INJETORAS


VENDA MENOR FATURA MAIS

Demanda cai devido à alta produtividade das máquinas, mas maior valor agregado eleva o faturamento


Simone Ferro

Os indicadores econômicos da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) sinalizam a redução de 14,9% no volume de encomendas de máquinas para a indústria de plástico no acumulado de janeiro a setembro, em relação ao mesmo período de 2001. Para a entidade, a queda dos pedidos em carteira vai influenciar negativamente os primeiros meses de 2003. Já o faturamento nominal cresceu 12,7% no período, e o nível de utilização da capacidade instalada das indústrias chegou a quase 85% em setembro. Esses números globais refletem a situação do mercado de injetoras, segundo a avaliação das indústrias do setor.

Cuca Jorge Para o chefe da engenharia da Romi, de Santa Bárbara d´Oeste-SP, Antonio de Pádua Dottori é importante ressaltar, no entanto, que a redução da demanda decorre não apenas da retração do mercado, mas também porque os equipamentos novos, cada vez mais produtivos, substituem até 3 obsoletos.
Dottori: Injetora nova substitui três antigas

Aponta ainda a tendência de, tanto os fabricantes de máquinas como os transformadores, agregarem mais valor aos seus produtos e, em conseqüencia, faturarem mais com menos volume.

Com quatro fabricantes locais – Romi, Sandretto, Jasot e Himaco –, e forte concorrência de marcas estrangeiras, o mercado nacional registrou, em 2002, investimentos de porte, evoluções tecnológicas significativas e moderada recuperação comercial. Em 2003, as indústrias esperam respirar mais aliviadas. 
Para crescer, apostam na modernização do parque transformador e na oferta de máquinas de maior valor agregado. Tendência amplamente discutida na reunião plenária do Fórum de Competitividade da Cadeia Produtiva do Plástico realizada em 25 de novembro, em Brasília, e uma das diretrizes do Programa Nacional de Exportação, em vias de aprovação pela Agência de Promoção às Exportações (Apex).

O projeto prevê a venda no exterior de US$ 800 milhões de artigos plásticos, que agregam mais valor quando comparados à venda de insumos básicos, e a conseqüente substituição de US$ 600 milhões em importações. O aumento da produção nacional visa aproveitar os 25% de ociosidade das indústrias de transformados, os 27% da segunda geração e de 16% da primeira; e em conseqüencia, demandar investimentos em maquinários e moldes. Os fabricantes vislumbram aí grande oportunidade de crescimento.

Segundo dados divulgados pelo Instituto Nacional do Plástico (INP), o setor de transformação conta com 45 mil máquinas para a fabricação de produtos plásticos, das quais 13.500 têm até 10 anos; 15.500, de 10 a 20 anos; e 16 mil, mais de 20 anos. As injetoras somam 25 mil, 70% com mais de uma década de uso. Além do baixo índice de produtividade, tais equipamentos respondem por um grande consumo de energia elétrica. Sua substituição, no entanto, demanda melhores condições de financiamento, segundo reivindicações do Fórum da Competitividade.

Solicitações importantes, tais como a aceitação dos equipamentos financiados como garantia dos empréstimos tomados e instituição de linhas de crédito para capital de giro, continuam no prelo. “O dinheiro tem de chegar às mãos de quem realmente precisa: o pequeno e o médio transformadores”, diz Dottori. Em contrapartida, os fabricantes aceitariam as máquinas usadas como parte do pagamento, sendo responsáveis pela retirada das mesmas do mercado.

Demanda – Não há estimativas oficiais referentes à demanda nacional de injetoras. Os números divulgados projetam as avaliações dos fabricantes com base no volume de pedidos e nas cotações realizadas. Para o gerente comercial da Himaco, de Novo Hamburgo-RS, Cristian Heinen o mercado chegará em 1.500 unidades em 2002, incluindo as importações. “Só a Himaco vai alcançar a marca de 400 equipamentos comercializados”, garante. Já a fatia representada pelas máquinas de maior porte e valor agregado ficará em torno de 500 unidades, contra 600 do ano anterior, segundo avaliação de Dottori. 

Estima-se a média de participação dos importados em torno de 40%, índice que não deve se repetir neste ano em decorrência da acentuada alta do dólar. Para o diretor geral da Sandretto do Brasil, de Arujá-SP, Guido Pelizzari a venda de importados no País deve registrar baixa de pelo menos 15%, e o volume total de negócios ficar 10% inferior em relação ao ano passado.  Cuca Jorge
Pelizzari: importados tiveram baixa de 15%

Os fabricantes ressaltam, no entanto, que, apesar da crise, o mercado não estagnou, e o transformador nacional consegue bom preço aliado à excelência tecnológica.

Dentre os mercados de atuação da subsidiária da Krauss Maffei, com sede em São Paulo, a divisão de injetoras apresentou o melhor desempenho em 2001, tanto no volume de máquinas como em faturamento. Equipamentos para poliuretano (PU) e extrusoras ocupam as posições seguintes, segundo informações do diretor superintendente Luiz Hellbrügge. Em 2002, embora as vendas estejam menos aquecidas, Hellbrügge considerou a participação da empresa bastante positiva e destacou o crescimento da empresa no segmento de embalagens.

A Krauss Maffei lançou a máquina elétrica, linha Eltec, desde 50 toneladas até 150 t de força de fechamento. “São as únicas com sistema de fechamento de duas placas”, afirma. Tal mecanismo garante, de acordo com o fabricante, paralelismo no sistema de fechamento e redução no tamanho do equipamento. Possui ainda motor elétrico com acionamento direto de rosca sem correia. “Só a Krauss Maffei tem esse sistema, desenvolvido e patenteado pela Siemens.”

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