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INJETORAS

Crise não estagnou o mercado
Fabricantes locais e estrangeiros investem no Brasil e oferecem bom preço
aliado à excelência tecnológica
Simone Ferro
Nem só de más notícias vive o mercado de máquinas injetoras para o processamento de termoplásticos. Embora o panorama dos últimos dois anos não represente os anseios do setor, ocorreram avanços importantes, investimentos de porte e evoluções tecnológicas significativas. A demanda caiu não só em decorrência da retração do mercado, mas também porque os equipamentos novos, cada vez mais produtivos, substituem entre 2,5 a 3 obsoletos. A Oriente, tradicional fabricante nacional, fechou as portas no final de 2001, depois de operar concordatária durante alguns anos. Em contrapartida, a italiana Negri Bossi deve iniciar a produção local em 2003. Com isso, o mercado não permanecerá por muito tempo com apenas quatro fábricas instaladas: Romi, Sandretto, Jasot e Himaco.
Outras indústrias estrangeiras também concluíram investimentos no Brasil. A austríaca Engel inaugurou a nova sede, comprovando a força da marca no País e dando continuidade aos projetos de expansão, apesar da desvalorização cambial, em torno de 70% de abril até setembro. A Milacron investiu num escritório próprio, em São Paulo, depois de atuar alguns anos nas instalações da Polimold, fabricante de porta-moldes de São Bernardo do Campo-SP. Já a brasileira Romi prepara-se para entregar a sua primeira unidade com 1.500 toneladas de força de fechamento, fruto de anos de desenvolvimento e várias patentes mundiais adquiridas. O País destaca-se também pelo rigor de suas normas de segurança para máquinas injetoras, considerado um avanço em nível mundial (ver PM edição nº 333, de julho de 2002, pág. 26). A boa notícia é que, apesar da crise, o mercado não estagnou, e o transformador nacional consegue bom preço aliado à excelência tecnológica.
Segundo dados divulgados pelo Instituto Nacional do Plástico (INP), o parque transformador conta com 45 mil máquinas para a fabricação de produtos plásticos, das quais 13.500 têm até dez anos; 15.500, de 10 a 20 anos; e 16 mil com mais de 20 anos. As injetoras somam 25 mil, 70% com mais de uma década de uso. Números que demonstram grande potencial de crescimento. Porém, a substituição das máquinas antigas demanda financiamento e crédito diferenciados. A reivindicação, encaminhada pelo INP, há mais de um ano, ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), propõe série de iniciativas capazes de incrementar as vendas, modernizar o parque transformador e conseqüentemente reduzir o consumo de energia elétrica.
Dentre as ações, a entidade sugeriu a elevação da participação dos recursos do Finame dos atuais 80% para 90%, independente do tamanho da empresa ou da região em que se encontra; ampliação da carência para 12 meses; dilatação do prazo máximo de financiamento, de 5 para 8 anos; utilização da Taxa de Juro de Longo Prazo (TJLP) como taxa de juros; aceitação dos equipamentos financiados como garantia dos empréstimos tomados; e instituição de linhas de crédito para capital de giro. Em contrapartida, as máquinas usadas seriam aceitas como parte do pagamento e retiradas do mercado.
A mesma reivindicação partiu da Câmara Setorial de Máquinas e Acessórios para a Indústria do Plástico, da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas (Abimaq).
| A má notícia é que os apelos não ecoaram e nenhum avanço nesse sentido foi registrado. “A indústria nacional precisa de mecanismos de financiamento condizentes às suas características e condições para poder crescer”, avalia o chefe da engenharia da Romi, de Santa Bárbara d´Oeste-SP, Antonio de Pádua Dottori. |
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Os números referentes à demanda nacional são bastante díspares, pois o setor carece de levantamentos oficiais. Segundo o gerente comercial da Himaco, de Novo Hamburgo-RS, Cristian Heinen, o mercado seguramente chegará em 1.500 unidades, incluindo as importações. “Só a Himaco vai alcançar a marca de 400 equipamentos comercializados”, garante. Na avaliação de Dottori, a fatia representada pelas máquinas de maior porte e valor agregado não alcançará as 500 unidades. Em 2001, ficou em torno de 600, pelos cálculos da Romi. Estima-se a média de participação dos importados em torno de 40%. Índice que não deve se repetir este ano em decorrência da acentuada alta do dólar.
De acordo com os indicadores econômicos da Abimaq, as vendas de máquinas para plástico caíram 3,4%, de janeiro a julho, em relação ao mesmo período de 2001. Na avaliação dos fabricantes de injetoras, a retração do setor é ainda maior considerando a elevada queda nas importações. Para o diretor geral da Sandretto do Brasil, de Arujá-SP, Guido Pelizzari, a venda de importados no País deve registrar baixa de pelo menos 15%, e o volume total de negócios ficar 10% inferior em relação ao ano passado. A Abimaq aponta ainda a desaceleração das vendas de todo o setor de bens de capital mecânico, reflexo da queda do volume das encomendas. “No acumulado de julho, os pedidos em carteira tiveram redução de 31,2% em comparação com igual período do ano anterior”, afirma o presidente da entidade Luiz Carlos Delben Leite.
Na opinião do dirigente empresarial, os resultados verificados nos sete primeiros meses deste ano também refletem aspectos conjunturais, como as incertezas provocadas pela indefinição do quadro sucessório, as especulações em torno do risco Brasil e, sobretudo, o cenário econômico mundial. “Tanto a economia americana quanto a européia enfrentam desafios importantes, que trazem conseqüências nas exportações e investimentos”, avalia Delben Leite.
Vedete – Apesar da crise no setor, os investimentos não cessaram. Em breve, a Romi conclui os testes da nova Primax DP, com 1.500 t de força de fechamento. A atual vedete da empresa foi encomendada por um transformador do segmento de autopeças. A série, lançada oficialmente na Feira da Mecânica deste ano, adota o conceito de duas placas e tecnologia híbrida, que combina acionamentos hidráulicos e elétricos. Incorpora também o sistema de fechamento hidroblock, desenvolvido e patenteado pela empresa, no qual a placa traseira abriga todo o mecanismo de fechamento em posição concêntrica às quatro colunas.
De acordo com Dottori, a plastificação elétrica permite que a abertura da placa móvel e a extração ocorram simultaneamente à plastificação, sem gerar perdas ao processo. A inclusão de acionamentos elétricos em detrimento dos hidráulicos é uma tendência mundial, na avaliação do chefe de engenharia da Romi. “Reduz o consumo energético e garante precisão excepcional”, afirma.
Desempenho alcançado, segundo o fabricante, devido à baixa inércia dos poucos elementos em movimento durante a injeção e a colocação das válvulas junto aos atuadores. “Associada a uma concepção mecânica diferenciada, com número menor de peças em movimento durante a injeção e recalque, a precisão ultrapassa os limites pré-estabelecidos pelos transformadores”, afirma Dottori.
A nova série possui ainda motor de corrente alternada com variador de freqüência para plastificação. O painel de controle Controlmaster 9 é outra novidade. “Opera em plataforma Windows, permitindo intercâmbio com todos os periféricos.” A série DP incorpora modelos de 1.300 t a 2.000 t de fechamento. A Primax R vai desde 65 t até 1.100 t. Para o começo de 2003, a Romi promete o lançamento da injetora híbrida, para injeção de peças de parede fina em ciclo rápido, modelo Velox 2.0. A nova série também ganhou novos dispositivos e painel Controlmaster 9.
Entre as novidades, destacam-se as bombas hidráulicas de controle eletrônico, hidráulica servo-assistida, acumulador de nitrogênio para altas velocidades de injeção, roscas de LD 25:1, com misturadores incorporados e plastificação elétrica. Os modelos vão de 150 t até 600 t. Depois de lançar as primeiras unidades híbridas, a Romi faz suspense sobre o desenvolvimento de injetoras 100% elétricas. Sem especificar os novos projetos, Dottori afirma apenas que outras novidades estão a caminho e serão apresentadas na Brasilplast´2003, de 10 a 14 de março, em São Paulo.
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