EXPORTAÇÕES SUSTENTAM A DEMANDA DO SETOR EM ALTA


Alimentos e mercado externo amparam as previsões de expansão para as embalagens

Simone Ferro

Com receita líquida de vendas estimada em R$ 20 bilhões e crescimento da produção física em torno de 1,5%, a indústria brasileira de embalagens chega ao final de 2002 com boas perspectivas para os próximos doze meses. A análise corresponde ao valor global da produção dos segmentos plástico, celulósico, metálico e de vidro. Os números, divulgados pela Associação Brasileira de Embalagem (Abre), antecipam o balanço do setor, em fase de conclusão, e superam as previsões iniciais de R$ 16 bilhões. A Associação Brasileira da Indústria de Embalagens Plásticas Flexíveis (Abief) também apontou a retomada do crescimento com base no estudo Brasil Pack, da Datamark. As informações, segundo os especialistas, permitem vislumbrar bons resultados em 2003. Cuca Jorge
Fabio Mestriner, presidente da Associação Brasileira de Embalagem (Abre)

Para o presidente da Abre Fábio Mestriner a estabilidade econômica, o aumento do consumo nacional de alimentos, e a alta das exportações de produtos acabados, além de contribuir para o bom desempenho, sustentam as previsões de crescimento também para este ano. Para o coordenador de análises econômicas do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (IBRE-FGV) Salomão Quadros, responsável pela coleta e análise dos dados divulgados pela Abre, o setor pode ser considerado um dos mais estáveis, capaz de sustentar taxa de crescimento positiva. “No acumulado de janeiro a julho, já registrava aumento da produção física de 1,11%, enquanto a indústria de transformação como um todo apresentava queda de 0,88% no mesmo período”, conclui.

O segmento de plásticos viveu altos e baixos. De janeiro a julho, a produção física cresceu 0,14%. A evolução foi sustentada pelas embalagens rígidas (11,11%) e demais materiais plásticos (1,33%). A produção de flexíveis caiu 5,38% e de sacos e sacolas 6,38%. No entanto, a preocupação do novo governo em aumentar o consumo de alimentos e o recorde de faturamento da agroindústria reforçam as estimativas da Abre. “Alimentos e bebidas correspondem a 60% dos negócios do setor”, afirma Mestriner.

Os segmentos de plásticos rígidos e flexíveis representam o principal mercado das embalagens, cerca de 37% da produção nacional, contra 33% das celulósicas, 21% das metálicas e 6% do vidro, entre outras. A pesquisa da IBRE-FGV destacou ainda o bom desempenho da indústria farmacêutica, com aumento da produção física em mais de 9% entre janeiro e julho.

Com a demanda por embalagens 3,31% superior, a indústria de alimentos também oscilou no ano passado. Enquanto o segmento de aves cresceu 10,99% e ração animal 9,94%, o de bebidas caiu 3,56% e o de leite e laticínios, 4,08%. Pesquisa de opinião, realizada pelo IBRE-FGV com 46 empresas de embalagem que empregam 20.188 pessoas e têm vendas de R$ 2,5 bilhões, detectou outros pontos positivos, a redução do nível de estoque no mês de outubro. Apenas 3% dos entrevistados consideram seus estoques excessivos.

Aliado à redução dos estoques, o aquecimento da demanda também endossa as previsões da Abre para 2003. A demanda de outubro foi considerada forte para 26% dos entrevistados, e fraca para 16%. Já em outubro de 2001, eram 8% contra os mesmos 16%, respectivamente. Os dados de julho do ano passado também apontam recuperação: 3% disseram que a demanda estava forte e 23% a consideraram fraca.

O otimismo do setor esbarra, no entanto, na questão dos preços dos insumos e de seus produtos finais. A pesquisa apontou que, entre janeiro e agosto, a média de aumento de preços do setor foi de cerca de 7,1%. O segmento de papel e papelão liderou com 8,7%, enquanto os plásticos, na média, subiram 7%. A comparação com outros mercados mostra, no entanto, que os preços das embalagens subiram menos que o dos bens de consumo duráveis e dos produtos alimentícios.

Exportação – Dentre os fatores que contribuíram para o bom desempenho de alguns segmentos, Mestriner cita as exportações, principalmente de alimentos e em especial para o segmento dos plásticos. Para este ano, a Abre aposta na tendência de elevação das exportações de embalagens vazias, que já representaram 7% do total da produção nacional em 2002. “Em 2003, a exportação de embalagens vazias ficará em torno de 10% do total produzido”, estima Mestriner. Dentre os principais compradores cita os segmentos de cosméticos, higiene e limpeza e alimentos. “Os fabricantes nacionais estão muito competitivos”, avalia.

O aumento das vendas externas representa assim uma das principais frentes de trabalho da Abre nos próximos doze meses. Para auxiliar os associados nessa tarefa e inserir o setor na pauta de exportações do País, a entidade colocou em operação em dezembro último o Comitê de Exportações. “A Abre participou das feiras de Chicago e Paris, sendo consultada por diversas indústrias internacionais interessadas em comprar embalagens brasileiras”, conta Mestriner.

Fato registrado também por associados da entidade. Detectado o mercado em potencial, o comitê pretende facilitar o acesso das empresas nacionais ao mercado externo. “Tem como objetivo alavancar as exportações de embalagens e de produtos embalados, bem como obter dados e informações para orientar as ações dos associados interessados em ingressar no mercado externo.”

Ainda em fase inicial de operação, o comitê prevê a realização de ações conjuntas com o programa nacional de exportações, encabeçado pela Associação Brasileira da Indústria de Plástico (Abiplast), em andamento no Fórum de Competitividade da Cadeia Produtiva do Plástico. A Abre prevê outras ações para ampliar sua atuação nos mercados nacional e internacional. Além da inauguração de sedes regionais, investiu no desenvolvimento do Comitê de Estudos Estratégicos com o objetivo de discutir as principais tendências que afetam os mercados de embalagens. Em breve, o comitê, lançado em outubro, pretende apresentar os resultados da pesquisa encomendada a Research International, patrocinada pela Fispack/Fispal, sobre a visão e as novas atitudes do consumidor final.

Fundada em 1967, a Abre atua internacionalmente participando com estande próprio em feiras no Exterior, além de ser filiada às principais associações internacionais do setor com a União Latino-Americana de Embalagem (Ulade) e a Organização Mundial de Embalagem (WPO). Atua ainda em um grupo de trabalho do International Trade Centre.

Flexíveis – Considerado um dos setores que mais cresce no mercado das embalagens, os plásticos flexíveis apresentaram queda de faturamento em 2001, US$ 2,4 bilhões contra US$ 2,9 bilhões no período anterior. O estudo da Datamark levou em consideração 18 tipos de insumos empregados pela indústria de embalagens, incluindo sete tipos de resinas plásticas: polietileno de baixa densidade (PEBD), polietileno de alta densidade (PEAD), poliestireno (PS), policloreto de vinila (PVC), polipropileno (PP), polietileno tereftalato (PET) e policarbonato (PC).

A análise por tipo de matéria-prima mostra alta de 2,1% no volume de PEBD. Já o PEAD, que nos últimos seis anos cresceu 66,7% recuou 4%. A análise, no entanto, prevê recuperação da demanda de praticamente todos os materiais já em 2002, com exceção do PET e do PC.

               REGIONAIS DA ABRE                

Em 2003, a Associação Brasileira de Embalagem (Abre) pretende colocar em operação novas três filiais. O projeto de criação de sedes regionais começou em novembro do ano passado com a inauguração da Regional Nordeste, em Recife-PE. Já no primeiro trimestre do ano, será instalada a Regional Sul, em Porto-Alegre-RS. A próxima capital a receber a entidade será o Rio de Janeiro, seguida de Goiânia-GO, ainda sem data definida.

De acordo com o presidente da Abre, Fábio Metriner a inauguração das filiais visa intensificar a atuação da entidade em todo o território nacional. “O projeto tem como objetivo a disseminação dos conhecimentos sobre o mercado de embalagens e suas tecnologias, além de estreitar o relacionamento com as indústrias de cada região”, afirma. O evento de inauguração da Regional Nordeste, realizado no Hotel Atlante Plaza, reuniu aproximadamente 150 empresários do norte e nordeste. Responsável por cerca de 18% do consumo nacional, a região foi escolhida para sediar a primeira filial da Abre devido o interesse das empresas locais. “Houve grande empenho e colaboração de nossos associados”, avalia.



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