ENCONTRO DE FLEXOGRAFIA MOSTRA AVANÇOS

Aperfeiçoamentos tecnológicos elevam a qualidade e o fôlego para crescer sobre outros sistemas de impressão de filmes

Rose de Moraes

Vários indicadores levam a crer que o mercado flexográfico brasileiro deverá ainda colher bons frutos decorrentes dos avanços tecnológicos empreendidos nos equipamentos e insumos que lhe oferecem competitividade em relação a outros sistemas de impressão, como off-set e rotogravura.

Nos últimos cinco anos, o grupo Praxair, detentor de 143 fábricas instaladas em 52 países e com faturamento superior a US$ 5 bilhões ao ano, aumentou em dez vezes o fornecimento de cilindros entintadores aos usuários da flexografia no Brasil, estimando poder crescer pelo menos 7% ao ano nos próximos três anos para, só depois, inserir-se nos trilhos de uma produção mais moderada.

Outro indício positivo está na associação da Feva – Máquinas Ferdinand Vaders, de Cotia–SP, com o grupo PCMC – Paper Converting Machine Company, dos Estados Unidos, que tomou fôlego com o fornecimento de três máquinas flexográficas Avanti para o mercado internacional e agora deve tomar maior impulso com o início de fabricação, no segundo semestre de 2003, do mais novo modelo lançado pela companhia, o Infiniti II, destinado às impressões em oito e dez cores.

Essas e tantas outras novidades foram observadas durante o último encontro setorial da Abflexo, a Associação Brasileira Técnica de Flexografia, promovido em Águas de Lindóia–SP, de 4 a 7 de julho, e que se consolidou na realização do Fórum Abflexo 2002, evento constituído por palestras e feira flexográfica, que reuniu mais de 200 participantes.

Ao deslocar o evento pela primeira vez para uma das mais belas estâncias hidrominerais de São Paulo, a Abflexo tornou o evento singular. Refletiu a preocupação de reciclar os profissionais, mas também promover maior integração setorial, levando ao conhecimento dos presentes as mais recentes inovações do setor flexográfico em meio à descontração e atividades de lazer. 

Satisfeito com os resultados da promoção, o presidente da Abflexo e também diretor da Clicherlux Indústria e Comércio de Clichês e Matrizes, de Valinhos–SP, há mais de trinta anos no setor de embalagens flexíveis,

papelão ondulado e off-set, José Roberto Marcussi revelou que há algum tempo planejava mudar o formato das reuniões técnicas do fórum, pretendendo que o novo tipo de encontro se consolide nas próximas edições. Divulgação
(Esq. para a dir.) Assis Kawaguchi, Brycolor; José R. marcussi, Abflexo; Jorge Fumio Kurossu, Takano; e o consultor Sérgio Vay.

Desde que iniciou sua gestão à frente da Abflexo, dois anos atrás, Marcussi tem inovado como administrador, empreendendo contatos com outras associações congêneres, como Abigraf – Associação Brasileira da Indústria Gráfica, Abiea – Associação Brasileira da Indústria de Etiquetas Adesivas e Abtg– Associação Brasileira de Tecnologia Gráfica, visando estabelecer maior colaboração, firmar parcerias ou convênios, para aumentar a representatividade do setor perante os órgãos oficiais governamentais e o mercado. 

“A idéia de estabelecer maior cooperação entre as associações, visando o fortalecimento setorial, precisava ser lançada até porque já se observa no mundo a integração entre flexografia, off-set e rotogravura, envolvendo os fabricantes de equipamentos que lançam tecnologias combinadas em uma única linha de impressão”, acrescentou Marcussi.

Para o 2° vice-presidente da Abflexo Jorge Fumio Kurossu, também gerente da Takano Flexo Press, empresa constituída em 1997 pelo grupo Takano, líder em impressos promocionais, há 30 anos na área de off-set, a flexografia ganhou competitividade em relação a outros sistemas, graças ao desenvolvimento dos equipamentos, cilindros, chapas fotopolímeras e tintas, concorrendo, hoje, em domínios antes absolutos da off-set, a exemplo das embalagens cartonadas; ou da rotogravura, como embalagens flexíveis em PE e BOPP, utilizadas para acondicionar fraldas, absorventes, papel higiênico, verduras congeladas, frios embutidos, ração animal, entre outros.

Para o gerente de marketing da Feva, Edson Rabelo, os sistemas e materiais flexográficos estão aprimorados, podendo-se reproduzir quase todas as cores da escala Pantone, além de imprimir sobre a mais ampla gama de substratos flexíveis, como PEBD, PEAD, PP, BOPP, poliéster, termoencolhíveis, termoretráteis e laminados.

PCMC no Brasil – A parceria com a Feva já frutificou na exportação das três primeiras unidades do sistema Avanti, tecnologia desenvolvida pela PCMC, produzida em toda a sua parte mecânica pela Feva, de Cotia–SP, com tambor central finalizado pela Voith Sulzer do Brasil.

A primeira Avanti seguiu para o Peru, atendendo encomenda da Tech Pac. A segunda unidade viajou para a Áustrália e será instalada na Wind. A terceira tomou o rumo dos Estados Unidos, atendendo pedido da Bemis, e uma quarta unidade já se encontra em produção. “Conquistamos o respeito do mercado internacional que deverá continuar abrindo portas para receber as máquinas produzidas no Brasil”, afirmou Alceu Bicalho Júnior, gerente geral da PCMC do Brasil e gerente de exportações da Feva.

Os indícios de que os negócios devem crescer estão nas bases do novo acordo firmado entre as duas empresas, prevendo ampliar uma das plantas industriais da Feva, de 6 mil m² para 8 mil m², e cedê-la para a PCMC, a partir do segundo semestre de 2003. Nessa nova unidade será fabricado o novo modelo desenvolvido pela PCMC, a Infiniti II, para impressão de 8 e dez cores, direcionado aos grandes transformadores, consolidando-se a idéia de formar no Brasil uma nova base de exportação das tecnologias da PCMC.

A Infiniti, segundo Alceu Bicalho Júnior, possui larguras de impressão variáveis (1040 mm, 1270 mm, 1450 mm, 1650mm etc). Tal qual a Avanti, apresenta concepção gear less, ou seja, sem engrenagens, além de sistema de secagem avançado que funciona a ar comprimido, representando uma maneira inovadora de secar, em substituição ao uso de gás ou eletricidade adotados pelos sistemas convencionais. Pode atuar com tintas à base de solventes e à base de água, implementadas pela primeira vez sobre impressoras sem engrenagens de banda larga, possuindo ainda potencial de velocidades mais altas, porcentagem de solventes retidos mais baixa e operação com menor ruído.

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