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RESINAS ESPERAM RECUPERAÇÃO LENTA
Crescimento só deve vir no segundo semestre deste ano, com previsão de 6% de alta
Márcio Azevedo
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A principal preocupação do novo governo empossado em primeiro de janeiro tem sido informar os empresários e o mercado, que a sua nova proposta é a da mudança sem ruptura. Ao mesmo tempo consumida em acalmar os ânimos de investidores nacionais e estrangeiros, a mensagem propalada pela equipe de Lula da Silva torna correta a suposição de que os primeiros meses do novo governo, e talvez até o primeiro ano, deverão ser muito parecidos com o final do governo Fernando Henrique Cardoso.
Em outras palavras: o panorama não muito favorável de 2002 deve se estender ao próximo ano, e a desejada recuperação, se confirmada, deve vir apenas no segundo semestre de 2003. Apesar das dificuldades, porém, o Sindicato da Indústria de Resinas Sintéticas no Estado de São Paulo (Siresp), projeta crescimento do consumo aparente de resinas termoplásticas ao redor de 6% em 2003, acima das estimativas preliminares que apontam expansão de 2,64% em 2002.
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Cuca Jorge |
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| José Ricardo Roriz Coelho, presidente do
Sindicato da Indústria de Resinas Sintéticas do Estado de São
Paulo (Siresp) |
A cinco dias da sua posse na presidência do sindicato, o engenheiro José Ricardo Roriz Coelho, diretor comercial da Polibrasil, acredita que em 2003 a demanda não deva ser muito forte, mas no segundo semestre deve iniciar-se a recuperação da economia. O cenário modificaria a tradicional sazonalidade da distribuição do faturamento do segmento (normalmente o primeiro semestre concentra 45% das vendas, e o segundo, 55%), elevando para 60% o percentual do faturamento nos últimos seis meses do ano.
“Começamos a perceber um clima de mudança no País, com melhora da expectativa e criação de uma situação mais otimista, após ficarmos parados praticamente seis meses devido à disputa eleitoral”, disse Roriz, dando ênfase à boa impressão causada pelas primeiras ações do novo governo. “Foram muito positivas; sinalizam a atenção especial que o presidente pretende dar ao setor produtivo nacional. Tudo leva a crer que o governo vai estar mais próximo da indústria. A escolha de ministros ligados ao empresariado também agradou, e é um exemplo disso”, declarou, referindo-se à indicação de Luiz Fernando Furlan, presidente do conselho de administração da Sadia, para o ministério do
Desenvolvimento, Indústria e Comércio. Roriz disse acreditar (e, além disso, esperar) que os executivos da cadeia produtiva de plásticos serão chamados a colaborar com o governo, na forma de ações e procedimentos que incentivem o fortalecimento da indústria, tornando-a mais competitiva e capaz de colaborar para o superávit da balança comercial dos manufaturados plásticos.
O futuro presidente do Siresp definiu dois conjuntos de fatores (internos e externos) que motivam as mudanças de humor e alimentam o otimismo para 2003. No Brasil, as exportações de manufaturados de plásticos devem prosseguir crescendo. Além disso, projetos do novo governo, como o incentivo à construção civil, favoreceriam o consumo de algumas resinas – nesse caso, o PVC –, enquanto o programa de combate à fome estimularia o consumo de embalagens para alimentos.
Uma eventual queda da taxa de juros, no segundo semestre, estimularia a compra de automóveis e eletroeletrônicos. O aquecimento da demanda alavancaria o consumo de polietilenos (embalagens) e polipropileno (automóveis e eletroeletrônicos).
No âmbito dos fatores externos, é grata a notícia de recuperação dos Estados Unidos: o crescimento percebido nos últimos três trimestres faz supor superado o risco de recessão prolongada. Já na Argentina, há indícios de fim da recessão – outra boa notícia, pois o país vizinho continua sendo nosso principal parceiro comercial. “Esse conjunto de fatores internos e externos cria boas expectativas e um ambiente propício à retomada dos investimentos”, observa o engenheiro.
Dois outros eventos ainda devem sacudir o panorama do setor.
Segundo Roriz, o aumento esperado da demanda por resinas termoplásticas abre a perspectiva de elevação dos preços no mercado internacional, já que não há notícias da entrada em operação de novas capacidades. Por outro lado, caso se confirme a ofensiva norte-americana contra o Iraque – analistas dão como certa a ação em fins de janeiro – e o problema institucional na Venezuela se prolongue, a disparada nas cotações do petróleo pressionará os custos de produção de resinas. Combinados, entretanto, os impactos nos preços e custos podem favorecer o aumento das exíguas margens do setor, pois, conforme Roriz acredita, os efeitos deverão ser maiores nos primeiros.
O Siresp, por sua vez, já definiu os principais focos de atuação em 2003. Não são, entretanto, diferentes do que se ouviu em 2002. “O Siresp vai concentrar-se na luta por matérias-primas a preços competitivos internacionalmente, na desoneração da produção e na isonomia tributária dos produtos plásticos, e no incentivo às exportações”, disse Roriz. O sindicato pretende levar adiante o programa de exportações de produtos manufaturados da cadeia plástica, o Export Plastic. Um dos objetivos é expandir em 20% as exportações de manufaturados em 2003. O programa conta com a ajuda de cerca de US$ 3 milhões; metade dos recursos provém de empresas associadas ao Instituto Nacional do Plásticos, e o restante da Agência de Promoção de Exportações (Apex).
O esforço buscará o equilíbrio da balança comercial do setor em até 3 anos, e, ao final de dez anos, pretende gerar superávit que poderia chegar a até US$ 1 bilhão. Entre as primeiras ações do Export Plastic, consta a presença de transformadores brasileiros na IX Exposición Internacional de Plásticos – Argenplast, realizada entre os dias 18 e 23 de novembro, na Argentina. O executivo acredita que, a partir do estabelecimento das metas de exportação do programa, toda a cadeia de produtos plásticos está em condições de debater, em uníssono, melhorias do cenário e das condições do setor.
Em termos de tecnologias, 2003 será marcado por avanços na velocidade de processamento de equipamentos, que quintuplicou nos últimos anos. Roriz destacou as injetoras de ciclo rápido, os filmes co-extrudados de polietileno, as máquinas de sopro e as extrusoras de BOPP. Os novos equipamentos demandam polímeros com propriedades mais adequadas, principalmente a resistência mecânica, e criam nova situação de competitividade na indústria de transformação: aos produtores capazes de arcar com os elevados custos dessas máquinas, abre-se a possibilidade de aumento da produtividade.
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