|
FEIPLAR

FEIRA CRESCE, FAZ SUCESSO, E REVIGORA O SETOR DE PRFV
Com a área dobrada, mais expositores e público 15% maior, a Feiplar
mostrou que os compósitos reconquistaram seu espaço no mercado de plástico
Renata Pachione
A combinação de criatividade e tecnologia deu o tom à Feiplar-Asplar Composites 2002. Realizada de 19 a 21 de novembro, no ITM Expo (SP) a feira, promovida pela Associação Brasileira de Materiais Plásticos Compostos (Asplar), sinalizou o efetivo aquecimento deste mercado. De acordo com a Administrador de Eventos, responsável pela organização da feira, 6.500 profissionais do setor latino-americano de plástico reforçado e consumidores técnicos visitaram os cerca de 100 expositores presentes no evento. Em relação à exposição anterior, realizada em 2000, houve aumento de 15% de público. A área da feira também cresceu de 4 mil m² para 8 mil m², além de contar com 20 expositores a mais.
| Cuca Jorge |
O avanço, no entanto, não foi apenas estrutural. A feira mostrou que o compósito brasileiro tornou-se uma alternativa crível e lucrativa frente ao material convencional. “O evento foi um sucesso, o expositor trouxe o seu melhor”, comemorou o presidente da Asplar José Alaor Alves. Tratou-se de um espetáculo de inovação tanto em aplicações quanto em processos e insumos. Logo na entrada, os visitantes se deparavam com a Casa do Compósito/Plástico Reforçado. |
 |
| Setor aposta no mármore sintético |
Projeto das arquitetas Paula Miranda e Berenice Oliveira, a pequena residência continha alguns cômodos, como sala, cozinha, banheiro, áreas de serviço e de lazer, confeccionados e decorados com produtos fabricados em plástico reforçado e mármore sintético.
| O modelo de um veículo, com carroceria em PRFV, exposto no estande da Saint-Gobain Vetrotex, também denunciava a preocupação dos profissionais do setor em fazer do evento um marco na história dos compósitos. |
Cuca Jorge |
 |
| Casa inclui vários produtos à base de
compósitos |
Especialidades - Nos últimos dois anos, a Ara Ashland, de Barueri-SP, lançou diversas resinas. A produção é frenética. Na ânsia de se sobressair nesse mercado competitivo, a empresa busca constante inovação, tanto em linhas convencionais de resinas como especiais.
| Por isso, fica difícil destacar uma ou outra, pois cada uma é específica para uma aplicação distinta. No entanto, a linha Arotran merece atenção especial. Indicada para aplicações que requerem contração controlada e excelente acabamento superficial, a resina mostra-se ideal para o uso em aplicações no processo RTM (Resin Transfer Molding), “Você tira a peça do molde e praticamente já pode pintá-la, pois não há deformação”, comentou o gerente comercial de especialidades Sidney Morgado. A Arotran também apresenta como característica a baixa viscosidade. |
Cuca Jorge |
 |
| Morgado destacou resina ideal para o processo
RTM |
Apostando no potencial do compósito na construção civil, a Ara Ashland também expôs a linha Modar. Resina acrílica insaturada modificada com poliuretano, a Modar 814 pode ser utilizada tanto em processos abertos, como a laminação manual, como em RTM, sendo recomendada para materiais que necessitam de retardância à chama, baixa toxidade e baixa emissão de fumaça. Já a Modar 826 HT é voltada para produtos pultrudados. De acordo com Morgado, apresenta como características básicas, excelente produtividade e alta qualidade de acabamento superficial.
As resinas epóxi éster-vinílica Epovia foram destaque no estande da Cray Valley, de Taboão da Serra-SP. Desenvolvido para ambientes nos quais há exigência de resistência a álcalis, ácidos diluídos e outras substâncias agressivas, o insumo é indicado para processos como pultrusão e laminação manual, além de enrolamento filamentar, entre outros.
Com a tecnologia norte-americana Cook Composites, o gelcoat Polygel também figurou entre as novidades da Cray Valley. Lançamento divulgado desde o início do ano, o produto está em fase final de implantação, com previsão para chegar ao mercado brasileiro já no primeiro semestre de 2003.
Na opinião do diretor comercial e de marketing Luiz Orro, o gelcoat vai ao encontro das necessidades da indústria nacional, carente de um produto com tal durabilidade e brilho. “Não há tecnologia similar no Brasil, a Cook oferece o melhor acabamento de superfície”, comentou.
| Cuca Jorge |
Uma das novidades da Cersa, de Osasco-SP, foi o desenvolvimento de uma linha de resinas para processos de centrifugação de caixas d’água. Para a gerente técnica Lourdes Cândida Nunes, o processo é inovador e vai se tornar cada vez mais utilizado, sobretudo porque o índice de refugo é próximo a zero. Daí a necessidade de investir em resinas específicas para a centrifugação. “Temos uma atuação junto ao transformador”, completou. A Saint-Gobain Vetrotex é a proprietária do processo (ver PM 315). |
 |
| Para Lourdes, centrifugação deve se tornar
mais popular |
Com capacidade instalada de 1.800 t/mês, a Cersa também apresentou a tinta de demarcação viária DemarkaFix. Trata-se de produto formulado à base de resina acrílica em combinação com dióxido de titânio, cargas minerais e pigmentos para demarcação viária horizontal. Outros destaques no estande ficaram por conta dos gelcoats e da linha de massa plástica Massa Fix.
Também voltada para nichos específicos, a Degussa (SP) deu destaque para a sílica pirogênica hidrófoba e hidrófila Aerosil. Essa linha é usada como agente espessante, tixotrópico e antisedimente, na fabricação de resina de poliéster insaturado e de gelcoat. A empresa também mostrou linhas de resinas metacrílicas especiais, como aditivo redutor de retração em sistemas SMC (Sheet Molding Compound) e BMC (Bulk Molding Compound). Há 129 anos atuando no mercado mundial e há 49 no Brasil, a Degussa registrou faturamento global de 12,9 milhões de euros em 2001. “Nos últimos anos temos desenvolvido produtos especiais para nichos específicos do setor”, comentou o gerente de negócios para áreas de tintas e resinas, Ralf Ahlemeyer.
Há 108 anos no mercado brasileiro a Elekeiroz, de Várzea Paulista–SP, é, por enquanto, a única empresa a contar com o Certificado de Conformidade Abrapoli, instituído pela própria Associação Brasileira dos Produtos de Resina Poliéster Insaturado e Afins. O certificado reafirma o compromisso da empresa em quesitos como responsabilidade fiscal e conservação do meio ambiente, além, é claro, da qualidade do produto. Durante a feira, a Elekeiroz enfatizou sua linha tradicional de resinas poliéster, destinadas sobretudo aos mercados de transporte (ônibus e caminhões), piscinas, botões e construção civil.
Líder no mercado de resinas poliéster insaturado, a Reichhold, de Mogi das Cruzes-SP, participou da feira em grande estilo, trazendo para o público novidades em conceitos e insumos. O destaque ficou por conta das linhas Dion e Atlac, destinadas a ambientes agressivos. As resinas Dion, por exemplo, atendem as mais diversas aplicações, como tanques de armazenagem, tubulações para indústria química, dutos e lavadores de gases, tambores para lavar celulose, tubos de fluxo ascendente, entre outras.
A empresa também lançou a resina Hydrex, ideal para aplicações náuticas. O insumo apresenta como principais características o baixo encolhimento, resistência à osmose e alto Tg (retenção de módulo em função da temperatura), sendo que a primeira destas propriedades é responsável pela minimização da celulite no gelcoat, da marcação das fibras e de nervuras e empenamento. De acordo com o fabricante, o grande benefício do Hydrex fica por conta das melhorias no acabamento superficial no curto e no longo prazo.
Diante de promessa de maior uso da moldagem fechada, a empresa também destacou o RTM no transporte. A equipe da Reichhold credita essa tendência às vantagens do processo, como o acabamento dupla face, melhor tolerância dimensional e redução de emissão de estireno, entre outras. Para dar suporte a esse crescimento, apresentou suas linhas Resapol e Polylite. As resinas Resapol apresentam ciclo rápido e baixa viscosidade, entre outras características, enquanto a Polylite 31509, versão isoftálica para RTM, oferece resistência à corrosão e melhor estabilidade estrutural. Outra opção é a Polylite 31520, desenvolvida para conferir acabamento de superfície classe A, excelente admissão de carga e melhor estabilidade dimensional, entre outros benefícios.
|
A Reichhold também apresentou as resinas Polylite 32166 e 32169-10, para fazer produtos de superfície sólida sem gelcoat. De acordo com descrição do fabricante, são resinas rígidas, com reatividade média, baixa viscosidade e boa resistência a manchas. A linha é indicada para o conceito Solid Surface (superfície sólida), divulgado pelo gerente de marketing Márcio Bozzo em palestra no Arquimacom 2002. Por Solid Surface entende-se uma área livre de bolhas, aparência homogênea e de granito, cuja composição é de 35% a 50% de resina; 50% a 65% de carga, e catalisador em cerca de 1%. |
Cuca Jorge |
 |
| Bozzo: superfícies livres de bolhas |
Na área de agentes desmoldantes, a Loctite, de Itapevi-SP, apresentou a linha Frekote, com destaque para o Solo, primeiro agente desmoldante aplicado por spray para peças com gelcoat de poliéster. Segundo o fabricante, seu uso reduz os custos de mão-de-obra em até 95%. O Frekote FRP-NC também se sobressaiu. Desmoldante polimérico formulado para peças reforçadas com fibra de vidro e gelcoats de poliéster, proporciona acabamento de alto brilho e formação mínima de incrustrações, eliminando freqüentes paradas para polimento e limpeza entre moldagens.
Reforço – Com capacidade de mudar as propriedades e o comportamento do plástico, as fibras de vidro dominam entre os reforços utilizados pela indústria brasileira. No País, as referências do setor são a Saint-Gobain Vetrotex, de Capivari-SP, e a Owens Corning, de Rio Claro-SP. Com operação em 18 países, a Saint-Gobain Vetrotex destacou a nova geração de roving direto, substituta da antiga linha da empresa, a RO 61 H. A diferença entre os dois está na ensimagem, composto químico responsável pela ligação entre o vidro e a resina. A baixa eletricidade estática e a alta molhabilidade do material são as principais características da linha. Porém a resistência à abrasão, responsável pela formação de baixos níveis de penugem e desfibramento da mecha que forma o roving, também merece destaque. Destinado a processos de moldagem por rolamento, pultrusão, fabricação de tecidos e de cabos telefônicos, entre outros, o produto é compatível com resinas poliéster, éster-vinílica e epóxi.
A Saint-Gobain Vetrotex também aproveitou para anunciar o lançamento da empresa carioca Óbvio!. Trata-se do veículo 828, uma releitura do Mini-Dacon, automóvel produzido na década de 80 pela concessionária Dacon, da VW/Porsche. Um dos principais diferenciais do modelo fica por conta da carroceria, produzida em PRFV. O projeto contou com a tecnologia do Centro de Aplicações de Produtos Industriais, localizado na fábrica em Capivari (SP), além do suporte técnico da matriz da empresa, com centros na França e nos Estados Unidos, assim como, com parcerias para o fornecimento de matérias-primas, como a Saint-Gobain Vetrotex. A expectativa da Óbvio! é produzir 500 unidades por ano do modelo 828, a partir de janeiro de 2003.
Já a Owens Corning, por sua vez, apresentou o novo Roving ME 3020. Produzido com o vidro ecológico Advantex, é formado por mechas compostas de filamentos contínuos de vidro, enroladas em um único cabo sem torção. Desenvolvido sobretudo para processos de laminação à pistola, com ou sem carga, o roving conta com matérias-primas que lhe conferem baixa geração de penugem, proporcionando aumento de produtividade, devido ao número reduzido de paradas, e diminuição de enroscos durante a fase de laminação. O fabricante também dá ênfase à molhagem rápida, resultante da fácil penetração da resina e imediata solubilização do ligante aplicado às fibras, além da facilidade de corte.
|
|