Cuca Jorge Mas algumas dessas inovações demoram às vezes anos para ganhar a confiança do mercado, caso dos coletores de admissão de gases e tampas de comando de válvula, que só deslancharam com náilon no lugar do metal há cerca de dois anos. Em 1998, apenas o Fiesta, da Ford, e a linha AB9, da Volkswagen empregavam o plástico nos coletores. Hoje, só a GM usa coletores de alumínio, informa um fabricante de resina.
Coletores de plástico do BMW (esq.) e do Fiat

Os grades de PA aplicados na fabricação dessas peças apresentam alta resistência ao impacto e a altas temperaturas (suportam acima de 100 ºC), informa Silva. 

Também a Bayer disputa o mercado, e na opinião de seu chefe de desenvolvimento de mercado Fernando A. Ribeiro, os principais desenvolvimentos referem-se mais ao aperfeiçoamento dos grades. A empresa dispõe de produtos com capacidade de solda mais elevada, melhor processabilidade e resistência ao estouro superior em relação às variedades antecessoras. “No ambiente de motor, o material que tem experimentado o maior desenvolvimento possível é a poliamida”, garante Ribeiro. Cuca Jorge
Ribeiro aposta nas estruturas híbridas

O mercado automobilístico brasileiro tem uma particularidade: os carros populares, que representaram 71% das vendas domésticas em 2001. Na opinião do gerente da Rhodia, a maior expansão do plástico está vinculada ao aumento da produção de veículos de melhores padrões, que embutem mais tecnologia e justificam os investimentos necessários para substituir o metal por plástico. “Exceto as partes externas, hoje não existe mais nenhum ‘pulo do gato’”, diz Silva.
Ribeiro, da Bayer, tem opinião diferente. Entre as novas possibilidades ele cita as estruturas híbridas (um esqueleto metálico com plástico injetado) usadas para produzir front ends (parte frontal do veículo que engloba a região de encaixe dos faróis) ou módulos frontais.  Divulgação
Front end traz metal e plástico injetado

A tecnologia consiste em inserir uma estrutura metálica no molde, onde esse esqueleto recebe uma sobre-injeção de poliamida. A resina desenvolvida pela Bayer para a aplicação é uma poliamida 6 modificada com elastômero e reforçada com fibra de vidro.

“O plástico permite reduzir o peso da peça, mantendo o balanço rigidez e resistência ao impacto, além de propiciar resistência química a combustível e fácil processabilidade”, explica. Mas as especificações técnicas de resistência mecânica, térmica e química ainda não dispensam o uso da estrutura metálica, informa. A substituição de parte do metal torna a peça mais leve, e também facilita o sistema de montagem (a montadora recebe o sistema, ou conjunto completo).

A maioria das montadoras já emprega essa tecnologia na produção de seus carros, mas como muitos modelos não contam com produção nacional, a novidade ainda é incipiente no País. Só a Fiat e a Volks aderiram à tecnologia em carros nacionais, adotada este ano, apenas nos modelos Fiat Stilo e Pólo, ambos com peças trazidas da Europa, pois não existe fornecedor local.

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