EXTRUSORAS


CRISE EMPERRA AS VENDAS

Setor pede mais tecnologia, mas a alta do dólar freou investimentos e importações

Maria Aparecida de Sino

O mercado brasileiro de extrusão apresentou dois momentos no ano passado. No primeiro, a solicitação crescente do mercado por embalagens sofisticadas impulsionou a venda das máquinas importadas de alta tecnologia e produtividade, e também contribuiu para ampliar a oferta local, com novos equipamentos para produção de filmes do tipo cast e cast stretch. A segunda fase veio com a alta desenfreada do dólar, que encareceu muito os produtos estrangeiros e ainda elevou os custos de produção de toda a cadeia do plástico, freando o comércio de máquinas. A maioria dos fornecedores deve fechar o balanço no ano no azul, porém sem atingir as metas previstas no início do ano.

A Krauss Maffei superou as dificuldades graças à opção de alguns de seus clientes pela nacionalização de peças, de importação inviabilizada pela alta do dólar. Segundo o diretor superintendente da empresa Luiz H. Hellbrügge, a importação de algumas peças ficou tão cara que as empresas preferiram comprar máquinas e nacionalizar a produção, com destaque para os injetados. “O segmento de extrusão não foi muito ativo”, admite o gerente de vendas Bruno Sommer. A atuação da empresa nesse mercado restringe-se aos transformadores de grande porte, com alta capacidade de investimento, pois são máquinas de alta complexidade e sofisticação, portanto, de custo bem elevado.

A carteira de extrusoras da Krauss Maffei é ampla, composta por máquinas com produções desde 50 kg/h até 1.400 kg/h, para tubos, chapas, perfis e também para granulação. A menor custa em torno de 40 mil Euros e a maior, perto de 500 mil Euros, informa Sommer. Mas esses preços se referem apenas às máquinas, que representam cerca de 30% do custo da linha completa.
O fabricante alemã lançou neste ano o novo modelo de extrusora monorrosca KME, projetado para atender empresas de menor porte. Trata-se de máquina mais simples, com menor produtividade, mas equipada com os mesmos recursos de automação das suas linhas de maior padrão, explica Sommer. O equipamento, com capacidade de produção da ordem de 80 kg/h de PVC, custa 43 mil Euros.

De acordo com o gerente, também a extrusão de plástico com madeira está conquistando maior espaço no mercado. A mistura, beneficiada pelo menor custo do insumo, encontra aplicações em perfis de portas e janelas e na indústria moveleira, entre outras. 

A máquina para tal fim é uma extrusora dupla rosca dotada de dupla degasagem (para retirada da umidade da madeira).

A atuação em segmento diferenciado e de alto poder de investimento não salvou a pele da Ematec, representante da austríaca SML, bastante prejudicada pela alta do dólar. Embora Harold Weil tenha afirmado que a briga entre os fornecedores desse pequeno universo mais refinado da indústria de transformação é tecnologia e não preço, este ainda pesou muito com o dólar nas alturas, afinal, a máquina de última geração da SML custa quase dois milhões de Euros. “Alguns projetos foram cancelados e outros suspensos”, informa. 

Weil: projetos cancelados por causa do dólar

Da meta pretendida chegou à metade, isso ainda porque já havia concluído negócios no ano passado. “Em 2001 vendemos duas linhas, neste ano, apenas uma”, informa.

Divulgação Sem desânimo, anuncia o crescimento da família Sleeve Touch, produzida com tecnologia revolucionária e até agora constituída por um só equipamento, lançado na última K, realizada na Alemanha, em novembro do ano passado. O novo recurso permite à indústria de transformação produzir filmes de polipropileno homopolímero sem aditivos e com alta transparência.
Sleeve Touch melhora a transparência dos filmes

A máquina fabricada com a nova tecnologia embute vários diferenciais, o principal deles dois cilindros refrigerados, envolvidos por uma cinta metálica. O filme passa pressionado entre a cinta e a calandra, também refrigerada. Dessa forma, a resina fundida proveniente do cabeçote, já na forma de filme, sofre um choque térmico prolongado nas duas faces, propiciando diversas vantagens ao produto final. Além disso, o filme desce na vertical, eliminando a necessidade de estirá-lo, etapa obrigatória nas calandras convencionais. Como resultado, o transformador obtém um filme menos estressado e de melhor transparência.

Entre os principais benefícios do Sleeve Touch, o fabricante ressalta a produção de filmes mais finos, de boa transparência e alto brilho, além de baixa perda de material, pois o equipamento tem ajuste rápido e automático. O processo também elimina distorções óticas nos filmes, em comparação à tecnologia cast e tubular (blow), e confere baixa contração nas duas orientações de máquina (transversal e longitudinal), explica Weil. De acordo com ele, a nova tecnologia ainda permite controle uniforme de espessura em toda extensão do filme.

O sistema Sleeve Touch é mais indicado na produção de filmes de PP de alta transparência, com espessura entre 100 e 500 micra. Em razão do alto custo, ainda tem aplicação mais voltada às áreas de alto valor agregado, como na extrusão de filmes barreira (PP, EVOH, PA) e filmes destinados à fabricação de embalagens de cosméticos, em tampas reutilizáveis de alta transparência, ou ainda para substituir o PVC na laminação de chip-cards.

O equipamento exibido na K produzia filmes de até 600 mm de largura. Já o novo modelo pode processar filmes de até 1.650 mm de largura. Sua capacidade de produção varia entre 700 e 800 kg/h. Em fase de montagem, a segunda máquina da linha já tem endereço certo: uma produtora austríaca de chapas de polipropileno destinadas à termoformagem de tampas pré-impressas.
Outra novidade da SML é sua entrada na área de extrusão de geomembranas, estréia marcada pela compra da empresa austríaca Plammer. Esse setor se diferencia pelo tamanho das máquinas, todas de grandes dimensões, com cilindros entre 800 e 1.000 mm de diâmetro e calandras de comprimento estimado em cinco metros. “São máquinas que produzem até 4.000 quilos por hora”, informa Weil.

Longe da meta – A alta do dólar também afetou muito os negócios da Ferrostaal, representante das máquinas tubulares da Kiefel e das extrusoras tipo cast da Battenfeld, ambas da Alemanha. 

Os dois casos se referem a equipamentos de alta complexidade e sofisticação, mas também de alto custo. Portanto, a escalada do dólar impediu a realização de vários negócios. A projeção no início do ano de vender cerca de 12 máquinas caiu por terra e a Ferrostaal fechou o ano com metade desse número, informa seu gerente Christoph D. Rieker. “Os projetos de investimento estão prontos, porém engavetados”, diz. Em 2003 ele espera retomar o nível de vendas de 2000, quando negociou no País 7 milhões de Euros. “Foi o melhor resultado dos últimos três anos.” Cuca Jorge
Rieker: investimentos devem voltar em 2003

Com o propósito de manter sua posição de líder mundial na área de extrusão do tipo balão para filmes de PEAD, a Kiefel reformulou as linhas com base em novos conceitos de construção e operação de máquinas. Mudou toda a engenharia e projetou novas geometrias de roscas, rebatizando a linha de Kirion.

O cabeçote foi redesenhado de modo a proporcionar maior capacidade de extrusão e melhor distribuição das camadas, com garantia da espessura, cujo controle dispõe de dois sistemas: por ultra-som, de aplicação geral, ou por temperatura, indicado no caso de filmes com especificações mais rígidas de espessura. Para filmes muito sensíveis, os equipamentos contam com um sistema no puxador denominado Zerotouch, que forma um colchão de ar e impede o contato do filme com os cilindros.

Também as roscas ganharam nova geometria e maior relação L/D, de 26 a 30. De acordo com Rieker, o transformador consegue maior plastificação e aumenta a capacidade de extrusão com o mesmo diâmetro de rosca. A Kiefel oferece roscas desde 30 até 120 mm de diâmetro, com capacidades desde 12 kg até 650 kg por hora. Sua carteira de produtos inclui coextrusoras para filmes até sete camadas, com cabeçotes desde 80 até 700 mm de diâmetro, todas equipadas com sistema de controle CAN bus, operado por rádio-freqüência e motores de corrente contínua, em substituição à fiação. Ainda dispõe de sistema integrado de gerenciamento, desenvolvido pela própria Kiefel, denominado Kirion C, que monitora todos os equipamentos da máquina, como os dosadores gravimétricos, em um só comando.

Já o forte da Battenfeld são os negócios no mercado do PET. Entre seus últimos lançamentos se destaca a coextrusora equipada com três extrusoras para produzir filmes de PET de cinco camadas, com até 3,60 m de largura. Seu princípio de funcionamento consiste no seguinte: uma extrusora alimenta duas camadas do filme com resina virgem, enquanto outra envia mais duas camadas de adesivo, e a terceira processa material reciclado, para compor o miolo da estrutura. “O mercado nacional está carente desses produtos”, acredita Rieker.

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