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INP LANÇA NORMAS PARA COPOS DE PS
Usar os tradicionais copinhos descartáveis de poliestireno (PS) sem verter o conteúdo, ou mesmo retirá-los do suporte sem causar fissuras, tornou-se cada vez mais difícil. Na guerra pela redução de custos, fabricantes colocam a qualidade de lado e produzem copos finos, leves e pouco resistentes. Segurar pela borda, colocar menos líquido do que o vasilhame deveria comportar ou usar dois copos de uma só vez tornaram-se técnicas muito empregadas pelos consumidores.
Preocupados com a imagem do setor, comprometida pela baixa qualidade de alguns produtos, o Instituto Nacional do Plástico (INP), produtores de resinas e fabricantes de descartáveis lançaram neste setembro o Programa de Qualidade de Copos Descartáveis. A iniciativa visa divulgar a norma da Associação Brasileira de Normas Técnica (ABNT), NBR - 14865, publicada em julho de 2002.
Com vigência a partir de 30 de agosto, a norma estabelece, entre outros parâmetros, os pesos mínimos para cada copo, sem especificar o tipo de resina a ser empregada. Os recipientes de 300 ml, um dos mais usados, não poderão pesar menos de 3,3 gramas. Durante a elaboração da norma, amostras coletadas no mercado pelo INP registraram em média 2,5 g. O instituto encontrou ainda copos de 200 ml com 1,6 g, e determinou como ideal 2,2 g.
| “Em alguns casos, a norma vai aumentar o peso em quase 40%, porém a média é de 30%”, informa o diretor superintendente do INP Paulo Dacolina. O segundo requisito refere-se à resistência à compressão lateral quando o copo é manuseado. |
Cuca Jorge |
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| Dacolina: peso dos copos aumenta até 40% |
O aumento do peso e a conseqüente ampliação do consumo de resina resultará na elevação dos custos. O INP não sabe qual será o reflexo no preço final dos copos descartáveis. “ Os benefícios para toda a cadeia certamente vão superar eventuais aumentos. O consumidor ganha com o uso de um produto higiênico, saudável e de eficiência garantida, e os fabricantes recuperam a boa imagem dos copos descartáveis, colocada em risco pela falta de qualidade”, avalia Dacolina.
Credenciado pela ABNT como Organismo de Normalização Setorial (ONS), o instituto coordenou todas as etapas de elaboração da norma. Foram dois anos de extensa pesquisa que resultaram num trabalho pioneiro. “Não encontramos padrões técnicos internacionais que servissem de base”, explica Dacolina. A ausência de parâmetros oficiais exigiu a realização de diversos ensaios de laboratório capazes de comprovar a eficiência dos índices determinados. Todos os testes foram executados pelo Centro de Tecnologia de Embalagem (Cetea), contratado pelo INP.
Parceria – O trabalho contou com a colaboração de três produtores de PS – a Basf, Dow e Innova, e da Coposul, Zanatta, Copobras, Dixie Toga e Inajá - fabricantes de descartáveis. Já do recém-lançado programa de qualidade participam 19 empresas, das quais sete são produtores de insumos e 12 transformadores. Além dos três já citados, integram o grupo a Videolar (PS) e três produtores de polipropileno (PP): a Braskem, a Ipiranga Petroquímica e a Polibrasil. “Estimamos a adesão das demais indústrias, porém 90% da produção nacional já faz parte do programa”, afirma Sebastião Matias da Silva, do departamento de vendas da Basf.
Segundo estimativas do INP, existem 21 fabricantes de copos descartáveis no Brasil, responsáveis pelo consumo de 80 mil toneladas/ano de PS, pouco mais de 22% da demanda total da resina. Aproximadamente 90% da produção concentra-se na região sul de Santa Catarina, conhecido pólo de fabricação de descartáveis. O PS, no entanto, não é a única resina empregada. De acordo com a Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast), 4,8% do consumo de PP atende a esse segmento.
O objetivo do Programa de Qualidade de Copos Descartáveis é informar e sensibilizar os fabricantes sobre a necessidade de atender os requisitos da norma, mas não descarta o emprego de recursos legais, tais como sanções administrativas, cíveis e criminais. “Não queremos punir e sim conscientizar, mostrando os prejuízos que o produto fora do padrão traz para o setor. O próprio Código de Defesa do Consumidor, em seu artigo 32, exige o respeito às normas técnicas”, afirma.
Entre as ações previstas pelo programa, cita as auditorias periódicas. “Agentes vão comprar amostras da produção de todos os 21 fabricantes para a realização de ensaios”, explica Dacolina. O INP contará com os laboratórios do Cetea também para as auditorias, realizadas a cada 60 dias. “Os resultados obtidos permitirão o acompanhamento da evolução da qualidade e, principalmente, sensibilizar o fabricante, cujo produto encontra-se em não-conformidade com a norma técnica, a buscar ajuda tecnológica para adequar a sua produção.”
Credenciado há nove meses na ABNT, o INP já normalizou os segmentos de chapas acrílicas e de cadeiras plásticas injetadas. Estão em desenvolvimento normas para baldes industriais, sacolas plásticas, caixas para hortifrutigranjeiros, produtos semi-acabados de polietileno de ultra alto peso molecular, assentos plásticos para estádios esportivos e filmes para estufas. “Em breve, começaremos os trabalhos com os sacos de ráfia.” Há seis meses, lançou o Programa de Qualidade de Cadeiras Plásticas para auxiliar a implantação da norma ABNT/NBR 14776, de novembro de 2001. S. F.
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