DISTRIBUIÇÃO DE RESINAS



SOBRA RESINA E O LUCRO SOME

O segmento sofre com excesso de oferta, vendas em baixa e concorrência até da transformação

Simone Ferro

O excesso de oferta de resinas termoplásticas, aliado à queda no consumo nacional e à constante evolução no número de concorrentes, causou sérios problemas ao setor de distribuição desde o ano passado. O volume de vendas caiu, a concorrência aumentou e as margens de lucro sumiram das planilhas. Sem conseguir manter a rentabilidade do negócio, ficou satisfeito quem trocou seis por meia dúzia, quando muitos registram amargos prejuízos e alarmantes índices de inadimplência. Para complicar ainda mais, tem transformador vendendo resina. A fim de desovar o estoque não processado, o cliente vira concorrente informal e salve-se quem puder.

Calcula-se o surgimento de mais de uma dúzia de novas empresas nos últimos 24 meses, dentre as quais revendas não autorizadas que compram cotas aqui e ali, aproveitando as oportunidades comerciais sem vínculos ou responsabilidades com petroquímicas e transformadores. 

De acordo com estimativas do setor, atuam no País entre 15 e 20 distribuidoras autorizadas, representantes oficiais das petroquímicas, e quantidade ainda maior de concorrentes sem bandeira, perfazendo um universo superior a 40 empresas com maior concentração no Estado de São Paulo. “Seria satisfatório, não fosse o grande número de revendas”, avalia o gerente nacional de negócios da Ipiranga Comercial Química João Miguel Thomé Chamma.
Chamma: problemas afetaram toda a cadeia

A instabilidade econômica, segundo ele, agravou a situação de toda a cadeia que há alguns anos opera com margens extremamente reduzidas, ou inexistentes em muitos casos. A demanda por produtos transformados caiu 2,7%, recuando de 3.782 mil toneladas, em 2000, para 3.660 mil t no ano passado, segundo informações divulgadas pela Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast), enquanto o consumo aparente de resinas passou de 3.782 mil t para 3.680 mil t, de acordo com a Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim).

O primeiro quadrimestre de 2002 também começou muito fraco. Os números do Sindicato das Indústrias de Resinas Sintéticas do Estado de São Paulo (Siresp) apontam retração de 7,86% no consumo aparente das principais commodities, entre janeiro e abril, em comparação com o mesmo período do ano passado. As produções dos polietilenos linear, de alta e baixa densidade (PEBDL, PEAD e PEBD), polipropileno (PP), poliestireno (PS), policloreto de vinila (PVC) e acetato de etilvinila (EVA) somadas se aproximam de 1.070 mil t, contra cerca de 1.164 mil t do primeiro quadrimestre de 2001, queda de 8,07% atribuída às paradas programadas e não programadas das centrais petroquímicas.

Os polietilenos registram as principais baixas. De acordo com o Siresp, o consumo aparente de PEBD ficou 18,9% menor, o de PEBDL caiu 14,15% e o de PEAD, 18,38%. O EVA também reduziu a participação em 15,08%, enquanto o PP recuperou 1,55% e o PVC, 3,18%. A entidade deve concluir a análise do primeiro semestre em meados de agosto.

Parceria em cheque – As instabilidades econômicas, aliadas à crise setorial trazem à tona outras deficiências. O relacionamento entre e as petroquímicas e seus parceiros comerciais, tão valorizado e apregoado tempos atrás, apresenta sinais de desgaste. Na opinião de alguns distribuidores oficiais, a situação seria menos crítica caso as petroquímicas cumprissem as promessas de parceria. “Os produtores têm conhecimento das operações informais realizadas pelos transformadores, na maioria das vezes grandes compradores, e da atuação de revendas no mercado da oportunidade, sem vínculos ou responsabilidades com o fornecedor e o cliente, e mesmo assim vendem para essas empresas indiscriminadamente. Sabem o quanto tudo isso prejudica a saúde financeira das distribuidoras, seus parceiros comerciais que passaram anos investindo em estrutura de pré e pós-venda. Mas, grande parte faz vista grossa porque opera sem margens há muitos anos e precisa vender a qualquer custo”, afirma o diretor de renomada distribuidora que prefere não se identificar.

Com isso, o setor, que nunca primou pela organização, mas registrava conquistas importantes nos últimos anos, voltou no tempo. Na opinião do diretor comercial da Polipolymer, de São Paulo, Fritz F. Johansen Neto as distribuidoras investiram alto para agregar serviços à venda de resinas termoplásticas.
Johansen lamenta distanciamento do produtor

“O trabalho realizado nos últimos três anos não tem valor no momento. Todos perdem com a falta de estratégia de distribuição, inclusive o transformador”. A expectativa, no entanto, é reverter a situação tão logo o mercado se estabilize. Johansen e outros empresários apostam no segundo semestre, até por uma questão de sazonalidade. 
Trata-se de um período mais aquecido em decorrência do Dia das Crianças, das festividades de final de ano e do início do verão, entre outros fatores.
Previsões otimistas estimam crescimento entre 5% e 6 % ainda em 2002. “O transformador reconhece os benefícios da operação com distribuidor autorizado”, afirma Johansen. Parceria capaz de auxiliar no desenvolvimento de produtos e planejamento e logística, e demais benefícios tão difundidos e valorizados nos últimos anos. “A distribuição presta serviços que a revenda não oferece.” 
Johansen lamenta o atual distanciamento entre algumas petroquímicas e seus parceiros. “Não há mais reuniões periódicas ou troca de informações estratégicas.”

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