SOPRADORAS

REPOSIÇÃO LENTA MANTÉM
70% DO PARQUE OBSOLETO 

A indústria 
precisa renovar 
máquinas, 
mas crise econômica 
e dificuldade 
de acesso a 
financia-
mentos 
freiam novos 
investimentos

Maria Aparecida de Sino Reto

Estimado em 5.000 máquinas, o parque industrial brasileiro de sopro precisaria renovar 70% desses equipamentos, avalia Fernando Moraes, vice-presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Acessórios para a Indústria do Plástico (CSMAIP), vinculada à Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), e também gerente nacional de vendas da Bekum, empresa de origem alemã com fábrica de sopradoras instalada em São Paulo. Tamanha necessidade já seria suficiente para garantir demanda expressiva. Não é. O setor conseguiu respirar um pouco mais aliviado em 2000, depois de amargar os piores resultados de sua história entre 1996 e 1999. 
Moraes: corte nos custos já ajudou a elevar as vendas e o faturamento

No ano passado, iniciado com expectativas de aquecimento, se manteve morno. De acordo com Moraes, o mercado brasileiro deve absorver cerca de 150 máquinas/ano. Como necessita substituir mais de 3.500 sopradoras, nesse ritmo, a indústria nacional precisará de mais de 23 anos para se atualizar.

“A situação se agravou com os juros altos, a carga tributária e a dificuldade de acesso a financiamentos, pois os transformadores não conseguem passar esse custo lá na frente, inibindo seus investimentos”, pondera Moraes. 

O dólar em alta, prejuízo para os importadores, beneficiou a produção nacional com tecnologia alemã da Bekum, que aproveitou a boa fase para voltar a abastecer o mercado com sopradoras de grande porte. A empresa terceirizou o fornecimento de quase 40% dos componentes de suas máquinas e também conseguiu baixar os custos de produção, tornando-se mais competitiva. 
Capacidade anual da Bekum atinge 60 máquinas

“Reduzimos os custos em torno de 15%”, assegura. A meta é chegar em 22%. Os esforços já valeram aumento de 6% nas vendas de máquinas e 30% no faturamento da empresa no ano passado, em relação a 2000. Nas estimativas de Moraes, a Bekum, em 2001, vendeu 40 sopradoras, 20 abaixo de seu limite produtivo. Com o mercado brasileiro acenando algum fôlego a mais para investir, Moraes espera comercializar pelo menos 45 máquinas neste ano. Enquanto isso, as exportações continuam pouco representativas. Estáveis nos últimos quatro anos, representam em torno de 8% da produção.

Os modelos de maior saída na Bekum contemplam as máquinas de alta produção, de até 5.800 frascos/hora, com múltiplas cavidades, saída orientada, hidráulica proporcional e estampagem (retirada de rebarbas), informa Moraes. São elas a BM 704 DS (a de maior porte), BM 602 D, BM 304 DE e BM 304 SE (a menor da família). Aos interessados, o preço depende da configuração, que é determinada pelo produto a ser soprado, diz o gerente.

Ao todo, a Bekum dispõe de 17 modelos de máquinas, projetadas para extrusão contínua ou acumulação, caso de peças acima de 20 litros. 

A menor sopradora fabricada é a H 111 S, para até 3 litros, e a maior, a BA 100, para até 160 litros. No caso das bombonas, Moraes destaca tecnologia desenvolvida pela Bekum e patenteada, para produção em máquinas por acumulação e com faixa visora.
Faixa visora é feita em máquina de acumulação


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