Uso otimiza set-up – Aplicáveis aos plásticos para reduzir a densidade, promover reduções no peso para igual volume, modificar a textura e o acabamento final das peças, e também as propriedades mecânicas, térmicas e acústicas, os expansores disponíveis no mercado brasileiro obedecem a duas classificações: exotérmicos, quando tem como agente ativo a ADC, e endotérmicos, ao carregar citratos e ácido cítrico como princípios ativos.

Cuca Jorge Para Sandra Piva Larangeira, chefe da consultoria técnica da Cromex Brancolor, outra grande vantagem no uso de expansores é poder utilizá-los na forma de masterbatches, conseguindo-se, dessa forma, otimizar o set-up e ter melhor controle na dosagem do agente ativo, uma vez que este se encontra encapsulado em veículo, garantindo expansões uniformes.
Sandra: expansor em master facilita o uso

“Com a utilização do expansor na forma de masterbatch, o usuário passa a efetuar misturas simples dentro do complexo fabril, tendo facilitado o manuseio operacional e eliminado as contaminações e perdas de agente ativo que ocorrem durante o manuseio e o processamento, elevando a qualidade e a uniformidade do material”, afirmou Sandra. A linha de produção poderá ainda ser mais otimizada, segundo ela, com o emprego de dosadores volumétricos ou gravimétricos, eliminando-se o processo de pré-mistura e efetuando-se dosagens precisas durante o processo de fabricação.

Segundo observou Sandra, as aplicações mais difundidas no mercado brasileiro estão relacionadas ao PE, EVA, PS, PP e PVC. Entre os exemplos lembrados, ela citou placas expandidas em EVA, utilizadas na produção de solados para o setor calçadista; bandejas, embalagens para ovos confeccionadas em PS expandido; caixas injetadas para baterias em PP e filmes em PEBD e PEBDL expandidos, empregados para embalar e proteger produtos eletro-eletrônicos. Ainda foram lembradas as placas anti-ruídos em PVC expandido, cujo emprego vem aumentando nas aplicações da construção civil.

Expansão em calçados – A busca da leveza, qualidade e maciez nos acabamentos intensifica há alguns anos o emprego de laminados expandidos de PVC em calçados esportivos, principal área de negócios da CST Pro Sports, antiga Matarazzo, de Campinas–SP, fornecedora de grandes marcas atuantes no mercado nacional, que ostentam laminados coloridos em apliques diferenciais dos produtos, cabedais, componentes da própria estrutura dos calçados, biqueiras, calcanhares e solados. 

Para poder atender às exigências do setor calçadista, esses laminados, produzidos por espalmagem, apresentam espessuras bem finas de 1,6 mm, na maior parte dos casos, e devem cumprir vários requisitos de desempenho associados às aplicações. 

Na opinião do seu gerente de desenvolvimento Luiz Fernando Boiago, seja qual for o segmento de mercado a atender, o controle de qualidade deve ser assegurado antes de se adicionar o agente expansor ao composto.

Adquiridos, no caso da CST, em pó, esses expansores, que têm por principal base química a ADC, são normalmente levados aos moinhos tricilíndricos, com o propósito de oferecer maior refinamento às partículas.

“Se não prepararmos corretamente o agente expansor, as células não ficam uniformes, podendo causar a ruptura do laminado durante os sucessivos movimentos de flexão do calçado”, informou Boiago. Sob esse aspecto, todas as exigências, que objetivam assegurar a qualidade dos componentes acabados, são bem rígidas, a ponto de um laminado expandido em PVC precisar resistir intacto a 160 flexões, no mínimo, e ter de passar por vários outros testes onde terá comprovada a sua resistência à abrasão, às intempéries e às constantes lavagens.

Na opinião de Boiago, com experiência de mais de trinta anos no setor, os resultados apresentados pelos expansores à base de ADC são excelentes. Mas, para afastar qualquer tipo de variável na produção, ele próprio prefere programar e balancear as misturas com kickers compatíveis com as formulações, levando em conta o porte e a capacidade dos equipamentos a ser empregados na produção, como espalmadeiras e estufas. “Com o passar do tempo, fomos modificando as formulações e descobrindo novas características físicas e químicas associadas aos produtos”, afirmou. 

Grande usuária de agentes expansores, a Cipatex, de Cerquilho–SP, líder na produção de PVC espalmado, também emprega essa categoria de produtos na fabricação de laminados em PVC e nos ranges de espessura de 0,5 mm até 4,5 mm

Empregados em calçados, bolsas, acessórios, vestuário, móveis e decorações, e também componentes para o setor automobilístico, os materiais expandidos são processados com ADC e, segundo os cálculos de Fernando Brandão, químico responsável por todos os desenvolvimentos feitos em laboratório, os agentes expansores empregados diminuem a gramatura dos materiais em 50%, chegando até a 70%, atuando como importante matéria-prima para viabilizar custos.

Expandindo a economia – Grande no volume, leve no peso e economia no consumo da matéria-prima são benefícios colhidos no dia-a-dia pelas indústrias que utilizam expansores na produção de laminados de PVC, como a York, de Salto–SP, grande fornecedora dos mercados moveleiro e automobilístico, onde o emprego de laminados expandidos torna-se cada vez mais difundido em laterais de porta, coifas de câmbio, traseira de bancos, encostos de cabeça, entre outras aplicações, satisfazendo todas as especificações das montadoras em matéria de resistência mecânica, ao rasgo, à tração, à deformação, e à presença de agentes químicos e luz solar.

Ao se produzir laminados com o emprego de expansores consegue-se trabalhar com pesos bem mais baixos, reduz-se a quantidade de matérias-primas e fabrica-se material resistente com visual atrativo e agradável ao toque, segundo ponderou o engenheiro Marcos A.T. Mendonça, gerente de desenvolvimento da York.

De modo geral, devem estar previstas as variáveis relacionadas com a densidade dos materiais, mas é possível reduzir o peso de 1m² de laminado com 1 mm de espessura, de 1.200 gramas para 600 gramas, pela adição do expansor, obtendo-se significativa economia de matéria-prima.

Cuca Jorge
Mendonça: laminados ficam mais leves e com toque agradável

O tipo de expansor utilizado, no caso da York, é também à base de ADC. “A indústria de laminados trabalha basicamente com azodicarbonamida porque requer temperaturas de decomposição acima de 190°C, enquanto outros materiais, como o EVA, podem contar com agentes que se decompõem em faixas não tão elevadas, entre 120°C e 140°C”, exemplificou.

Cuca Jorge

Expansores dão versatilidade às camurças

Outro aspecto positivo para quem faz uso dos expansores é a versatilidade oferecida por esses compostos químicos quanto às diferentes espessuras e quantidades de camadas. Laminados conhecidos como “camurças sintéticas” chegam a apresentar espessuras entre 0,8 mm e 1,0 mm, enquanto estruturas laminadas utilizadas na fabricação de poltronas podem ter uma, duas, três, até quatro camadas internas, que vão desde 0,25 mm até 4 mm, visando oferecer maior conforto.

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