TRANSFORMAÇÃO

FEIRA SERVE DE VITRINE PARA IÇAR EXPORTAÇÃO



A maior parte dos expositores da área viram na feira uma oportunidade de abrir frentes no mercado externo


Rose de Moraes

Sintonizados com as metas setoriais de aumentar o faturamento com exportações da ordem de US$ 1 bilhão, mais do que dobrando os níveis atuais, a indústria de transformação agarrou a oportunidade da Brasilplast e projeta, com base em seus planos, diferentes níveis de crescimento para este ano, na confiança de poder reverter cenários sombrios impostos à economia mundial pela guerra no Golfo Pérsico e altas nos preços de matérias-primas.
Mas é na tentativa de superar os resultados positivos de 2002 – o consumo de 3,97 milhões de toneladas de matérias-primas, ou o faturamento global, que saltou de R$ 15,03 bilhões em 2001 para R$ 22,58 bilhões no ano passado –, que os transformadores certamente deverão ter pela frente o seu maior desafio em 2003.

“Em 2003, nossa meta é crescer 15% no mercado interno e 50% no mercado externo”, afirmou o diretor presidente da Sansuy Takeshi Honda, empresa líder latino-americana em laminados flexíveis de PVC, com fábricas nos municípios de Embu e Taboão, em São Paulo, e em Camaçari, na Bahia. Divulgação
Lamindos de poliéster e PVC compõem mobiliário

Veterana nas exportações para a América Latina, Oriente Médio e Estados Unidos, a Sansuy trabalha para alcançar resultados já colhidos no final da década de 80, quando auferia cifras de US$ 20 milhões com suas exportações. Para repetir o desempenho, foram concebidos produtos universais, capazes de atender a maior número de aplicações e mercados.

Cuca Jorge O diretor presidente da Silvatrim Marcos Zimet é outro empresário que também conta com resultados mais positivos advindos das exportações planejadas para este ano. Com unidades licenciadas em cinco países – Brasil, Estados Unidos, Colômbia, Argentina e Principado de Mônaco, a empresa brasileira reuniu diretores de todas as licenciadas na Brasilplast, para promover um intercâmbio de informações, visando dar maior impulso aos negócios entabulados em âmbito mundial.
Zimet pede mais incentivos às exportações

Inserida em projetos de fornecimento global, a Silvatrim brasileira incrementa, a partir deste ano, as exportações para os mercados americano e latino-americano. “A unidade da Silvatrim nos Estados Unidos está abrindo mercados para os produtos brasileiros, mas esperamos contar, no Brasil, com maiores incentivos às nossas exportações para que possamos competir em pé de igualdade com produtos acabados que agregam vantagens e subsídios”, afirmou Zimet.

Para o diretor presidente da Unipac Jiro Nishimura, antes mesmo de a guerra ser deflagrada, os estragos na economia mundial, como a elevação de preços, já foram sentidos pelos transformadores. Portanto, é preciso buscar novas formas para expandir e realizar novos negócios, fabricando-se produtos com maior valor agregado, que possam sair de fábrica montados, testados e aprovados, assumindo conduta semelhante à dos sistemistas do setor automotivo.

“Nossa experiência como fornecedor da Visteon, onde atuamos na fabricação de difusores de ar, painel central, dutos, clusters de painel, etc., nos inspirou a fornecer conjuntos já montados para o grupo Jacto, do qual somos parte integrante e, além disso, estamos correndo atrás de novos mercados, fabricando, por exemplo, assentos soprados em PEAD para a frota de ônibus urbanos da Induscar/Caio, empresa do grupo Ruas”, informou Nishimura.

A previsão é produzir até 9 mil assentos/mês, com a transformação de 35 toneladas/mês de resinas, a depender da demanda gerada pelos negócios da Induscar/Caio no Brasil e exterior, uma vez que os veículos já são exportados para o Chile, Equador e Costa Rica, mas deverão em futuro próximo ser expandidos para outros países da América do Sul, Central e África.

Laminados para o mundo – A idéia de criar produtos universais, servindo para múltiplas aplicações, além de oferecer maior racionalidade à produção e tornar os desenvolvimentos mais acessíveis, deve abrir portas para o comércio internacional dos manufaturados plásticos brasileiros, acredita o diretor de desenvolvimento da Sansuy Juan W.Biester Giere.  Cuca Jorge
Giere (esq.) e Honda querem mais eficiência

Com esses princípios, a empresa estará levando aos mercados dos Estados Unidos, Alemanha, entre outros países da Europa e América Latina, as novas linhas de laminados confeccionados com diferentes combinações de matérias-primas, lançados na Brasilplast. 

Uma delas, a linha de laminados de PVC Sanlux, é constituída de telas que servem de substrato a peças de comunicação visual, envolvendo mensagens e propagandas veiculadas em banners, front-lights e back-lights. Reforçados com tecido de poliéster e com acabamento superficial em laca, esses laminados não apresentam limitações, recebem qualquer tipo de impressão (digital, serigrafia e plotagem, etc). “A versatilidade do PVC calandrado, laminado com suportes têxteis, e com acabamentos em laca se estendeu inclusive às telas da linha Sanlux Water-Ink, que permitem impressões com tintas em base água”, afirmou Giere.

Outra inovação foi conferida nas redes da linha Sanlux Net. Constituída por tecidos de poliéster impregnados com PVC, essa linha também conta com filme de proteção descartável, confeccionado em PVC. Aprimorar e manejar diferentes tecnologias voltadas à produção de laminados de PVC são experiências que se desenvolveram muito em função das aplicações feitas na indústria automobilística, na qual a Sansuy detém participação de cerca de 60%, fornecendo revestimentos internos para veículos. 

Outro lançamento da Sansuy deverá beneficiar as aplicações no mobiliário. Tratam-se de laminados que combinam poliéster e PVC na base, com PU utilizado no acabamento da camada superficial. Batizada de “couro têxtil”, essa linha conta com várias opções de cor. 

“É um laminado poroso, micro-perfurado, que imita a textura macia do couro, promovendo a entrada e a saída do ar. Além disso, apresenta alta resistência ao rasgo, à chama, à abrasão, à luz, e à flexão, segundo o teste de Bally, envolvendo 300 mil ciclos, sem sofrer qualquer tipo de alteração, propiciando, dessa forma, maior conforto aos usuários e economia por entrar em faixa de preço inferior à do couro”, afirmou Giere.

Na opinião do diretor, o mercado da transformação brasileira pode se impor pela tecnologia e qualidade, mas também preservar preços. Por essa via, seria possível impulsionar as exportações, seguindo tendência inversa à dos países mais ricos que não se importam em empregar matérias-primas com preços elevados. 

“As empresas devem se preocupar com a redução de custos, atingindo preços aceitáveis para o mercado interno, e mais competitivos no mercado externo”, afirmou o diretor. Na opinião dele, essa forma de proceder é bastante saudável e estaria até ajudando a indústria automobilística a aproveitar toda a sua capacidade de produção instalada, de mais de 3 milhões de unidades/ano.
Para o presidente Takeshi Honda, a busca de melhores resultados deve ser permanente: “Nós podemos aprimorar a nossa eficiência, mudar a maneira de focar os mercados, racionalizar a produção e as vendas, tornando-nos mais ágeis”, afirmou.

<<< Anterior

Próxima >>>