ADITIVOS

SAÚDE E MEIO AMBIENTE
NORTEIAM OS FABRICANTES


Novas opções em aditivos permitem
eliminar da composição do plástico
as substâncias de potencial tóxico



Maria Aparecida de Sino Reto

O mercado de aditivos sofreu profundas mudanças nos últimos anos, impostas tanto pelo avanço tecnológico dos polímeros em geral, requerendo produtos de melhor desempenho, como pela pressão de ecologistas e cientistas, preocupados em erradicar o uso de substâncias potencialmente prejudiciais à saúde e ao meio ambiente. Graças a essa evolução, já é possível substituir metais pesados, como chumbo, bário e cádmio, de larga aplicação como estabilizantes térmicos. A indústria também desenvolveu opções para as substâncias halogenadas, eficientes retardantes à chama, mas emissores de gases tóxicos em casos de incêndio, e ainda para os plastificantes à base de ftalatos, de grande uso na produção de PVC, mas alvo de discussão global por possíveis efeitos carcinogênicos.

Divulgação
Fio de poliamida sem aditivo, à esquerda, e aditivado com estabilizante multifuncional

Em alguns casos o desenvolvimento tecnológico permitiu aliar funções, como o uso conjunto de retardantes à chama à base de éster fosfato orgânico associado a borato de zinco, bom supressor de fumaça, como alternativa ao trióxido de antimônio, muito usado no PVC. O trióxido, aliás, é contra-indicado pelo gerente de vendas na América do Sul de Químicos Funcionais da Akzo Nobel José Armando Abdo Oliva. Segundo ele, o produto até pode ser adicionado à dupla éster fosfato/borato de zinco para aumentar a eficiência do aditivo, porém, isolado, gera fumaça tóxica. 

Outra boa alternativa ao trióxido, para elevar a eficiência do fostato/borato de zinco, consiste na alumina triidratada, sugere Oliva. 
Em sua opinião, o uso dessas substâncias tende a crescer no mercado mundial. Já são conhecidos na Europa e Estados Unidos, porém pouco disseminados no País.
Cuca Jorge
Oliva contra-indica o uso isolado do trióxido de antimônio

Outro ponto a favor dos ésteres fosfatos é o fato de, além de retardantes à chama, também acumularem função de plastificantes, substituindo com vantagens os ftalatos, na opinião de Oliva. Os ésteres fosfatos apresentam baixa toxicidade e, em menos quantidade, é possível conferir igual eficiência, assegurando propriedades físicas e mecânicas similares aos ftalatos. Mas custam caro, cerca de duas vezes mais.

Também a Bayer concorre nesse segmento com produtos específicos para PVC e poliuretano. 

Cuca Jorge São formulações à base de fosfato com agentes inibidores da queima e supressores de fumaça, igualmente com características de plastificantes, explica seu coordenador técnico de vendas Carlos Alberto Dizioli. Os fosfatos são atóxicos e podem ser usados sem problemas, garante. A linha inclui produtos à base de difenil 2-etil hexil fosfato, difenil cresil fosfato, tricresil fosfato e trifenil fosfato.
Dizioli assegura: os fosfatos são atóxicos

Sem halogênio – Eficientes na contenção do fogo e também promotores de melhor resistência química, os halogênios, como o cloro e o bromo, constituem uma das quatro principais bases tecnológicas para conferir características antichama aos plásticos (fosfatos, aluminas, halogenados e aminas modificadas). Em casos de incêndios, porém, provocam efeitos deletérios, como a liberação de fumaça contendo gases tóxicos muitas vezes corrosivos, como os ácidos clorídrico e bromídrico. As pessoas não se queimam, mas podem sufocar-se. Por isso, os fabricantes se empenharam em desenvolver alternativas para substituir os halogênios sem prejudicar a eficiência no combate à propagação da chama.

“Os produtos não halogenados, ecologicamente corretos e seguros, são produtos novos, com mercados ainda pequenos, mas em franco crescimento”, acredita Paulo Novas, da divisão de aditivos da Clariant. Segundo ele, as novas opções já são bem aceitas no exterior, mas ainda pouco disseminadas no mercado brasileiro. Cuca Jorge
Novaes: não halogenados firmam posição

No caso de termofixos, como as resinas de poliéster insaturado e epóxi, a alumina triidratada constitui uma saída freqüente para substituir os halogênios. Mas Novas alerta para um inconveniente: a alumina aumenta a viscosidade da resina, em razão das altas concentrações necessárias para atingir os níveis requeridos de retardância à chama. Para resolver o problema, ele propõe o uso de produtos à base de polifosfato de amônio em associação com alumina triidratada. Segundo ele, a sinergia entre as duas substâncias garante boa redução na quantidade necessária para atender às especificações de retardância à chama da peça. A mistura ainda garante melhora no processamento, excelentes propriedades mecânicas, diminuição do peso específico e, por conseqüência, redução de custo.

O mesmo polifosfato de amônio associado aos agentes de sinergia (em geral à base de nitrogênio) é boa opção para substituir os halogênios nas poliolefinas (polietileno e polipropileno, em particular), informa Novas. Por sua eficiência, pode ser usado em baixas dosagens, garantindo à peça excelentes propriedades mecânicas.

Outra alternativa sugerida por Novas é o fósforo vermelho, usado há duas décadas como retardante à chama e também como aditivo promotor de propriedades extras nos náilons. Segundo ele, o fósforo garante, com baixas dosagens, excelentes propriedades elétricas. É ideal, portanto, na fabricação de componentes elétricos e eletrônicos. Também apresenta sinergia na presença de alumina triidratada nas poliolefinas.

Com linha de aditivos destinada à maioria dos polímeros (exceção para o PVC e espumas de poliuretano), a Ciba detém a tecnologia das aminas modificadas, descoberta pela empresa há cerca de um ano. 

Cuca Jorge As aminas estericamente bloqueadas, também conhecidas por HALS (hindered amine light stabilizers), além de ser um estabilizante à luz ultravioleta, quando modificadas (adição de oxigênio entre o grupo amínico e a ramificação), atuam também como eficiente retardante à chama. São produtos orgânicos, inofensivos ao meio ambiente e à saúde, declara o seu gerente nacional de vendas da área de aditivos para plásticos Luiz Carlos Roncaglione.
Roncaglione: portfólio maior com parcerias

Além disso, basta pequena porcentagem do produto, entre 1% e 5% no máximo, para conferir as características especificadas, o que garante a manutenção das propriedades do plástico. As aminas modificadas ainda apresentam sinergia com outros aditivos, podendo ser fornecidas na forma de blendas para desempenhar diversas funções.

Além das aminas modificadas, a linha de retardantes à chama da Ciba também dispõe de fosfatos modificados e melaminas. A inclusão dos fosfatos é recente e resulta de uma parceria com a DSM holandesa, que os produz. A Ciba assumiu a comercialização e suporte técnico exclusivos do produto no mercado mundial. “Nosso objetivo é dispor de toda gama de aditivos para plásticos”, informa Roncaglione.

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