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QUALIDADE MUNDIAL
DESEMBARCA NO PAÍS
Márcio Azevedo
Diversos produtores de aditivos para polímeros marcarão presença na Brasilplast 2003, trazendo novidades voltadas para a substituição de produtos ecologicamente perigosos, a melhora do desempenho de itens já comercializados no País e o desenvolvimento de novas aplicações no mercado brasileiro.
As oscilações do dólar, em 2002, tiveram grande impacto sobre as vendas de aditivos, já que a grande maioria dos produtos comercializados no País é importada. Mesmo quando há produção nacional, o impacto é relevante, devido às matérias-primas importadas, ou com preços balizados pelo mercado internacional. O resultado da pressão do câmbio foi a retração do faturamento das empresas, às vezes apenas em dólares, algumas vezes tanto em dólares quanto em reais. Uma das exceções foi a Minérios Ouro Branco, que conseguiu manter o faturamento em dólares em expansão, a despeito do entrave monetário.
Superadas as dificuldades do ano passado, porém, as expectativas para 2003 ainda mantém-se positivas. A realização da Brasilplast 2003 promete colocar em contato produtores e clientes da cadeia plástica, criando a base para futuros negócios, e talvez, a reversão do panorama econômico ruim no setor.
NOVAS FÁBRICAS AGITAM DISTRIBUIÇÃO
Em sua quarta apresentação na Brasilplast, a Activas, líder nacional na distribuição de resinas termoplásticas, pretende dar destaque às novas resinas com tecnologia Spheripol, da suíça Basell, fabricadas na nova planta de polipropileno da Polibrasil. A principal novidade são os elevados índices de fluidez dos polímeros, ao redor de 100 g/10 minutos, enquanto os produtos circulando no mercado chegam a cerca de 50 g/10 minutos.
A Activas distribui commodities, especialidades (modificadores de impacto, nylon 11 e 12, TPE, PVD, PVDF e MBS) e plásticos de engenharia (ABS, acrílico, PC, PA, ABS/PC e SAN). Dentre os modificadores de impacto, a empresa distribui MBS (copolímero de
metilmetacrilato-butadieno-
estireno) e MABS (copolímero de acrilonitrila-metilmetacrilato-
butadieno-estireno) e, na linha de aditivos para PP, distribui produtos anti-UV, antioxidantes e termo-estabilizantes. |
Cuca Jorge |
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| Gonçalves: inadimplência no fim de 2002 |
A distribuição de resinas encerra cerca de 97% do faturamento, e o restante é derivado do comércio de peças. A Grande São Paulo e o Interior do Estado concentram 70% das vendas; o restante, 30%, é vendido no ABC Paulista.
Para Laércio Gonçalves, diretor e principal acionista da empresa, 2002 foi um ano bastante turbulento, com o primeiro semestre especialmente complicado. A Activas previa crescer 30% em 2002, mas chegou só em 22%, próximo do crescimento previsto para 2003, ao redor de 25%. A entrada de novos produtores de PS no mercado (aumentaram de dois para quatro) deve criar dificuldades para a empresa. Gonçalves espera apenas manter as vendas de PS em 2003, que caíram 50% nos últimos dois anos. Na direção oposta, as vendas de polietileno devem aumentar, embaladas pelo pré-marketing das vendas da Rio Polímeros.
A virada do ano foi marcada pela alta inadimplência, afirma o diretor, situação cuja normalização é esperada já em fevereiro. A recuperação das margens, muito deprimidas em 2002, não deve, entretanto, vir neste ano.
ARROCHO DO CÂMBIO NÃO FREIA NOVOS PROJETOS
A empresa de origem alemã Bärlocher, líder nacional em estabilizantes para PVC, registrou crescimento de 15% em volumes, em 2002. A desvalorização do real, porém, prejudicou o desempenho do faturamento, que cresceu até 35%, em reais, mas não conseguiu incrementar o montante expresso em dólares.
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A empresa depende de matérias-primas dolarizadas (importadas ou não), que sofreram em 2002 impactos tanto da desvalorização cambial quanto do aumento dos preços internacionais. “O preço das nossas matérias-primas depende do dólar e dos preços da indústria petroquímica e oleoquímica”, afirma o diretor presidente da Bärlocher, Juan Carlos Mélcon. |
Cuca Jorge |
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| Situação precária de fornecedores preocupa
Mélcon |
Algumas matérias-primas, como óxidos metálicos (óxidos de chumbo, cádmio, bário e zinco), registraram incremento de 65% em seu preço. Os preços dos ácidos graxos também subiram, devido ao bom momento da indústria de oleoginosas. Cientes do inevitável repasse do aumento nos custos, os clientes da Bärlocher cuidaram de elevar seus estoques na virada do ano, acredita o gerente de garantia da qualidade e desenvolvimento de produto, Valdemir Fantacussi, buscando driblar os aumentos de preços.
| Cuca Jorge |
O movimento pode ser o responsável pela queda de 25% nas vendas em janeiro de 2003, em comparação a janeiro de 2002. O primeiro mês de 2003, de certo modo, frustrou as boas expectativas que os executivos mantinham para o ano. Ainda sim, Mélcon espera melhora já em fevereiro. |
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| Fantacussi: tendência de uso de blendas |
A realização da nona Brasilplast, porém, não significará aquecimento imediato dos negócios. “Não fechamos negócios na feira, mas muitos contatos e consultas técnicas”, afirma o diretor. Para ele, a importância da feira reside na possibilidade de se encontrar, em uma semana, 100% dos clientes, possibilitando a detecção das necessidades do mercado.
Além dos estabilizantes que produz em sua fábrica de Americana-SP, a Bärlocher é revendedora autorizada de auxiliares de fluxo e modificadores de impacto (polímeros acrílicos de elevado peso molecular) para PVC. Os estabilizantes, usados para permitir o processamento do PVC em altas temperaturas e alterar as condições de fluxo nos equipamentos de transformação, são fabricados à base de chumbo ou cálcio/zinco, no caso de aplicações em PVC rígido (tubos, conexões e perfis), ou à base de bário/cádmio, cálcio/zinco e bário/zinco, em aplicações de PVC flexível (revestimentos de fios e cabos). De acordo com Fantacussi, geralmente são utilizados estearatos, oleatos e octatos dos metais, usados em concentrações entre 2% e 5%. “Hoje em dia usa-se um terço da concentração utilizada antes, em decorrência do desenvolvimento dos aditivos e das máquinas”, explica.
Embora o uso de chumbo suscite discussões em torno de sua toxicidade, a substituição por outros metais ainda não é ampla, e observa-se principalmente em aplicações para fios e cabos, onde há substituição parcial dos derivados do metal pesado por cálcio/zinco. Em tubos e conexões está prevista a substituição total até 2004.
No segundo semestre de 2002, 91% das vendas de estabilizantes da Bärlocher foram de estabilizantes à base de chumbo, e o restante, 9%, de derivados de cálcio/zinco. Há outras opções para a substituição do chumbo, mas essa ainda é a principal. Nos Estados Unidos e na América Central, por exemplo, são utilizados derivados do estanho. Apesar de toda celeuma envolvendo o chumbo, entretanto, produtores argumentam que a quantidade incorporada ao produto final é muito baixa (em torno de 0,04%) e os testes de toxicidade não detectam desprendimento de chumbo dos produtos de PVC.
Apesar desses fatos, Fantacussi explica que surge a tendência, entre os produtores de poliolefinas, da utilização de blendas, ao invés de componentes (normalmente entre seis e oito). “O uso de blendas restringe o problema de administração de diversos componentes, aumenta a produtividade, reduz os erros de pesagem e evita a propagação desses erros. Além disso, diminui a formação de sujeira”, afirmou Fantacussi.
A Bärlocher está atenta ao desenvolvimento desse mercado e tem projeto para a produção de blendas estabilizantes para poliolefinas. Conforme revelou Mélcon, a empresa tem doze meses para iniciar a operação, em caráter de prestação de serviço para um grande produtor de poliolefinas, cujo nome não revela. A empresa também planeja produzir estearatos metálicos, base para os estabilizantes cálcio/zinco. Problemas relacionados a serviços contratados, entretanto, postergaram o início da produção para abril.
O próximo passo da empresa deve ser a substituição de alguma matéria-prima oleoquímica. Mélcon diz que os fornecedores nacionais não são confiáveis – no caso de ácidos graxos, por exemplos, há poucos produtores, e, para piorar, envolvidos em situação econômica frágil.
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