Recicladores – O fornecedor atual da Basf nasceu em 2001. A Clean Pet foi idealizada pela Emplal (produtora de embalagens termoformadas de PP, PS e PET desde 1985) com o propósito de reciclar embalagens pós-industrial e pós-uso, a princípio para abastecer a si própria com reciclados destinados à produção de embalagens não alimentícias, informa o gerente geral da Clean Pet Marcelo Fonseca. Há cerca de um ano, a recicladora começou a fornecer também para outras empresas.

A Clean Pet só revaloriza preformas e garrafas usadas de PET, à exceção das provenientes de lixões. Também não recicla qualquer outro tipo de embalagem de PET, ou chapas dessa resina. “A medida é para evitar contaminação, principalmente de PVC”, justifica Fonseca. Ele também não compra material moído.

Para fugir do lixão e das contaminações e abastecer sua produção mensal da ordem de 300 toneladas, o gerente recorre a várias cooperativas e depósitos (os conhecidos sucateiros), de onde ele acredita obter material mais fácil de descontaminar. “É preciso incentivar mais o princípio da cadeia, o que significa desenvolver coleta seletiva”, reivindica.

Outra medida adotada por ele, é incentivar pessoas interessadas em montar cooperativa. A Clean Pet ampara esses indivíduos com instruções e até fornecimento de prensas. “Desde, é claro, que apoiado num volume mínimo de fornecimento”, avisa. Além da prensa, também é necessário investir num veículo de transporte, para a coleta das garrafas, e numa esteira separadora.

O fornecimento para a Basf, em torno de 180 toneladas mensais, começou em caráter experimental em fevereiro. A partir de abril, o abastecimento se efetivou, após a Clean Pet promover a padronização necessária no reciclado para atender às especificações requeridas pelo fabricante da tinta. Antes da aprovação, o produto passou por testes de laboratório e de produção na Basf.

No banco de reserva – Bem conhecida no mercado, a Recipet, empresa do grupo Mossi & Ghisolfi (ex-Rhodia-ster), também fez parte da lista de fornecedores da Basf, mas hoje está fora dela. “Por ora, não está nos atendendo”, diz Gea, sem entrar em pormenores. O diretor da Recipet Auri César Marçon também não sabe por que foi mandado para o banco de reserva. “A Recipet ajudou a Basf a desenvolver o programa, com disponibilização de técnicos mas, na aplicação do projeto, não foi cotada para fornecedora.”

Cuca Jorge Melindres à parte, Marçon recicla da ordem de 20 mil toneladas ano de PET, em geral, meio a meio pós-consumo e pós-industrial. Ele também engrossa o coro das vozes que clamam por um sistema estruturado de coleta de resíduos urbanos. “A coleta seletiva cria fluxo de retorno de matéria-prima para a indústria de forma organizada, constante, e de materiais de qualidade”, opina. 
Marçon: contaminação de PET é muito alta

Em suas contas, hoje, mais de 80% do PET reciclado no País sai dos lixões.

O diretor explica que a Recipet compra, em geral, flakes pré-lavados e pré-moídos. Na empresa, sofrem novo processo de separação, e descontaminação mais fina. Cada big bag que chega passa por análise minuciosa, garante. É preciso tomar cuidado em particular com o PVC. 
Uma garrafa desse material no meio de 20.000 de PET é suficiente para tornar inaproveitável todo o lote. “A fusão do PVC junto com o PET destrói algumas características do PET; pode, por exemplo, diminuir a viscosidade do PET, causar amarelecimento ou escurecimento da peça; e, dependendo do tipo de aquecimento, o PVC pode queimar e manchar a peça com pontos pretos”, explica Marçon.

Como a Recipet compra flocos e não garrafas, é preciso tomar certas precauções. Uma delas é impor especificações aos seus fornecedores. Mesmo assim, quando o material chega é analisado para identificação de possíveis contaminantes, como o PVC. Perceber a mistura de PVC no PET nem é tão difícil, diz Marçon. Complicado mesmo é separá-los. “A retirada do PVC exige equipamentos economicamente inviáveis”, justifica. 
Quando recebe lotes fora das especificações, o diretor os devolve ou renegocia. “No caso de haver contaminação com outros materiais, esse produto é devolvido, ou segue para destinações menos remuneradas e de menor exigência”, garante.

Forte no segmento de fibras de poliéster feitas a partir de PET reciclado, a Recipet conseguiu desenvolver uma fibra muito fina, com 1,4 dtex. “É muito difícil fazer fibra fina de material reciclado”, alega. Segundo o diretor, a vantagem das fibras mais finas é permitir ampliar muito as aplicações, inclusive nos segmentos de roupas de cama e banho.


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