CENÁRIO É FAVORÁVEL PARA EXTRUSÃO DE TUBOS

 

Previsões de especialistas do setor traçam um cenário favorável para o avanço do mercado do plástico de extrusão para tubos, perfis e laminados. De acordo com expectativa do gerente comercial da italiana Bausano, Chrystalino B. Filho, a empresa mostra fortes indícios de que deve registrar neste ano crescimento de cerca de 30% em relação ao ano passado. Estimativa bastante promissora, considerando-se que os negócios da empresa em 2002 tiveram alta nas vendas da ordem de 20% em relação ao ano anterior.

“Se o governo realmente cumprir as promessas feitas até o momento, 2003 será um ano marcante para a indústria”, afirma. Além da confiança no programa do governo Lula, sobretudo, na possibilidade de investimentos nos ramos da irrigação e da construção civil, Chrystalino aposta na abrangência dessa nona edição da Brasilplast.  Cuca Jorge
Chrystalino faz previsões otimistas

“Todo ano em que temos uma feira, principalmente, se for do porte desta, a indústria do plástico apresenta melhor desempenho”, completa.

Na opinião de Chrystalino, a conjuntura não poderia ser melhor para o efetivo aprimoramento do parque industrial brasileiro. Ele sustenta sua afirmação em dois fatores. O primeiro é o possível aumento do consumo per capita do plástico em âmbito nacional. Conforme explica, o principal empecilho hoje é o baixo poder aquisitivo do brasileiro, porém acredita no aumento da demanda do material ainda neste ano. “O mercado do plástico está em ascensão”, diz. Segundo dados da Alcântara Machado, organizadora da feira, a indústria do plástico tem apresentado crescimento médio de 10% nos últimos anos, o que situa o Brasil na posição de 22º colocado no ranking do consumo do material por habitante.

Outra explicação para seu otimismo se dá por conta da disposição do industrial em renovar o maquinário. De acordo com Chrystalino, mais do que carente de modernização, a indústria brasileira está ansiosa por aperfeiçoamentos. “O empresário precisa de maior produtividade e para conseguir isso, só se investir em tecnologia. Ele sabe que se não se modernizar agora, vai fechar lá na frente”, diz.

Devido a essa característica do mercado, a Bausano investe em diferenciais trazidos da Europa. Entre os últimos lançamentos da empresa figura, por exemplo, a extrusora dupla rosca MD-90-25, com sistema multi-drive, segunda geração. Conforme o diretor enfatiza, por conta desse sistema, a máquina ganha em produtividade e em economia de energia. Também entre as apostas do grupo italiano está a linha para fabricação de perfis, com extrusora monorosca série SD-70-30. O modelo possui sistema de filtragem e resfriamento de óleo, que de acordo com Chrystalino, oferece maior produtividade à máquina, além de banco de calibração com recursos de regulagem de avanço motorizado, fluxômetros para facilitar a estabilidade de calibração dos perfis e puxador pneumático destinado ao fechamento micrométrico das largatas, com alto poder de arraste, entre outros. “Eu não viso me confrontar com o concorrente brasileiro. A Bausano acompanha a evolução européia. Trago a alta tecnologia de fora para o País”, explica.

Não ao desperdício - Entre as atuais necessidades da indústria brasileira, também há a otimização do processo produtivo e a economia do consumo de energia. Para atender a essas exigências do mercado, a Bausano oferece ao País o que denomina de “equipamentos de ponta”. “Antigamente era fácil vender. Hoje, é preciso melhorar a capacidade produtiva da máquina para ter condições de competir”, observa. E não é só o transformador quem precisa economizar. A própria Bausano reduziu as importações. De acordo com Chrystalino, no máximo 35% das peças utilizadas na fabricação das máquinas são importadas, devido ao alto valor do dólar frente a moeda brasileira. “Nós estamos nacionalizando o que produzimos ”, conta. Antes desse corte, a empresa importava cerca de 60% da produção.

Tendo a economia como palavra de ordem, a Bausano aposta no incremento da demanda das máquinas de extrusão para materiais compostos. Estratégia de mercado para abaixar o custo da produto transformado, a composição entre o polímero e a serragem de madeira deve avançar nos próximos anos, segundo expectativa anunciada desde a última edição da K, em 2001, na Alemanha. Para atender a essa solicitação, a empresa promoveu em suas máquinas, por exemplo, alterações na relação L/D, e incrementou o design da rosca. A idéia é tornar o equipamento apto para operar com materiais compostos em 80% de pó de madeira e 20% de polímero. “O industrial percebeu que precisa racionalizar a sua empresa”, conclui. 

 

OCIOSIDADE ALTA MARCOU OPERAÇÕES EM 2002

 

O ano de 2003 vai assinalar o início de um novo fluxo de investimentos para a indústria de máquinas por extrusão. Pelo menos é o que indica a análise de especialistas do setor. Se depender do entusiasmo mostrado, o letárgico crescimento registrado em 2002 não se repetirá neste ano. Crédulo no potencial do mercado nacional de extrusoras, o gerente comercial da Car­nevalli, de Guarulhos-SP, Luiz Antonio Delosso Simões, projeta crescimento de pelo menos 20% em relação ao ano anterior.

Talvez 2002 não seja um bom parâmetro, pois a Carnevalli, empresa líder local na produção de extrusoras e coextrusoras tipo balão para filmes, operou com 40% de ociosidade no ano passado. A alta do dólar e a incerteza política, entre outros fatores, contribuíram para a estagnação do setor. No entanto, a questão fundamenta-se mais em aspectos qualitativos do que quantitativos.  Cuca Jorge
Simões projeta crescimento de 20%

Na opinião de Simões, desde 2000, época em que a empresa contava com toda sua capacidade de produção, o cenário não se mostrou tão promissor para o efetivo avanço do setor.

Se a conjuntura econômica e a política seguirem o rumo até o momento anunciado, a indústria de transformação por extrusão deve deslanchar. Segundo expectativa de Simões, é iminente o início para a aguardada renovação do parque industrial. “É preciso recuperar o tempo perdido, já passou da hora de investir na modernização do maquinário. E nada melhor do que esse momento”, justifica Simões.

Incrementos tecnológicos – Termômetro do desempenho do setor, a Brasilplast será marcada por novidades mecânicas e de engenharia de processos, na concepção de Simões. Pelo menos, se depender de promessa da própria Carnevalli. “Trouxemos o que existe de mais moderno em todas as linhas de produto”, anuncia. O caso não é isolado, a indústria de maneira geral esforçou-se para colocar-se no mesmo patamar dos mercados internacionais, como o europeu e o norte-americano.

Porta de entrada para o mundo globalizado, a feira mostra-se em condições efetivas de impulsionar o aprimoramento do setor. Para muitos, é a grande oportunidade de mostrar o nível de excelência das máquinas brasileiras e assim consolidar-se no mercado exterior. A Carnevalli, por exemplo, tem expectativa de intensificar os seus esforços neste sentido, sobretudo em países como Chile, Argentina, Equador, México e Peru, as principais apostas da empresa. De olho nos vizinhos, a Carnevalli é criteriosa ao apontar seu foco de atuação. De acordo com Simões, não há como se sustentar em países muito distantes. Hoje se faz necessário otimizar a logística e estar cada vez mais próximo da realidade do cliente. “Queremos o domínio do mercado latino”, confessa Simões.

Com 30% de sua produção destinados ao mercado externo, a meta da Carnevalli não é exorbitante ou irreal. De acordo com avaliação de Simões, voltar a atenção para a América Latina seria uma maneira de a indústria aumentar o fluxo de exportações, sobretudo, porque a tecnologia e o alto padrão de qualidade das máquinas brasileiras são compatíveis com o nível apresentado no exterior.

No entanto, há primeiro um obstáculo a ser superado. Na opinião de Simões, a imagem do Brasil no exterior ainda é um empecilho para o desenvolvimento da indústria de máquinas. “Antes de vender o produto, temos de vender a imagem de um País sério”, explica Simões. Diante desse cenário, a Brasilplast é de vital importância, pois ajudará o empresário brasileiro a apresentar ao cliente internacional a seriedade e a qualidade da indústria nacional.

Uma das maneiras é oferecendo linhas de produtos com alto nível de excelência. A Carnevalli aposta na linha Polaris. Os equipamentos se sustentam na promessa de alta produtividade, controle de processo e, sobretudo, economia de energia elétrica. Simões explica que neste ano devem se sobressair máquinas capazes de minimizar o desperdício na produção. De uns tempos para cá, a relação do industrial com o lucro mudou. Hoje, para fechar o mês com alguma folga financeira, ele precisa diminuir os custos. Por conta dessa nova realidade, tende a crescer a demanda, e por conseqüência, a oferta de equipamentos responsáveis pela otimização dos processos.

“A feira traça o rumo do setor para os próximos dois anos”, aposta Simões. Diante dessa constatação, a Carnevalli conta com estande de mais de 1.000 m² – o maior da feira –, onde expõe além da linha de coextrusoras da Polaris, destinada para o processamento de materiais poliolefínicos, duas monoextrusoras. O principal destaque das máquinas expostas fica por conta do perfil construtivo das extrusoras, que permite ao cliente obter perfeito controle da temperatura do processo. Além disso, outras vantagens seriam a economia de energia, da ordem de até 30%, e o menor desgaste do conjunto mecânico, devido às baixas rotações de rosca.

Destaque - Neste ano, a coextrusão, processo pelo qual o uso de três ou mais cabeçotes garantem a produção de filmes multicamada, continua em alta. Isso porque o processo vai ao encontro da atual exigência do mercado, de atender o cliente de maneira personalizada. “Para muitos clientes, é inconcebível adquirir uma máquina de monoextrusão”, comenta Simões. A coextrusão, na opinião do gerente, permite ao transformador colocar em prática seu talento técnico e comercial, oferecendo a oportunidade de criar a embalagem de acordo com a necessidade de cada usuário. Ou seja, de certa forma, esse processo sintetiza um dos principais mandamentos da indústria de máquinas: o de ampliar e melhorar a capacidade produtiva do transformador. 

 

NOVOS NICHOS DE APLICAÇÃO ATRAEM OS FABRICANTES NACIONAIS

 

A expansão a novos segmentos é uma das metas da indústria de transformação do plástico por extrusão para 2003. Sobretudo em função da visibilidade promovida pela Brasilplast, muitos empresários aproveitam para alcançar novos nichos de mercado e valorizar a imagem da máquina nacional em âmbito internacional. Esse é o caso da Imacom, tradicional fabricante de extrusoras de Diadema-SP.

De acordo com o diretor comercial Carlos Renato Borges, 2003 será o ano da virada para o setor, o momento de avançar e de romper com o apático ano de 2002. No ano passado a Imacom comercializou 50 linhas completas de extrusoras, o mesmo número do ano anterior. Isso porque, de acordo com Borges, as incertezas políticas e econômicas emperraram o desenvolvimento industrial do País. Neste ano, porém, as perspectivas são animadoras. Borges projeta um crescimento da ordem de 20% em relação ao volume de vendas registrado no ano passado.

O otimismo não é gratuito. Além da definição da política brasileira, vários fatores convergem para esse caminho. Um deles é a anunciada intenção do novo governo de investir nas questões sociais. Para Borges, com os investimentos focados na construção civil e no saneamento básico, a indústria do plástico deve avançar, sobretudo nos mercados de tubos e perfilados. “Já no segundo semestre haverá um aquecimento na área de tubos”, acredita.  Cuca Jorge
Borges prevê avanços em saneamento básico

O ano de 2003, segundo previsão, também deverá ser excelente para a venda de máquinas destinadas para à produção de masterbaches e materiais compostos. Na opinião de Borges, são mercados com expressivo potencial de crescimento.

Essa confiança se traduz nos novos projetos da Imacom. Apostando na carência de máquinas para atender a essas exigências, a empresa lança na feira um conjunto completo de extrusoras dupla-rosca co-rotante DRC 40:40, apresentada em 2001 na K, em Düsseldorf, Alemanha, agora em nova versão, com rotação de 1.200 r.p.m. Própria para masterbaches e compostos, a máquina aumenta a produtividade em cerca de 30%. A empresa ainda lança a extrusora dupla-rosca contra-rotante, modelo DR 67:22, para fabricação de perfis, como forro e arremates, entre outros.

Na opinião de Borges, a ascensão do perfilado em PVC, por exemplo, anuncia forte tendência do setor, em constante aprimoramento neste segmento. Segundo explica, a indústria de forma geral tem investido em novas tecnologias, para a produção cada vez maior do PVC com madeira e do PVC expandido. “É um nicho de mercado que vem crescendo a passos largos. Sempre há uma novidade nessa área, e nós acompanhamos”, afirma.

Exportação - As previsões de Borges traçam um cenário apropriado também para as exportações. Impulsionada pela globalização, a indústria desenvolveu máquinas com tecnologia de ponta, o hoje abre portas para ultrapassar as fronteiras brasileiras. Conforme Borges afirma, além da qualidade do equipamento disponível, os preços das máquinas brasileiras são muito competitivas frente a mercados como o europeu e o norte-americano. Daí a facilidade para marcar presença na América Latina. Foi inclusive graças a esse mercado que a Imacom se fortaleceu em meio às turbulências econômicas e políticas do ano passado. “A exportação sempre será nossa válvula de saída”, observa. Do volume estimado para 2003, a Imacom planeja destinar ao mercado externo pelo menos 20%. No ano passado, foram exportados cerca de 15% da produção.

A participação em feiras também tem aquecido as vendas da Imacom, sobretudo, em países da América Latina, a expectativa é de que a Brasilplast também renda bons negócios nessa região. “Esses países vêem o Brasil com muito bons olhos”, garante. A Imacom dispõe de máquinas em quase todos os países vizinhos. Na opinião de Borges, os melhores mercados são os do México, Peru, Colômbia, Chile e Equador. “Esses países serão uma saída muito boa para o fabricante nacional”, comenta, ressaltando ter consciência de que são mercados instáveis.

A Brasilplast tem um papel fundamental nesse cenário. “Todos os fabricantes têm boas expectativas em relação a essa feira”, comenta. Para Borges, o evento é muito prestigiado tanto por industriais brasileiros quanto estrangeiros. Por isso, na avaliação do diretor comercial, após essa nona edição, a máquina nacional será muito mais valorizada, sobretudo, perante os olhos dos clientes internacionais. 

 

INDÚSTRIAS BRIGAM POR FINANCIAMENTO MAIS ACESSÍVEL NO BRASIL

 

Confiante na renovação da indústria nacional, o gerente comercial da Miotto, tradicional fabricante de extrusoras de São Bernardo do Campo-SP, José Carlos Ferraresso prevê neste ano crescimento de cerca de 4% para sua empresa, em relação a 2002, ano difícil e sem nas vendas. Para ele, a postura assumida pelo governo Lula até o momento, permite prever um ano promissor para o industrial brasileiro, sobretudo, porque a estabilidade política aqueceu o mercado no último trimestre de 2002.

Na avaliação de Ferraresso, porém, a iminência da guerra entre os Estados Unidos e o Iraque requer cautela em relação a projeções e investimentos. “Estávamos indo bem no final do ano passado, e de repente o mercado se retraiu por causa da guerra. Temos de esperar os futuros acontecimentos para poder apresentar perspectivas de negócios ”, aconselha.

Na opinião de Ferraresso, a atual política econômica do País favorece o industrial brasileiro no âmbito internacional. “Lula tem dado continuidade ao trabalho de FHC, o que acalma os investidores e os mercados externos”. Por conta dessa aparente facilidade para ultrapassar as fronteiras do País, o momento mostra-se apropriado para as exportações. Para Ferraresso, as máquinas nacionais atingiram um nível de excelência capaz de torná-las compatíveis com as melhores em âmbito mundial. Para provar essa afirmação, o gerente explica que a Miotto possui máquinas em diversos países, como Alemanha, considerada o berço da extrusão no mundo, Espanha e Tunísia, além dos países vizinhos, como Argentina, Venezuela e Chile, também fortes compradores das extrusoras nacionais.

Esse avanço tecnológico, segundo Ferraresso, é impulsionado, sobretudo, pelas parcerias entre empresas nacionais e internacionais. A Miotto, por exemplo, dispõe da tecnologia da norte-americana DRTS, que atua com linhas para produzir tubos em polietileno (PE) de irrigação por gotejamento, e da italiana Barufaldi, fabricante de linhas de periféricos para perfis rígidos. Neste ano, por conta da Brasilplast, a empresa reforça a aposta nesse tipo de estratégia, por meio da parceria com a espanhola Caballé, empresa especializada em máquinas para fabricação de fios torcidos, cabos elétricos, telefônicos e fibras ópticas. Em função dessa união de forças, a Miotto lança na feira as torcedeiras Buncher para bobina DIN 630 e DIN 800, utilizadas na produção de fios e cabos flexíveis.

Obstáculos – Os negócios muitas vezes ainda são inviabilizados devido à burocracia e dificuldades de acesso às de linhas de crédito. “Os financiamentos esbarram em questões que não têm cabimento”, reclama. Na opinião do gerente, os financiamentos estão inacessíveis à maioria das empresas, devido à maneira como funcionam hoje. “Se o governo tornar mais acessível o financiamento, muitos negócios deslancharão”, comenta. A essa exigência, soma-se a característica básica do setor: a necessidade de constante aprimoramento. Trata-se de um ciclo, pois se o transformador não tem condições de investir, o parque industrial permanece obsoleto e, por conseqüência, cai a produtividade nacional.

Outro empecilho para a evolução do setor fica por conta da fragilidade do mercado frente à especulação dos investidores. Ferraresso explica: “O industrial sofre por antecedência”. Ou seja, na possibilidade de qualquer percalço, o mercado se retrai. “Sem expectativa especulativa paralela, a indústria evolui”, afirma Ferraresso. 

 

MELHORIAS NO PROCESSO VISAM O AUMENTO DA PRODUTIVIDADE

 

Norteado pela trajetória da indústria de filmes de polietilenos, o desempenho do setor de máquinas extrusoras também sofreu com a alta do preço das resinas e o conseqüente desaquecimento do mercado. Por outro lado, a indústria foi impulsionada a se aperfeiçoar. Com o desafio de oferecer ao transformador a possibilidade de aumentar sua capacidade produtiva, o fabricante de máquinas teve de se renovar e investir em melhorias de processos e inovações tecnológicas. Para o gerente comercial da tradicional fabricante de extrusoras Rulli Standard, de São Paulo, Luis Carlos Rulli, essa nova realidade se manifesta em duas tendências: na maior oferta de equipamentos de grande porte e na abertura do mercado brasileiro à automatização.

Na avaliação de Rulli, o mercado exige hoje máquinas de alta produtividade, a partir de dois conceitos básicos: a eficiência e a automatização. No entanto, a indústria também deve agregar a isso praticidade na operação, diminuindo, por exemplo, tempo de troca de matrizes e telas, além de rápida partida após cada parada, a fim de reduzir as perdas de material.

Os desenvolvimentos tecnológicos têm sido uma constante no setor. A evolução da Rulli se dá, por exemplo, com a produção de equipamentos especiais com larguras acima de 2.200 mm, visando produtividade mais eficiente. Segundo observa Rulli, a indústria de extrusoras deve trabalhar com o firme propósito de produzir equipamentos de alta produtividade e de qualidade. Por isso, uma das apostas do setor para este ano seriam os equipamentos cast film, que operam com produção elevada. Mas ele faz uma ressalva. “Vejo essa tecnologia com certa reserva, pois a fatia do mercado interno capaz de absorver tal investimento ainda é pequena”.

A efetiva disposição do setor continua sendo para a aquisição de máquinas de coextrusão de três e de cinco camadas, o que, para Rulli, já é uma realidade no Brasil e no mundo. Em 2002, a empresa entregou diversas linhas de coextrusão e a expectativa para 2003 é a de produzir pelo menos 25% a mais, em relação ao ano passado. “Neste ano a coextrusão de filmes será nossa grande vedete”, aposta.  Cuca Jorge
Rulli: padrão europeu com preço latino

A linha de produtos da marca Rulli conta, entre outros, com máquinas de coextrusão de três camadas em balão, produzindo filmes stretch a 400 kg/h.

O aperfeiçoamento do fabricante nacional, de acordo com Rulli, faz jus à excelência tecnológica dos mercados europeu e norte-americano. “Os produtos nacionais competem de igual para igual com os importados”, comenta. Para o gerente comercial, o potencial desse nicho é enorme, sobretudo porque, além de oferecer qualidade, a indústria brasileira conta com algumas vantagens, como facilidade de instalação do equipamento, assistência técnica permanente, crédito de ICMS e reposição imediata de peças.

Projeções - A Rulli Standard estima alcançar neste ano crescimento de cerca de 20% em relação a 2002. De acordo com Rulli, a indústria de transformação terá alguns desafios pela frente, como repassar todos os aumentos do preço da resina e reestabilizar o fluxo financeiro, para voltar a investir em produtividade e qualidade ainda neste ano. Diante desse cenário, Rulli faz um diagnóstico do setor. “Como o 2º semestre de 2002 teve um rendimento menor que o 1º semestre, imaginamos que 2003 deve ter uma recuperação real a partir do 2º trimestre, fechando com índice de faturamento superior em relação a 2002”, observa.

A expectativa é grande. Para acompanhar esse incremento do setor, a própria Rulli planeja operar com plena capacidade de produção a partir de março. “Nesse período contaremos com parque industrial moderno para atender ao crescimento da futura demanda de mercado”, afirma. A empresa se mudou para o município de Bonsucesso, em Guarulhos-SP, onde ampliou as instalações em cinco vezes.

De olho no avanço do setor, o gerente prevê o progressivo desenvolvimento da indústria de embalagens rumo à produção de embalagens especiais e mais sofisticadas. Por enquanto, o principal nicho de mercado é o alimentício, devido à necessidade de produtos com maior vida de prateleira. Mas a tendência é esse tipo de produto atingir outros públicos. “Imagine as diversas opções de embalagens em outros setores, além do alimentício”, comenta.

Na opinião de Rulli, esse é o momento para a indústria do plástico brasileiro buscar novos mercados, sobretudo, o internacional. “Ao fazer negócios no Brasil, o estrangeiro compra equipamentos com padrão europeu, mas com preços da América Latina”, comenta. Esse seria então um dos motivos para a ascendência das exportações das máquinas nacionais. Para se ter uma idéia, hoje na Rulli 32% do faturamento da empresa advêm do mercado externo. É bem verdade, no entanto, que a crise na Argentina deu uma freada no fluxo de exportações. Mas se trata de um mercado importante, que segundo expectativa de Rulli, deve se recuperar neste ano. Enquanto não se resolvem as dificuldades de crédito com aquele país, a empresa cresce em outras regiões da América Latina e avança a penetração no mercado asiático.

Visibilidade – Nesse contexto, a Brasilplast ganha em importância, devido ao grande número de clientes internacionais que prestigiam a feira. Se depender do esforço da indústria nacional, o comprador estrangeiro deve se render às máquinas brasileiras. De acordo com Rulli, o expositor tem condições de surpreender e mostrar seu esforço, por exemplo, no aprimoramento de cabeçotes com reologia mais eficiente, a fim de diminuir variações de espessura; em extrusoras de altíssima produção, e em novas estruturas de máquinas, entre outros. O visitante também pode ter maior contato com as linhas de coextrusão e suas tendências na própria monoextrusão, com o uso dos novos cabeçotes bi-fluxo. Entre os destaques, Rulli aponta as linhas monocamadas com cabeçote bi-fluxo, o qual permite ao moldador ganho de resistência mecânica em relação aos equipamentos tradicionais, além de proporcionar menor variação de espessura e incremento na produção. A Rulli expõe, por exemplo, linhas de coextrusão de três camadas e linhas de equipamentos para chapa de PS/PP. No estande o visitante também pode conhecer a última geração de bobinadeiras da marca, com troca automática de bobinas através de faca giratória. Esses produtos representam apenas uma amostra dos aprimoramentos da indústria de máquinas apresentados neste ano. 

 

 

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