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SETOR CRIA PROGRAMA
PARA EXPORTAR MAIS
As indústrias do setor plástico se uniram, e contam com o apoio do governo federal, para criar programa de incentivo às exportações de produtos acabados. No dia 20 de maio, o então secretário-executivo da Câmara de Comércio Exterior (Camex) Roberto Giannetti da Fonseca reuniu-se com representantes dos diversos elos da cadeia para discutir a iniciativa. Bastante otimista, o presidente da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast), Merheg Cachum apresentou preliminares do programa na coletiva de imprensa, realizada na solenidade de abertura da Feira Internacional de Embalagens- Brasilpack 2002, dia 21 de maio, no Pavilhão de Exposições do Anhembi, em São Paulo.
“A ação representa grande esforço do setor em prol de objetivo comum.
Começamos a falar a mesma língua”, salientou Cachum.
As medidas visam aproveitar os 25% de ociosidade das indústrias de transformação para substituir importações e aumentar as exportações, além de gerar superávit de US$ 800 milhões na balança comercial do plástico, em dois ou três anos. Nos últimos seis anos, a cadeia registrou déficit médio anual de US$ 1 bilhão. O valor estimado representa ainda efeito líquido de US$ 1,8 bilhão na balança comercial brasileira, pelas contas da Abiplast. “É uma incoerência. Exportamos resinas e importamos produtos acabados, muito mais caros, quando temos capacidade produtiva para alterar o quadro”, argumenta Cachum. |
Cuca Jorge |
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| Cachum: é incoerente exportar resinas e
importar peças prontas |
Atualmente o Brasil exporta em média 90 mil toneladas de produtos acabados por ano, cerca de 3% da produção, e importa quase o dobro. A meta é ampliar as exportações para 500 mil t/ano de artigos plásticos, que agregam mais valor quando comparados à venda de insumos básicos. “Os números demonstram o potencial exportador do transformador nacional.” De acordo com a Abiplast, há muito espaço para os artefatos brasileiros no exterior. Dentro desse contexto, o programa visa o reconhecimento de mercados alternativos, tais como a África do Sul e o Leste europeu.
Prevê ainda incentivos às empresas exportadoras, incluindo preços diferenciados para a compra de insumos, entre outras ações em análise. “As resinas, destinadas à produção de artigos para exportação, terão seus preços reformulados, partindo da Petrobrás.” De acordo com informações divulgadas pela Camex, o BNDES e o Banco do Brasil estudam mecanismos para garantir e facilitar o acesso ao crédito.
Na avaliação de Cachum, a saída de Giannetti da Camex e a posse do novo secretário-executivo Robério Oliveira Silva não interfere nos planos, nem altera os compromissos assumidos. “No dia 27 de junho, haverá mais uma reunião em Brasília para definirmos as diretrizes do programa”, afirma. A conclusão e efetivação das ações, previstas para setembro, dependem ainda de série de acertos. A criação de trading setorial para evitar a concorrência desleal entre as indústrias com condições de exportar integra a pauta.
A integração das indústrias de primeira, segunda e terceira gerações está em discussão há alguns meses, porém só agora os empresários do setor apararam arestas para encontrar soluções comuns. O elo da cadeia representada pelos transformadores conta com cerca de 7 mil empresas, responsáveis por 210 mil empregos diretos. O novo programa prevê a geração de 50 mil novos postos de trabalho.
Crise – De acordo com o balanço do mercado de transformação, divulgado pela Abiplast, o setor enfrentou dura crise em 2001, com seus principais indicadores registrando acentuada retração. O consumo de produtos transformados caiu 2,7%, recuando de 3.782 mil t, em 2000, para 3.660 mil t no ano passado. Com isso, o consumo per capita passou de 24,7 kg para 21,7, de acordo com estimativas da entidade.
O faturamento, que havia crescido 28% em relação a 2000, ficou 5% inferior, totalizando US$ 9,10 bilhões, contra US$ 9,63 bilhões. De acordo com Cachum, a retração do mercado quebrou a expectativa de crescimento médio ao redor de 8%, que havia se configurado a partir da expansão de 7% em 1998, 5,9% em 1999 e 9,8% em 2000. “Iniciamos 2001 com muito otimismo, mas o quadro se deteriorou no decorrer do período”, diz Cachum. O primeiro trimestre de 2002 também começou muito fraco. “Porém, vislumbramos a retomada do crescimento independentemente das eleições presidenciais”, afirma, sem arriscar previsões mais concretas.
Apesar das dificuldades, o déficit na balança comercial foi menor em relação ao período anterior. As exportações apresentaram pequena alta em volume – 142 mil t contra 156 mil t – cujos faturamentos correspondem a US$ 511 milhões e US$ 564 milhões. Já as importações de artefatos plásticos caíram de 277 mil t para 234 mil t ou de US$ 892 milhões para US$ 861 milhões, respectivamente.
O ano pode ser considerado atípico também para o setor de resinas. A indústria registrou queda no consumo aparente, passando de 3.782 mil t para 3.680 mil t, de acordo com a Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim). As paradas programadas e não programadas das centrais petroquímicas brasileiras resultaram em queda de 8,31% na produção do primeiro quadrimestre do ano, comparado a igual período de 2001. Segundo a Abiquim, a queda de 11% no volume das exportações, em especial para a Argentina, também influenciou na redução. Petroquímicos básicos sofreram com as paradas para manutenção da Companhia Petroquímica do Sul (Copesul), de 15 a 28 de abril, e da Petroquímica do Nordeste (Copene), de 1° de março a 10 de maio. A Petroquímica União (PQU) tem parada programada para breve. Com isso, especialistas prevêem queda de 20% na produção dos insumos básicos ao longo do segundo trimestre e no mês de julho. Entre os vilões do ano passado, os executivos citam a crise energética, a elevação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) de 5% para 15%, a alta dos juros, e a volatilidade do preço da nafta.
Máquinas – Incentivos à modernização do parque industrial representa outra frente de ação para reduzir importações e ampliar as exportações. Na opinião do presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) Luiz Carlos Delben Leite um os grandes desafios está em criar estímulos para a inovação tecnológica. Em 2001, o faturamento do setor de bens de capital mecânico ficou abaixo do esperado, cerca de R$ 30 bilhões. Porém, apresentou alta de mais de 11%. Nos primeiros quatro meses deste ano, as vendas totalizaram R$ 9,8 bilhões contra R$ 8,4 bilhões registrados em igual período de 2001, alta de 16%. As exportações registraram pequena redução no primeiro trimestre de 2002. Totalizaram US$ 5,1 milhões, contra US$ 6,3 milhões de 2001, devido principalmente à queda nas vendas para a Argentina. Para este ano, Delben estima crescimento de 10% no volume de vendas do segmento de máquinas para a indústria de plástico.
| Cuca Jorge |
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Leite: esforço para modernizar o parque
industrial de máquinas |
Delben Leite mostrou-se ainda bastante otimista com a realização da Brasilpack e o novo conceito de “ilhas” de produção apresentado no evento. Na coletiva de imprensa, falou sobre os Projetos Setoriais Integrados (PSIs) para os subsetores de plástico e metal-mecânico. A iniciativa integra o Programa de Exportações da Abimaq (Apexmaq), desenvolvida pela Agência de Promoção às Exportações (Apex) e Abimaq. Os investimentos são da ordem de R$ 10 milhões, dos quais R$ 5,5 milhões para o setor plástico.
As ações envolvem pesquisa e projeções de mercado, realização de seminários, cursos de comércio exterior, envio de missões e participação em feiras no exterior, bem como a implantação de ISO 9000 por meio do Programa Abimaq de Excelência (PAE) e outras medidas. Segundo Delben Leite, o setor de máquinas para plástico e borracha terão como mercado alvo alguns países da América Central, Norte da África e Leste Europeu. No total, prevê a realização de cinco missões comerciais e seis feiras. “Precisamos firmar a imagem do Brasil como um país industrializado, produtor de bens de capital mecânico de altíssima qualidade.”
Com relação à ampliação da demanda nacional, citou as ações previstas no Fórum da Competitividade, com investimentos da ordem de US$ 9,6 milhões apenas para o setor de transformação de plástico, até 2008. “São mais de 45 mil máquinas com mais de dez anos de uso para substituir.” Equipamentos que, segundo ele, serão sucateados e não recolocados no mercado. A modernização do parque deve demandar ainda a construção de 80 mil novos moldes.
Simone Ferro
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