CHILLERS

EQUIPAMENTOS REFORÇAM GANHOS NA PRODUTIVIDADE

Indispensáveis na moldagem do plástico, as geladeiras melhoram o processo e também a qualidade das peças



Chiller Corema opera com
ar ambiente até 45°C

Simone Ferro

Projetadas para resfriar a água e demais fluidos usados em processos industriais, as unidades de água gelada, também conhecidas como geladeiras e chillers, agregam benefícios à produção e ganham importância na moldagem de resinas termoplásticas. Podem reduzir o ciclo produtivo ao acelerar o resfriamento da peça dentro do molde de injeção e sopro, além de garantir melhores resultados sob os aspectos dimensionais e de aparência – cor, brilho e rugosidade, entre outros.

“Os ganhos de produtividade ultrapassam 10% na fabricação de descartáveis soprados”, afirma o diretor da Mecalor, de São Paulo, János Szegö. As vantagens variam caso a caso e levam em consideração ainda diferentes parâmetros de processamento. “Toda a indústria que almeja competitividade, além da qualidade do produto final, precisa de água gelada. O emprego exclusivo de torre não garante resfriamento tão bem controlado”, avalia o empresário.

Tais equipamentos, considerados auxiliares ou periféricos (termo quase em desuso), tornaram-se indispensáveis na extrusão, principalmente de filmes do tipo balão, cuja tarefa de resfriar o ar soprado é complementada pela ação de trocadores de calor, item de série na maioria das máquinas comercializadas no País. Para o diretor da Mecalor, soprar o balão com ar ambiente torna o processo extremamente variável, aumentando o desperdício e o tempo de ajuste da máquina, entre outros problemas. Em menor escala, equipam termoformadoras, rotomoldadoras e extrusoras de chapas e perfis.

Dentre as aplicações industriais, destacam-se ainda os setores gráfico, de galvanolplastia, equipamentos médico-hospitalares (ressonância magnética, raio X, tomografia, etc.), alimentício e outros que requeiram troca de calor. “São usados para turbinar a produção”, brinca Szegö. Para atender às expectativas e necessidades dos transformadores nacionais, o setor de refrigeração, incluindo controladores de temperatura e trocadores de calor, aposta no desenvolvimento de máquinas mais compactas, econômicas, de fácil manuseio e manutenção.

Dentro desse universo, a demanda nacional, em torno de 1.200 equipamentos/ano, oferece grande capacidade de expansão, sendo disputada por fabricantes locais e estrangeiros. Nos últimos anos, os investimentos nessa área aumentaram muito. Empresas nacionais, de olho no mercado externo e atendendo às crescentes exigências do transformador, investiram em novos desenvolvimentos. 

Agregaram aos equipamentos de linha recursos antes encontrados apenas nos modelos importados, como os compressores herméticos tipo scroll, capazes de reduzir o consumo de energia elétrica em até 25%. Os fabricantes estrangeiros resolveram se instalar no País, como as italianas Piovan e Corema e a americana Semco Bac que comprou a paulista Frigotermo.

Mercado – Mais de uma dezena de fabricantes disputam o acirrado mercado brasileiro de chillers. Os principais estão instalados no Estado de São Paulo e atuam em todo o território nacional, com ênfase também no Rio de Janeiro e Minas Gerais. Destacam-se ainda pequenas fábricas gaúchas de São Leopoldo e Caxias do Sul, voltadas para o atendimento regional. Pelo menos 70% dos equipamentos nacionais seguem para o setor de plástico. O restante da produção atende a aplicações na área médica, farmacêutica, alimentícia e gráfica, entre outras.

Segundo os fabricantes, a oferta, superior à demanda, e a diferença cambial limitam as importações, estimada em 10%, na avaliação de Szegö. O maior prazo de entrega e as dificuldades nos serviços de assistência técnica também contribuem para reduzir as compras no exterior. O mesmo não ocorre no mercado de equipamentos hospitalares, cuja a importação de sistemas completos, incluindo as unidades de água gelada, ainda predomina. Trata-se de um nicho com potencial de crescimento para o produto nacional.

De acordo com o diretor da Piovan, de Osasco-SP, Fernando Nicolosi, o mercado mundial de unidades de água gelada cresce em média de 2% a 3% ao ano. Para o Brasil, no entanto, a expectativa de alta é superior. Três fatores justificam a estimativa: o aumento de máquinas de transformação instaladas no País; a renovação e modernização do parque produtor pela substituição de equipamentos obsoletos; e o acesso a novas tecnologias por parte dos moldadores de pequeno e médio portes. 

“Tudo depende do cenário de investimentos”, adverte o diretor. Em 2001, no entanto, os números registraram queda entre 10% e 15% na demanda, influenciados pela crise de energia elétrica a partir do segundo trimestre. 

A recuperação, iniciada no quarto trimestre, se manteve nos primeiros meses de 2002. “Projetos estão sendo concluídos.” Na avaliação de Nicolosi, as vendas devem crescer ainda incentivadas pelo aumento das exportações. A Piovan do Brasil exporta entre 20% e 30% da produção, em maior proporção para a América do Sul. Neste ano inicia vendas para o México. Apesar das perspectivas otimistas, Nicolosi adverte que o mercado se manterá superofertado, reduzindo a atuação de muitas empresas. “Não há espaço para todos”, acredita.

Ressalta ainda o grande volume de impostos não dedutíveis, que incidem diretamente nos custos do produto nacional. Para exemplificar, cita a carcaça metálica usada nos chillers, cujas taxas são 22,7% superiores às italianas. “Na média, a carga tributária representa de 20% a 30% do equipamento.” A tributação, segundo ele, dificulta o avanço das exportações e o crescimento do mercado nacional. “Mesmo assim, os fabricantes locais conseguem fornecer a preços baixos e serem competitivos no exterior.”

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