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RHODIA INVESTE NO
PROCESSO DE DIPAGEM

O conjunto industrial da Rhodia, em Santo André (SP), acaba de se tornar a primeira unidade da empresa no mundo a fazer o processo completo de dipping ou dipagem. Por meio deste, o tecido estrutural do pneu é impregnado com uma solução adesiva e tratado termicamente, promovendo a sua adesão à borracha e conferindo ao mesmo as características mecânicas finais indispensáveis na fabricação de pneus e artigos emborrachados. Com a nova fábrica, inaugurada em outubro, a Rhodia passou a deter todas as etapas de fabricação do tecido em cru até a resinagem, reunindo numa mesma unidade polimerização, fiação, tecelagem e dipagem. Divulgação
Para Weffort, a nova fábrica agrega valor à cadeia produtiva

De acordo com o vice-presidente de Technical Fibers América do Sul da Rhodia Francisco Weffort, o objetivo do empreendimento, que demandou investimentos de US$ 15 milhões, é agregar valor à cadeia. “Passamos a desenvolver um novo tipo de relacionamento com os clientes. Nós asseguramos o total controle da qualidade do produto”, comentou Weffort. A idéia é ir ao encontro da tendência mundial de migração desse processo da indústria de pneus para os fornecedores de matérias-primas.

Além de processar os próprios tecidos de poliamida, a unidade se incumbe do tratamento dos tecidos de poliéster para a Companhia Bahiana de Fibras (Cobafi), membro do grupo holandês Accordis, fornecedor mundial de fibras sintéticas e materiais especiais para aplicações industriais, têxteis, médica e de higiene. Projetada para processar tecidos cord a 1, 2 e 3 cabos com títulos de 940 a 2100 dtex para poliamida e de 1100 a 2200 dtex para poliéster, a unidade opera com sistemas de tratamento Dip-Stretch e Stretch-Dip; duas estações de imersão de solução, permitindo banho simples ou duplo; estufas equipadas com sistema de resfriamento rápido; tensão ou alongamento constante e controle de flexibilidade do tecido. Entre os benefícios da fábrica destaca-se a otimização do processo, pois a Rhodia poderá reduzir em cerca de um mês o seu ciclo produtivo.

A produção da unidade visa atender desde o mercado de correias transportadoras ao de pneus de grande porte para caminhões, ônibus, tratores e off-road e pneus mais leves, como os de passeio, camioneta, moto e bicicleta. Com capacidade para fabricar 13 mil toneladas de tecidos dipados para pneus e emborrachados, a unidade terá 20% da produção voltada para a América do Sul e o restante para o mercado interno. A escolha de Santo André está ligada à idéia de encurtar a distância entre a Rhodia e os principais clientes. Considerado sede da indústria de pneus, o município também será base exportadora da empresa. “No Estado de São Paulo está a maior concentração de fabricantes de pneus, o que permitirá ganhos de logística, com melhor atendimento aos clientes e redução nos custos de frete”, afirmou Weffort.

Divulgação A empresa responde por 50% do abastecimento do mercado brasileiro de tecidos em cru. A Rhodia Technical Fibers América do Sul registrou comercialização de 13.000 t em 2001, o equivalente a 50 milhões de euros. Desse total, 68% foram consumidos pelo mercado de pneus, 15% pelo segmento de cordas e redes e 5% pela indústria de calçados. 

O projeto para implantação da unidade começou em outubro de 2000, quando foi formalizada a parceria para transferência de tecnologia com o grupo holandês Accordis. Em seguida, a Rhodia precisou fazer ajustes em etapas anteriores do processo. 

Tecidos dipados devem atender os setores de pneus e emborrachados

Em março de 2001 implantou o projeto Filaplus para aumentar em 10% a capacidade da fiação, garantindo maior qualidade e uniformidade aos fios. Essa iniciativa, segundo executivos da empresa, foi importante para otimizar a produção de tela-pneu, aumentando-a em 20%.

A fábrica começou a produzir os primeiros tecidos resinados no começo deste ano, iniciando a fase de testes e homologação do produto junto aos clientes. A produção engloba cerca de 30 produtos diferentes, variando de acordo com as características físicas e dimensionais do tecido em cru. A linha completa deverá ter cerca de 60 produtos. 
Renata Pachione




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