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SEMINÁRIO APONTA TENDÊNCIAS DO PE
Aconteceu nos dias 16 e 17 de outubro o 2o Seminário Técnico da Dow Polietileno no Brasil, no hotel Sheraton Mofarrej, em São Paulo. O encontro reuniu clientes com especialistas e executivos da Dow do Brasil e do exterior para apresentar tendências do mercado de polietileno e aspectos técnicos da fabricação e transformação da resina.
O ciclo de apresentações teve início com o diretor comercial de poliolefinas e elastômeros da América Latina Isidro Quiroga, discutindo tendências do polietileno no mundo e na América Latina. A Dow Química é líder global do setor, que cresce acima do PIB mundial há décadas. O mercado global de polietileno soma cerca de 55 milhões de toneladas e a América Latina responde por 8% a 9% desse total (perto de 5 milhões de toneladas). O Mercosul concentra 40% do consumo na região, entre 2 milhões a 2,5 milhões de toneladas, e o Brasil é o maior consumidor individual, seguido de México, Argentina e Venezuela. Apesar disso, Quiroga afirmou que o consumo per capita na América Latina, ao redor de 9 kg, ainda é muito baixo se comparado com Europa e Estados Unidos.
Nos próximos anos o polietileno continuará substituindo materiais concorrentes, como vidro, metais, papel e outros plásticos, principalmente polipropileno e polietileno tereftalato (PET). O mercado de transformação deve concentrar-se ainda mais, buscando a redução de custos e ganho de escala, e nas aplicações a espessura e o peso dos objetos transformados prosseguirão diminuindo. Além disso, a maior parte das novas capacidades da Ásia e do Pacífico será instalada no Oriente Médio, devido aos baixos custos de matérias-primas na região.
Quiroga destacou o fato de que dois terços dos gastos da Dow com pesquisa e desenvolvimento destinam-se a novos produtos, enquanto um terço busca melhorias nos produtos do portfólio. O diretor também citou a importância do domínio da tecnologia de catálise, que possibilita à companhia fabricar produtos sob medida para seus clientes.
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Miriam Brito, especialista em projetos, apresentou ferramentas tecnológicas utilizadas pela Dow para facilitar a interface com o cliente, que incluem desenvolvimento na área de Costumer Relationship Management (CRM), arquivo digital de documentos, telemetria, troca de dados eletrônicos e soluções via Web.
O diretor técnico de poliolefinas e elastômeros da América Latina John Biggs descreveu alguns produtos da linha de polietilenos da empresa. Biggs ressaltou a necessidade de se conhecer a fundo os requerimentos de desempenho do polímero devido ao aumento da complexidade do negócio e da necessidade de entendimento das exigências das embalagens. |
Lau Polinésio |
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| Complexidade do negócio e das embalagens
aumentou, diz Biggs |
A Dow possui mais de cem produtos na linha de polietilenos. Produz tipos de alta densidade convencionais, de baixa densidade, base hexeno ou buteno, com alta transparência, além das resinas da linha Inspire que podem ser usadas em substituição ao papel e as resinas Dowlex para misturas de alto desempenho em empacotamento automático e para resina stretch de alta processabilidade. Para embalagens de alimentos, fabrica os polímeros de alto desempenho da linha Elite, além das resinas Affinity para selagem em alta velocidade, as resinas Saran com alta barreira e as resinas Primacor.
| Lau Polinésio |
O primeiro ciclo de palestras encerrou-se com a apresentação do holandês Marc Hubert, gerente de embalagens especiais para alimentos, da Dow Europa. Hubert discorreu sobre o mercado de embalagens flexíveis especiais na Europa – sua dinâmica é semelhante à do mercado brasileiro – e reforçou a imagem da concentração do mercado europeu, que assistiu a diversas fusões e aquisições desde 1998. Naquele ano, a British Petroleum (BP) assumiu a Amoco e em 2000 foram constituídas a Basell, joint venture entre a Basf e a Shell, e também a Atofina, resultante da união da Elf com a Totalfina. |
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| Hubert prevê concentração do mercado de
poliolefinas |
No ano seguinte, a Enichem adquiriu as ações da UCC Polimeri Europa, a Dow comprou a planta de polipropileno da Basell, em Colônia, na Alemanha, e a BP adquiriu as ações da Bayer na Erdoelchemie e uniu-se à Solvay na produção de PEAD, adquirindo o comando total da operação posteriormente, em 2002.
“A lista dos dez maiores produtores de poliolefinas na Europa é muito diferente de dois anos atrás. A Basell, líder européia na produção de poliolefinas, não existia então. Acredito que a lista deve reduzir-se a cinco grandes players nos próximos cinco anos”, afirmou.
Novas capacidades - Apesar do mau desempenho do mercado de polietilenos em 2001, resultado da instalação de novas capacidades combinada com demanda fraca, Hubert espera aumento das cotações da resina em 2003 e 2004, principalmente, quando ocorrerão picos de oferta e demanda do produto.
O gerente citou mudanças no perfil dos consumidores que impactam o consumo de embalagens flexíveis na Europa. O envelhecimento da população aumenta a demanda por embalagens de fácil abertura e fechamento, enquanto o crescimento da parcela de solteiros na população, e dos casais em que ambos os cônjuges trabalham, incrementa a demanda por alimentos prontos, pela redução do tempo para cozinhar. Além disso, as diferenças regionais no velho continente diminuem, conforme Hubert, elevando os padrões de conveniência na alimentação.
Do lado do mercado, novas direções também redefinem a demanda por embalagens. No setor de varejo os movimentos de consolidação e internacionalização das empresas provocam mudanças nos canais de distribuição de produtos alimentícios, com o surgimento de grandes centros de distribuição e necessidade de otimização das embalagens dos alimentos, para atender uma cadeia de suprimentos mais extensa e complexa. É nesse rastro que aumenta a importância de embalagens de alta barreira e embalagens com atmosfera modificada.
A consolidação e internacionalização também atinge os produtores de alimentos. Pressionados pelo encolhimento de suas margens, os fabricantes apostam na redução do número de marcas – o exemplo mais óbvio nos últimos anos é o da Unilever – e no foco em poucas marcas fortes com presença global. O aumento da competição valoriza o posicionamento dos produtos nas gôndolas de supermercados e o foco na inovação de embalagens e produtos, responsável pelo surgimento de novidades como os vegetais pré-preparados.
Os plásticos já são o segundo material mais utilizado em embalagens na Europa Ocidental, com 21% de participação em volumes, atrás do papel/papelão, com 45%. O líder, entretanto, permanece estagnado na primeira posição, ao passo que os plásticos crescem a taxas anuais ao redor de 6%. “Os plásticos preenchem toda a demanda por novas aplicações”, afirmou Hubert. Ele encerrou sua explanação justificando o foco em embalagens flexíveis especiais: é um mercado estável, de considerável tamanho, inovativo e que oferece grandes oportunidades de crescimento.
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