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MOLDES
FABRICANTES SE APRONTAM
PARA COMPETIR NA ALCA
Estudo da Câmara Setorial mostra o que as empresas precisam para ganhar competitividade internacional
Simone Ferro
Os fabricantes de moldes para a transformação de plástico têm pouco tempo e muito trabalho pela frente. Preparar-se para concorrer na Área de Livre Comércio das Américas (Alca) representa hoje o maior desafio do setor.
| O alerta é do presidente da Câmara Setorial de Ferramentaria e Modelação (CSFM), da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas (Abimaq) Edson Miranda. A análise tem como base dados preliminares de um estudo sobre a competitividade das ferramentarias frente à Alca, elaborado pela Abimaq. O trabalho, em fase de conclusão, visa auxiliar os associados nas decisões relativas a investimentos e prospecção de mercado, além de suprir os negociadores com informações confiáveis. |
Cuca Jorge |
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| Miranda pede união na cadeia produtora |
Dentro desse contexto, promover a união de toda a cadeia torna-se a principal meta da atual diretoria da CSFM, eleita em outubro do ano passado. Não é tarefa das mais fáceis. Só para se ter uma idéia, as atividades da câmara ficaram suspensas por mais de um ano. Atualmente conta com apenas 26 associados num universo de mais de 1.200 empresas identificadas na primeira pesquisa do setor, realizada pela Maxiquim Assessoria de Mercado, a pedido do Instituto Nacional do Plástico, em 1999. A CSFM representa também os fabricantes de ferramentas de corte, ampliando ainda mais o campo de atuação.
O estudo da Abimaq promete traçar o perfil econômico de um segmento industrial quase desconhecido, marcado pela ausência de dados históricos ou informações setoriais confiáveis. Dominado por pequenas empresas, muitas vezes familiares, o mercado divide-se em três pólos principais: São Paulo, com destaque para a região do ABC; Joinville-SC; e Caxias do Sul-RS, cujo número real de concorrentes ainda não foi computado.
Recursos para modernizar a produção e incentivos para exportar nunca encontraram grande respaldo, mas sempre fizeram parte da pauta de reivindicações do setor com excepcional potencial de crescimento. Depois de anos batendo na mesma tecla, os fabricantes nacionais ainda não conseguiram implementar iniciativas consideradas básicas para o seu desenvolvimento. A criação do Pólo Nacional de Excelência Tecnológica, proposta há mais de cinco anos pela Abimaq, ainda não decolou. Na verdade, a formação de clusters (denominação em inglês para a união de empresas com interesses comuns) conquistou poucos adeptos. Há registros de parcerias em Joinville-SC e Caxias do Sul-RS e projeto de parceria em Mauá-SP.
Quarto projeto – O INP coordena grupo de trabalho para o desenvolvimento de um pólo de moldes na região do ABC, formada pelos municípios de Santo André, São Bernardo, São Caetano do Sul, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra.
| Cuca Jorge |
“Trata-se de uma aspiração antiga do empresariado”, afirma o superintendente do instituto Paulo Dacolina. O grupo, constituído no Seminário do Setor de Plástico do Grande ABC, em 2001, analisou três projetos elaborados anteriormente, incluindo o da Abimaq, e defende a criação de Complexo Industrial Básico, reunindo ferramentarias e prestadores de serviços, além de grupo encarregado de difundir a atividade. “Trata-se do pontapé inicial para atingir a amplitude do pólo, uma maneira de induzir a instalação de empresas correlatas no mesmo sítio, fortalecendo a atividade”, afirma Dacolina. |
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| Dacolina: pólo de moldes é antiga aspiração
do setor |
Na opinião do assessor da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast) Ronald Caputo, o cluster organizado é uma tendência da nova política industrial. “Uma importante ferramenta frente à globalização”, afirma. A proposta do INP já foi apresentada às secretarias de desenvolvimento dos municípios que compõem a região do ABC.
| Entre os objetivos do pólo estão a qualificação da mão-de-obra e a ampliação da cadeia produtiva e do número de empregos, além da criação de selo de qualidade com base em parcerias com o Sebrae e fabricantes de máquinas, e o apoio do poder público visando a obtenção de incentivos fiscais e a criação de linhas de crédito. |
Cuca Jorge |
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| Caputo: os cluster são uma tendência |
De acordo com Dacolina, o trabalho está longe de ser concluído. A quarta edição do seminário, realizada em 26 de agosto, no Teatro Municipal de Mauá-SP, não registrou avanços significativos. Sem o aval das prefeituras e apoio de agentes financeiros não há como nomear o gestor do complexo e definir o local de implementação, a infraestrutura necessária e o volume de investimentos para a construção civil.
O projeto pioneiro, elaborado pela Abimaq, emperrou nessa fase. Em 2001 chegou a receber sinal verde do Sebrae, mas a cor do dinheiro ninguém viu. Nos últimos anos, as ferramentarias demonstraram fôlego para reduzir o fosso tecnológico que as separam de empresas do primeiro mundo, deixando amostra grandes conquistas, mas também inúmeras limitações. A capacidade produtiva é limitada em volume e tecnologia. A efetivação da Alca, prevista para 2005, exige ações urgentes na avaliação de Miranda. “Não se contrata um plano de saúde quando já estamos doentes. Quem não se preparar agora terá sérios problemas no futuro”, alerta.
O presidente da CSFM sugere algumas ações, entre elas a adoção de normas de qualidade ISO 9000, investimentos na atualização tecnológica e a especialização da produção, buscando nichos onde se obtém maior produtividade e competitividade. Ressalta ainda a importância de fortalecer a câmara setorial. “Não basta associar-se à Abimaq, mas participar ativamente das ações e programas da entidade, importante parceiro das indústrias.” Em maio, a CSFM promoveu o Seminário de Integração na sede da entidade, visando aumentar o quadro associativo. O próximo será em Joinville, ainda sem data confirmada.
A iniciativa faz parte do Projeto Setorial Integrado do Plástico, Moldes para Plástico e Borracha (PSI Plástico), primeiro programa da Abimaq aprovado pela Agência de Promoção de Exportação (Apex). O PSI prevê diversas ações até maio de 2004, tais como prospecção de mercados, seminários, cursos de comércio exterior, missões e feiras no exterior, programas de fortalecimento da imagem do setor, implantação compartilhada da ISO 9000 por intermédio do Programa Abimaq de Excelência (PAE), estudos econômicos e auditorias.
O PSI Plástico tem o objetivo de preparar o pequeno e médio empresário para as exportações, além de fortalecer a atuação e a imagem do País. “O ferramenteiro brasileiro precisa conhecer o mercado lá fora, porque o estrangeiro já conhece bem o nosso”, avalia Miranda. Com poucas empresas capacitadas para confeccionar ferramentas com mais de 20 toneladas, o Brasil tornou-se grande importador de moldes, principalmente da Europa e Ásia.
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