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ESTRANGEIROS REFORÇARAM O CONGRESSO |
A quarta edição do Congresso Internacional de Compósito na Construção Civil (Arquimacom), realizada em paralelo à Feiplar-Asplar Composites 2002, de 19 a 21 de novembro no ITM Expo, São Paulo, contou, pela primeira vez no País, com a participação de acadêmicos e especialistas de diversos países, como França, Espanha, Suíça e Estados Unidos, além do Brasil, na apresentação de trabalhos e inovações tecnológicas do compósito para construção civil e arquitetura.
Na ocasião, os palestrantes falaram sobre as aplicações do Glass Reinforced Cement - GRC (cimento reforçado com fibras de vidro), com direito a exemplos do brasileiro Ernani Seddon e do espanhol Manuel Olivares Santiago, que mostrou estádios de futebol em Sevilha (ES) onde o GRC foi aplicado.
Outro tema de destaque foi a pultrusão, com a apresentação de vários modelos de produtos, reforçando o avanço desse processo em âmbito mundial. Palestrantes brasileiros e internacionais demonstraram o uso da pultrusão em perfis, de forma geral, além de cruzetas, postes para distribuição de energia elétrica, leitos para cabos, grades para piso e estruturas, como cobertura para posto de gasolina, entre outros.
O congresso abordou ainda assuntos mais específicos, como a substituição de amianto por fibras sintéticas e celulósicas para produção de fibrocimento, e o uso de retardante de chama à base de hidróxido de alumínio em PRFV.
Reforço natural – Simultaneamente ao Arquimacom, a feira realizou o Congresso Técnico, que destacou, entre outros assuntos, o uso de nova fibra inorgânica natural como reforço para plástico. O professor adjunto da Universidade de Minas Gerais Rodrigo Lambert Oréfice, representante da empresa Magnesita, na ocasião, tratou do tema.
Longe de ser uma ameaça à fibra de vidro, como reforço do plástico, as fibras inorgânicas naturais já vêm sendo incorporadas pela indústria, sobretudo, a automobilística. A Fiat, por exemplo, já testa essa microfibra na sua linha de produção. O interesse tem um motivo. De acordo com os estudos apresentados por Oréfice, as fibras de sílica amorfa, introduzidas em uma matriz à base de poliuretano, produzem compósitos mais leves, além de serem potencialmente mais estáveis em condições úmidas do que as fibras de vidro comerciais. O reforço apresentou densidades volumétricas de 1,8 g/cm3, enquanto as densidades das fibras de vidro comerciais giram em torno de 2,65 g/cm3. Para o professor, esse tipo de fibra conta com outras vantagens: apresenta valores de microdureza comparáveis aos das fibras de vidro comerciais e são passíveis de alteração através de tratamento térmico.
Obtidas através da extração em minas nacionais e beneficiamento mineral, as fibras de sílica amorfa contam com 99% de SiO2. Em função desta característica, seu uso independe de importação. “Além da maior estabilidade ambiental, a matéria-prima é nacional, o que reduz o seu custo significativamente”, disse Oréfice. Ele apontou como uma das desvantagens da fibra de vidro a dependência ao mercado externo.
Os trabalhos tiveram início no âmbito acadêmico, há dois anos, na Universidade Federal de Minas Gerais, com os alunos Rodrigo Lambert Oréfice, Alamar Kasan Duarte, Walter Toledo Schneider, Clémenceau Chiabi Saliba Junior e Manoel Robério Ferreira Fernandes. Diante da possibilidade de ganhos econômicos apresentados pela pesquisa, a empresa mineira Magnesita passou a desenvolver o projeto.
Prêmio - No primeiro dia da feira, 19, ocorreu a 2ª edição do Prêmio Excelência em Compósito/Plástico Reforçado. Na ocasião, foram homenageados os principais destaques do setor, entre personalidades, desenvolvimentos e aplicações. Confira os vencedores: Construção Civil – Sistema para aproveitamento da água do banho e lavatório, da Coppi Design; Transportes – Embarcação para coleta de lixo flutuante, da Sky Fiberglass; Aplicações Industriais – Sistema de neutralização de fuga de cloro, da Fibratore; Esporte e Lazer – Embarcação com propulsão por hidrojato, da Colunna; Artes Plásticas – Frisa/Guirlanda, da Vieira Fiberglass; Matérias-Primas e Equipamentos – Produção de caixas d’água pelo processo de centrifugação, da Saint-Gobain Vetrotex. Também foram agraciados como desaques de melhor processo, a Colunna;
de melhor Fornecedor-Fabricante, a Reichhold do Brasil; de melhor Fornecedor-Distribuidor, a VI Fiberglass; e de produto top, o sistema para aproveitamento da água do banho e lavatório, da Coppi Design. Arnaldo Gatto, gerente de qualidade da Edra do Brasil, foi eleito a personalidade do ano. |
PET É OPÇÃO AO ANIDRIDO FTÁLICO
Resultado da reciclagem das garrafas de PET, o ácido tereftálico já conquistou seu espaço na indústria do compósito como opção ao anidrido ftálico. As resinas PET (polietileno tereftalato) representam cerca de 50% do volume total produzido pelos fabricantes de poliéster insaturado.
Livres do estigma de produtos de segunda classe, essas resinas têm evoluído sua participação no mercado, sendo responsável pela manutenção da competitividade de muitos produtos na construção civil e outros, conforme destacou o consultor da Embrapol Luiz Alberto Marno Azevedo Vianna. “As resinas PET têm tomado um volume razoável no mercado, sobretudo, em função da versatilidade em relação à resina ortoftálica”, completou a gerente técnica da Cersa Lourdes Cândida Nunes.
Atuante no mercado de resina PET desde 1994, a Cersa foi uma das primeiras empresas a apostar nesse nicho. O interesse surgiu em função da necessidade econômica. Na época, o preço do anidrido ftálico estava muito alto, devido às oscilações do dólar, e os fabricantes de poliéster insaturado buscaram novas matérias-primas, para baratear o custo. As atenções, então, se voltaram para o PET reciclado. Para se ter uma idéia da economia, a resina ortoftálica é cerca de 20% mais cara do que a PET.
Entre as vantagens oferecidas por essa resina, além do preço, está sua resistência à hidrólise. De acordo com os fabricantes, essa propriedade é muito superior na resina PET, em comparação com a ortoftálica. “O PET agrega valor a determinadas aplicações, como o mercado de caixas d’água, piscinas e embarcações, sobretudo por causa da resistência à absorção de água”, salientou o gerente comercial da Ara Ashland Ricardo Lima. Ele apontou outras características da resina, como menor contração na polimerização, melhor temperatura de distorção térmica e maior resistência mecânica.
As resinas PET podem ser utilizadas em qualquer aplicação, tais como: abrigos, aerofólios, artigos esportivos, barcos, tanques, pias, banheiras e caixas d’água, entre outras. Também são indicadas para processos diversos, como: laminação manual, spray up, enrolamento filamentar, pultrusão, prensagem a frio e prensagem a quente.
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Apesar desses benefícios, segundo avaliação do diretor comercial e de marketing da Cray Valley Luiz Orro, a participação da resina PET no mercado está estagnada, devido à falta de regularidade no fornecimento do material reciclado, e também da qualidade ainda duvidosa de alguns insumos. |
Cuca Jorge |
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| Orro: falta regularidade no fornecimento de
resina |
De fato, no início da comercialização da resina PET no Brasil, os fabricantes sofriam muito com a precariedade do material reciclado. Porém hoje o cenário está diferente. A coleta seletiva ainda é falha, mas dá sinais de evolução; há diversos grades de PET reciclado, ampliando as alternativas da indústria, pelo menos é nisso em que apostam os fabricantes. Na opinião de Vianna, esse mercado continuará a aumentar nos próximos dois anos, mas depende dos investimentos das recicladoras em processos de coleta seletiva, lavagem e moagem do PET.
Outro inconveniente dessa resina é o tempo gasto na sua produção, que requer uma fase adicional, na qual o fabricante provoca a abertura de suas ligações químicas, a partir da qual é extraído o tereftalato. “A operação despende 50% mais tempo do que as resinas ortoftálicas”, comentou Vianna. Também na opinião de Orro, que calcula em 30% o tempo gasto a mais na fabricação dessa resina em relação a uma ortoftálica, o problema influi cada vez mais no interesse geral de fabricação do produto. “Essa resina tem sofrido uma desvalorização comercial acentuada”, comentou Orro.
Confiança na resina - No ano seguinte à entrada da Cersa, foi a vez da Embrapol apostar na resina PET. A experiência foi tão positiva que hoje 60% das resinas produzidas e comercializadas pela empresa são à base de PET reciclado e 20% à base de PET virgem. O restante (20%) se divide em partes iguais entre as resinas ortoftálicas e as especiais. A Cray Valley, por sua vez, passou a investir nesse nicho em 1997. A filial brasileira é a única empresa do Grupo Cray Valley mundial, presente em todos os continentes, a produzir resina a partir do PET. “Temos despertado o interesse em outros sites de nosso grupo”, orgulhou-se Orro. A resina responde por 35% da produção da empresa.
Caçula nesse mercado, a Ara Ashland iniciou a produção de PET em janeiro deste ano. A demora, justificou Lima, se deu em função da qualidade precária do reciclado. A preocupação é tamanha que a empresa utiliza o PET cristal, conhecido por conferir ao produto final excelente transparência. “Iniciamos o projeto em 1999, mas não tínhamos fornecedores de qualidade”, afirmou Lima.
O carro-chefe da divisão de commodities da Ara Ashland é a linha Arazyn, composta por vários produtos, entre eles as resinas base PET 4.5 (destinada à laminação), 3.5 (mármore sintético) e 5.5 (massa plástica). O insumo, no entanto, só pôde a ser fabricado no Brasil graças à transferência de tecnologia da sede da empresa nos Estados Unidos. O primeiro lote da resina representava 10% do total produzido. Em menos de uma ano, o volume saltou para 47%.
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