Máquinas – No setor de bens de capital mecânico, um dos mais atingidos pela crise, o volume das exportações ficou pouco abaixo. Em 2000, o setor vendeu no exterior cerca de US$ 9 milhões contra pouco mais de US$ 8 milhões do ano passado. 

De acordo com estimativas da Caip, os resultados devem ser mantidos nesse patamar também em 2002. Já as importações de máquinas e equipamentos para o setor de plástico caíram a menos da metade quando comparadas aos índices de 1997.

O Brasil manteve a posição de segundo maior exportador, atrás apenas da Itália e à frente do Canadá, Alemanha, Estados Unidos e Taiwan. Em 2001, o país importou quase US$ 35 milhões entre injetoras, extrusoras, sopradoras, termoformadoras e outros equipamentos, contra aproximadamente US$ 40 milhões no ano anterior e mais de US$ 106 milhões em 1997. A retração também foi acentuada no segmento de moldes. De quase US$ 61 milhões há cinco anos, as importações passaram para aproximadamente US$ 23 milhões em 2001.

A Argentina já respondeu por mais de 12% do faturamento da Carnevalli, fabricante de extrusoras de Guarulhos-SP, entre 1998 e 1999. “Em 2002, vendemos apenas uma máquina no país”, conta o gerente comercial Luiz Antonio D. Simões. Diante das dificuldades comerciais, a empresa, assim como muitas outras, optou por participar da Argenplás sem equipamentos em exposição. Para o próximo ano, Simões estima pequena reação. “Nossos clientes já demonstram a intenção de voltar a investir”, avalia.
Simões optou por não levar máquinas

 

Dessa opinião compartilha o gerente de exportações da Rulli, fabricante de extrusoras de São Paulo, Oscar Rocha Martinez. “As vendas vinham bastante aquecidas, entre 10 a 12 máquinas por ano”, afirma. Em 2002, no entanto, a empresa entregou duas extrusoras para filmes e duas para chapas referentes a encomendas anteriores. “Não há pedidos em carteira.” A feira, segundo Martinez, renovou algumas esperanças. “Fizemos bons contatos e recebemos novas propostas”, pondera.
Martinez se animou com algumas propostas

 

Mais extrusoras – Para as indústrias argentinas, as exportações têm sido a única opção. Disputado por quatro fabricantes locais, o mercado de extrusoras responde pelo segundo volume de importações, atrás apenas das injetoras. Segundo Roberto O. Rodofeli, gerente geral da ROR - Roberto Rodofeli Máquinas e Equipamentos para a Indústria Plástica, fabricante de extrusoras com sede em San Martín, Buenos Aires, as vendas externas representavam 30% do faturamento. “Em 2002, responderam por 100%”, afirma.
Rodofeli sobreviveu só com exportações

 

Com capacidade para fabricar seis máquinas/mês, a ROR vendeu essa quantidade durante o ano todo para apenas um cliente. “Vivemos o pior momento dos últimos cinco anos, e o setor de bens de capital mecânico, infelizmente, é sempre o primeiro a cair e o último a se levantar. No estande, a ROR colocou em operação a extrusora para filmes modelo 40 Mini D com capacidade para 60 kg/h (40 cm x 10 mm). Lançada há mais de um ano, a máquina destina-se principalmente à produção de sacolas. Além da matriz na Argentina, a ROR fabrica extrusoras no Brasil. A capacidade produtiva brasileira, avaliada em 4 máquinas/mês, também está ociosa. “A produção fica em torno de duas unidades mensais.”
Extrusora da Rodofeli 40 Mini D processa até 60 kg/h de sacolas


Outro fabricante local de extrusoras, a Maqtor expôs os modelos F 55, com capacidade para 100 kg/hora, e a F 40, para 58 kg/hora. De acordo com o presidente da empresa, Juan Carlos G. Torres as exportações correspondem a 90% das vendas. “Antes não passavam de 50%”, avalia. A produção, por sua vez, caiu de 12 máquinas/mês para apenas 4. A linha da empresa inclui modelos de variadas capacidades para os segmentos de filmes de PE, tubos de PVC e reciclados entre outros.
O modelo de extrusora F 55 da Maqtor processa até 100 kg/h


Injetoras – Há 14 anos, pelo menos 12 empresas fabricavam injetoras na Argentina. Grande parte encerrou a produção local para iniciar a representação de indústrias estrangeiras, principalmente asiáticas. De acordo com o gerente de vendas Luciano Alberto Martinez da Fluidmec, único fabricante local, a demanda nacional ficava em tornos de 30 unidades/mês. “Em 2002, as vendas do ano todo não alcançarão esse volume”, lamenta. As vendas da Fluidimec, segundo ele, ficaram em torno de 20 equipamentos, o equivalente à produção de um único mês.

Para driblar as dificuldades, a empresa tem investido nas exportações para a América Latina. Na Argenplás, expôs as injetoras modelos DRD 80 e DRD 160, com 80 e 160 toneladas de força de fechamento respectivamente. Em operação, a DRD 160 injetava fruteira de PS cristal em molde de uma cavidade.
Alberto vendeu apenas 20 máquinas no ano

 

A Maen, representante da LG na Argentina e Uruguai, expôs o modelo com 250 t de fechamento e capacidade para injetar 860 cm³ de PP. Com dois acumuladores, a máquina obteve ciclo de 7 segundos para produzir recipiente de 70 gramas. Outras indústrias brasileiras ou com fábrica no Brasil marcaram presença na exposição, tais como a Romi, de Santa Bárbara d´Oeste-SP, fabricante de injetoras; e a Pavan Zanetti, de Americana-SP, a Sidel e a Bekum, de São Paulo, todas do segmentos de sopradoras.
Máquina LG de 250 t de fechamento injeta até 860 cm3 de polipropileno
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