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PETROFLEX FATURA 170% ACIMA DE 2001
APetroflex, maior produtora de borracha sintética da América Latina, registrou lucro líquido positivo em dois anos consecutivos pela primeira vez, desde 1995, após amargar sucessivos prejuízos entre 1996 e 2000. O resultado do ano passado, de R$ 30 milhões, é o melhor desde a privatização da empresa, em 1992, representando um incremento de cerca de 170% sobre o montante registrado em 2001, ao redor de R$ 11 milhões.
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De acordo com o diretor comercial da Petroflex, Wanderlei Passarella, a desvalorização do real em 2002 (52%) ampliou a competitividade das exportações brasileiras, favorecendo as vendas externas da empresa, com aumento de 16%, e de alguns de seus clientes, como o setor de pneumáticos, que também acelerou as exportações, e o de bandas de rodagem, estimulado pelo crescimento da demanda por transporte rodoviário, em reflexo do bom momento vivido pelas exportações agrícolas brasileiras.
Além de impulsionar o crescimento de 12% nas vendas e de 3% no market share (atualmente beirando os 82%), o efeito cambial inibiu as importações de produtos estrangeiros, e permitiu à Petroflex amortizar o repasse de preços decorrente do aumento das cotações de matérias-primas. |
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| Passarela: exportação mais favorecida ajudou
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O resultado em 2002 também foi beneficiado pela alta dos preços internacionais da borracha, e pela conquista do fornecimento de modificadores de poliestireno de alto impacto (à base de polibutadieno) para um grande competidor mundial e para a brasileira Videolar. As vendas totais da Petroflex cresceram 12,1% em 2002, atingindo 323.452 toneladas. O portfólio engloba 70 diferentes itens, incluindo grades de borrachas estireno-butadieno (SBR) em solução e emulsão, polibutadienos para modificação de poliestireno de alto impacto (BR), borracha termoplástica (TR), borrachas nitrílicas (NBR), látex de SBR e polibutadieno líquido hidroxilado (PBLH).
“A empresa se voltou para o mercado, em prol dos clientes, nos últimos anos”, afirmou Passarella, citando o desenvolvimento de grades de polibutadieno de neodímio, para a indústria de pneus; dois produtos para gomas de mascar; três novos grades especiais de SBR, criados em parceria, para produtores de pneumáticos na Ásia; outro grade SBR para novo tipo de adesivo no mercado dos Estados Unidos, e a adequação da linha de borrachas nitrílicas às necessidades do mercado.
A Petroflex pretende manter posição nos seus mercados tradicionais – pneus e bandas de rodagem – enquanto amplia sua participação no mercado internacional, pela instalação de estrutura comercial própria na Europa (provavelmente na Holanda ou Bélgica) e na Ásia (em Cingapura ou Hong Kong). Em 2003, os executivos da empresa esperam superar o recorde de exportações de 100 mil toneladas, alcançado em 1997. Entre os objetivos também está a alteração do perfil das vendas, compostas por 85% de produtos básicos e 15% de produtos de alto desempenho e especiais. A meta é elevar a participação dos produtos de maior valor agregado, com maior demanda por assistência técnica e produção dedicada, chegando ao patamar de 35% das vendas, até 2007.
Após lançar nove novos produtos no ano passado, a Petroflex anuncia pelo menos outros dois lançamentos neste ano. A empresa será a primeira produtora latino-americana de borrachas acrílicas, compostas por cadeias saturadas, responsáveis por propriedades como a resistência a intempéries e à alta temperatura, e por cadeias laterais com grupamentos ésteres, que aumentam a resistência do material a óleos lubrificantes, principalmente na presença de enxofre. O material é próprio para a fabricação de autopeças.
Também será lançado o primeiro látex nitrílico carboxilado fabricado pela empresa, composto por terpolímeros de acrilonitrila-butadieno-ácido carboxílico obtidos em polimerização por emulsão. Livre de proteínas, o produto favorece a fabricação de luvas antialérgicas, em substituição ao látex de borracha natural.
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Década conturbada – A Petroflex precisou ser amplamente reestruturada, após passar trinta anos sob controle estatal, para adequar-se, depois da privatização, ao novo ambiente de competitividade instalado no Brasil, em meados dos anos noventa. As alíquotas de importação da borracha sintética, ao redor de 40% em 1991, chegam a míseros 2%, ao final de 1995. Com instalações industriais antiquadas, inchaço no número de funcionários, e um perfil de dívida de curto prazo, a empresa precisou investir cerca de US$ 230 milhões, em dez anos, para conseguir alcançar os padrões de qualidade e custos compatíveis com os competidores internacionais do setor. Foram gastos US$ 125,8 milhões na aquisição da Coperbo (produtora pernambucana de borracha SBR em solução, vital para os planos estratégicos da Petroflex); US$ 90 milhões em investimento nas fábricas; e US$ 15 milhões em pesquisa e desenvolvimento de processos e produtos, sistemas informatizados de gestão corporativa, novos equipamentos para laboratórios de assistência técnica e reformas prediais. |
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| Copoliéster confere alta transparência |
As despesas financeiras decorrentes da contração de dívidas em dólares, agravadas pelos altos custos fixos herdados da administração estatal, e pela queda contínua dos preços internacionais das borrachas sintéticas, principalmente na segunda metade da década de 90, explicam, em parte, os maus resultados econômicos anotados pela Petroflex durante o período. O esforço, entretanto, revelou bons resultados, expressos na melhoria dos principais indicadores industriais e econômicos da empresa (ver quadro). Márcio Azevedo
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