia atribuída à flexibilidade e capacitação da planta, certificada pela ISO 9001 e 14001 e OHSAS 18001. Lewi ressalta ainda a substituição das importações. “No passado fabricávamos apenas dois grades de SIS. Hoje são mais de dez.” Em três meses, começa a produzir o último contra-tipo que integra a linha para aplicação em adesivos.
A empresa importa a série de hidrogenados. O Kraton G e seus compostos são formulados a partir de bloco elastomérico intermediário saturado (SEBS e SEPS – estireno-etileno/propileno-estireno) e produzidos nos Estados Unidos e França. Na Brasilplast, apresentou dois contra-tipos de SBC, o G e o D-1400, para modificação de polímeros. O primeiro garante alta flexibilidade para filmes multicamadas coextrudados. Já a série D, com alto teor de estireno, destaca-se pela resistência à tração, estabilidade térmica e baixo teor de géis, entre outras características (ver PM, edição nº 341, de março de 2003, pág. 24).
|
|