Tecnologia nacional – Com investimentos da ordem de um milhão de reais, a Itatex, de Campinas-SP, desenvolveu produtos antichama à base de hidróxido de magnésio, com diferentes propriedades físico-químicas, de modo a atender às particularidades dos polímeros. De acordo com seu gerente industrial Antonio Alonso Ribeiro, o desenvolvimento da nova tecnologia demandou cerca de cinco anos de pesquisa. Ele estima um consumo inicial até 100 toneladas mensais, enquanto sua capacidade instalada alcança 1.000 t/mês. “O mercado ainda é desconhecido”, diz.

O retardante à base de hidróxido de magnésio é indicado em especial ao setor eletroeletrônico, para aplicação em PVC e outras poliolefinas, visando à produção de fios e cabos antichama com baixo índice de fumaça, mas também pode ser usado em plásticos de engenharia e elastômeros sintéticos. Além da função antichama, o hidróxido de magnésio funciona como inibidor de trilhamento elétrico, que se forma pelas correntes de fugas e descargas elétricas locais.

O hidróxido de magnésio atua como antichama e supressor de fumaça quando a temperatura local ultrapassa os 300 ºC, provocando sua decomposição endotérmica, que gera água e óxido de magnésio. Durante a decomposição, parte do calor local é consumido, retardando o processo de queima. Também a água liberada funciona como um diluente dos gases combustíveis gerados na pirólise (quebra de uma estrutura sólida pelo calor) do polímero, além de reduzir a concentração local de oxigênio. O produto ainda pode ser associado a outros antichamas não halogenados, como borato de zinco, cianurato de melamina e hidróxi-estanato de zinco.

A Itatex ainda produz triidróxido de alumina. “Mas a alumina perde o efeito antichama por volta de 200 ºC, enquanto o hidróxido suporta até 400 ºC”, informa Ribeiro. Os silicatos de alumínio complementam a linha de produção da empresa. Segundo ele, são cargas minerais especiais, que agregam propriedades físico-químicas importantes aos produtos.

Chumbo grosso – Por suas conseqüências deletérias ao meio ambiente e à saúde humana, o uso de metais pesados, como o chumbo, o bário e o cádmio, entre outros considerados tóxicos e cancerígenos, estão com os dias contados na produção de estabilizantes para compostos de PVC. O cádmio já foi proibido na Europa e o chumbo trilha caminho semelhante. Esses mesmos países europeus já se comprometeram a banir também o chumbo. Na verdade, trata-se de um compromisso voluntário, sem força de lei.

“Hoje o chumbo só é proibido na Austrália, mas um compromisso voluntário na Europa prevê sua substituição total até 2010 e o mercado brasileiro deve seguir na mesma direção”, informa o presidente do Instituto do PVC Francisco de Assis Esmeraldo. Mas os cuidados com o uso desses metais pesados e as quantidades deles incorporadas aos compostos seguem normas de segurança e saúde, não incorrendo em quaisquer problemas, assegura Miguel Baiense, também do referido Instituto.

Na opinião do presidente da Bärlocher, de Americana-SP, Juan Carlos Melcón, o Brasil parece disposto a sair na frente dos países europeus. Fabricantes de compostos e de aditivos assumiram o compromisso perante o Instituto do PVC de fazer campanha junto aos transformadores, a fim de convencê-los a substituir o chumbo no PVC rígido (70% do mercado representado por tubos), até 2004.
Não será uma tarefa fácil. “Vendo uma quantidade razoável de bário/cádmio porque o mercado pede”, admite Melcón. Hoje, só a indústria automobilística e o setor médico proíbem os metais pesados na composição de suas peças. Segundo ele, também existe uma lei no Sul do País que obriga a indústria de calçados a eliminar o cádmio, mas a lei é letra morta. “Tentamos convencer o mercado a adotar o cálcio/zinco, mas o custo mais elevado impede o avanço”, diz. E a diferença nem é tanta assim. De acordo com o presidente, estabilizar o PVC com cálcio/zinco equivale a acrescer nos custos dos insumos do transformador o máximo de 3% em relação ao chumbo.

Presente no Brasil desde 1972, a Bärlocher produz estabilizantes líquidos à base de bário/cádmio, bário/zinco e cálcio zinco; e sólidos, à base de chumbo (a maior parte da produção), bário/cádmio e cálcio/zinco. A capacidade total desses produtos é da ordem de 10 mil t/ano (7.500 de sólidos e 2.500 de líquidos). No passado, a empresa já produziu no País estabilizantes à base de estanho e fosfitos orgânicos, mas a unidade foi fechada no final da década de 80. “A demanda não justificava os custos elevados”, assevera Mélcon. Entre as duas linhas, a capacidade somava 3 mil t/ano. A partir do próximo ano essa mesma fábrica deve operar de novo, mas adaptada para produzir lubrificantes, basicamente ésteres e alguns tipos de ceras sintéticas, informa. A nacionalização desses produtos vai demandar investimentos da ordem de US$ 200 mil.

Na opinião de Mélcon, os produtos da Bärlocher à base de cálcio/zinco conferem aos compostos a mesma produtividade garantida pelo chumbo e vai além, melhorando as características físicas do produto, como a resistência ao impacto e à pressão. Tanto a empresa aposta no crescimento dos estabilizantes à base de cálcio/zinco no mercado brasileiro, que aplicou cerca de US$ 1,2 milhão em nova fábrica de estearatos de cálcio e zinco, insumos básicos para produção dos estabilizantes.  Cuca Jorge
Mélcon: mercado ainda pede bário e cádmio

A unidade, de 4.000 t/ano, deve iniciar as operações em janeiro de 2003.

As linhas à base de cádmio estão sendo aos poucos substituídas por cálcio/zinco na Akzo, informa seu vendedor técnico da área de aditivos e estabilizantes Edilson Pereira. Segundo ele, a empresa também disponibiliza aditivos à base de estanho, mas o consumo brasileiro de estabilizantes isentos de metais pesados ainda é incipiente, da ordem de 15 t/ano, calcula. O principal consumidor é o setor alimentício (embalagens e produtos que entram em contato direto, como peças de geladeira).

Para Pereira também o custo mais elevado freia o crescimento do cálcio/zinco e o usuário final ainda não mostra disposição para pagar essa diferença. Aos interessados, a Ackros, divisão da Akzo responsável pelos negócios dos estabilizantes, dispõe de cerca de 300 formulações.

<<< Anterior

Próxima >>>