PERIFÉRICOS GANHAM MERCADO



Fim aos desperdícios de insumos e melhor produtividade alavancam a venda desses equipamentos

Simone Ferro

Alimentar na mão, dosar na caneca e misturar no tambor remontam aos primórdios da transformação dos termoplásticos. Produzir com esse perfil de atuação, embora pareça coisa do passado, continua sendo a realidade de muitas empresas, em especial as de pequeno porte. A limitada, ou muitas vezes inexistente, automação resulta em grande desperdício de material, elevado emprego de mão-de-obra e baixa produtividade, entre outros déficits. 
Mudar esse quadro tem sido o ganha pão dos fabricantes de equipamentos auxiliares de processo, os conhecidos periféricos. Embora a evolução não caminhe no compasso esperado, o setor registrou algumas vitórias no combate à fome tecnológica.

Por isso, se o leitor ainda se enquadra em uma das três situações descritas no início desta matéria, encerrar a leitura agora pode colocá-lo mais uma vez na contramão da história. Segundo os principais fabricantes, a demanda nacional de periféricos cresce a cada ano, não só para equipar as máquinas novas como ainda na automação dos parques já instalados. O principal apelo para investir em alimentadores, dosadores, secadores e moinhos refere-se ao rápido retorno do investimento. “A amortização dos alimentadores ocorre, em média, entre dois e seis meses”, afirma o diretor da Piovan, de Osasco-SP, Fernando Nicolosi. Cuca Jorge
Nicolosi: investimentos tem retorno rápido

Já a redução do desperdício de insumos, em especial os concentrados de cor (masterbatch), numa escala comprovada desde 5% até 25%, representa a principal vantagem dos dosadores, na avaliação do diretor da Rax Representações, de São Paulo, Daniel Ebel. 

Cuca Jorge O aumento das vendas desses equipamentos foi registrado pelos principais fabricantes nacionais e estrangeiros. “O uso de dosadores cresceu em progressão geométrica nos últimos dois anos”, afirma. A evolução aponta ainda para o uso de equipamentos cada vez mais sofisticados, como os desumidificadores de ar para moldes e os controladores de temperatura, responsáveis por ganhos expressivos em produtividade e economia de energia elétrica.
Ebel: dosador cresce em progressão geométrica

Com a função de evitar a condensação na superfície dos moldes, os desumidificadores geram fluxo de ar seco. “Criam microclima controlado na região da ferramenta, soprando ar seco dentro das cavidades, e com isso a produção se mantém constante durante todo o ano”, afirma Nicolosi. A variação da temperatura da água de resfriamento dos moldes tem sido tema de diversas pesquisas.

Representantes do setor ressaltam ainda o aumento da produção nacional de periféricos. Segundo eles, pelo menos 60 % da demanda passou a ser atendida pelos fabricantes locais. Em anos anteriores, a valorização do real em relação ao dólar restringia a participação do produtor local a 30% do volume de vendas, em média. “As importações tendem a cair ainda mais devido à expansão da fabricação, ao incremento tecnológico e aos preços competitivos dos equipamentos brasileiros.” Pelo segundo ano consecutivo, as vendas da Rax avançaram em relação ao período anterior a taxas iguais ou superiores a 30%. “As importações caíram e representam 10% das vendas atuais, contra 35% de anos anteriores.” As exportações para América Latina e Estados Unidos absorvem aproximadamente 10% da produção.


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