PLÁSTICOS DE ENGENHARIA

CORRIDA TECNOLÓGICA IMPULSIONA
AS RESINAS DE ALTO DESEMPENHO


Material plástico garante maior liberdade de 
projeto e propriedades excepcionais e incentiva vários desenvolvimentos


Maria Aparecida de Sino Reto

A exigência crescente por materiais de melhor desempenho, mais resistentes a temperaturas elevadas e produtos químicos, promete vulgarizar siglas como LCP, COC ou PSU, dos polímeros de cristal líquido, copolímeros cicloolefínicos e polissulfonas, nessa ordem. 

Diferenciados dos plásticos de engenharia convencionais por suas características excepcionais, os plásticos de alto desempenho (PAD) ganham maior espaço na corrida tecnológica, responsável pela tendência de miniaturização de peças na indústria eletrônica, ou na compactação das autopeças, dois exemplos mais notáveis. Graças às propriedades diferenciadas, conseguem substituir com vantagens o metal, a cerâmica e outros materiais, permitindo projetar peças de maior complexidade e menor peso, além de reduzir custos e melhorar a aparência.

De acordo com estudos do consultor Albert Hahn, da Ecoplan, de São Paulo, editor da coluna “Posto de Escuta”, da Revista Química e Derivados”, a demanda global dos PADs deve atingir 230.000 toneladas em 2005, projetada a um crescimento de quase 7% ao ano sobre as 150.000 t do ano 2000, excluídos os fluorpolímeros, avaliadas em US$ 1,6 bilhão. Segundo esclarece Hahn, essas resinas representam, em peso, só 2,7% do consumo total de plásticos de engenharia, mas, em valor, já passam dos 13%.

O gerente técnico da Ticona Paulo De Callis acredita que os PADs devem crescer bem acima dos plásticos de engenharia convencionais porque boa parte do potencial de mercado para estes últimos já foi atingida, ao contrário dos PADs.  Cuca Jorge
De Callis: investimentos geraram economia de escala

Além disso, as propriedades dos plásticos de engenharia convencionais em aplicações de alto desempenho são limitadas e estimulam a procura por materiais superiores. 

Em conseqüência ao crescimento da demanda pelos PADs houve investimentos em novas fábricas mundiais que já entraram em operação e geraram economia de escala, permitindo oferta mais consistente e a preços competitivos.

Contudo, a participação nesse mercado é restrita a poucos fabricantes, a maioria global players, como a Ticona, maior produtora mundial de polímeros de cristal líquido (LCP) e de uma nova categoria de resinas chamada de copolímeros cicloolefínicos (COC); ou a DuPont, segundo maior produtor mundial de LCP e forte também nas polieterimidas (PEI) e poliimidas (PI); e também a Solvay, fortalecida pela compra dos negócios da BP Amoco no final de 2001, considerada hoje um dos maiores fabricantes de resinas de alto desempenho.

Com carteiras menores de produtos concorrem a Basf (polietersSulfona e poliamidas aromáticas); a DSM, única produtora de náilon 4.6; outras empresas sem participação direta no mercado brasileiro, como a Chevron Phillips, que desenvolveu o polissulfeto de fenileno (PPS) e mantém a liderança na produção mundial; e a Vitrex, principal fabricante da poliéter-éter-cetona (PEEK).

Assim como os plásticos de engenharia convencionais, essas resinas na maioria das vezes também não chegam puras ao usuário. São formuladas com reforços (fibras de vidro, de carbono, de aço ou aramida), cargas e aditivos, aumentando ainda mais suas propriedades e atenuando possíveis limitações. Seu uso no mercado brasileiro ainda é pouco expressivo por falta de conhecimento de suas propriedades técnicas e, talvez ainda mais, pela exorbitância do imposto de importação, da ordem de 15,5% por não constarem esses PADs do capítulo 19 da TEC (Tarifa de Comércio Exterior), responsável pelas alíquotas. São enquadradas no item “outros” sempre gravadas com taxas mais elevadas.

Na opinião de Zoé Moncorvo, diretora superintendente da Pepasa Plásticos de Engenharia, de Santos-SP, tradicional fabricante de especialidades na área de compostos, a importação de resinas básicas taxadas com o imposto mínimo, hoje de 3,5%, permitiria a introdução mais rápida desses polímeros especiais e a produção local de compostos de todos os tipos, com o benefício de possibilitar a fabricação local de peças importadas por indisponibilidade de matéria-prima.

Na liderança – Com a aquisição da BP Amoco, concluída no final do ano passado, a Solvay assumiu posição entre as líderes mundiais na área de polímeros de alto desempenho. Seu portafólio inclui hoje ampla variedade de grades de resinas amorfas e semicristalinas. Antes da aquisição da Amoco, a Solvay já fabricava polissulfeto de fenileno e poliarilamida (PAA). Depois da Amoco, adicionou à produção resinas à base de sulfona (PSU, PES, PPSU), poliftalamidas (PPA), policetonas aromáticas (PK) e polímeros de cristal líquido.

Cuca Jorge Para o coordenador de mercado de polímeros especiais na América do Sul, da Solvay Química, Alexandre Guimarães, a expansão dessas resinas pode até superar as estimativas dos 7% ao ano. Na opinião dele, também não há riscos de esses polímeros substituírem plásticos de engenharia convencionais. 
Guimarães: expansão pode até superar 7% ao ano

“A briga maior é para substituir metal e outros materiais, com vantagens como redução de peso e custo, ou facilidade de processamento”, pondera. Com os polímeros é possível consolidar diferentes peças metálicas numa única peça plástica, ressalta.

O mercado brasileiro ainda é pequeno, porém de grande potencial, acredita Guimarães. No ano passado, a empresa manteve os níveis de 2000 e trouxe para o País cerca de 100 t de resinas especiais, com destaque para a poliftalamida e a poliarilamida. Na opinião do coordenador, ainda não deu para sentir como será este ano. De qualquer modo, procura desenvolver o mercado e introduzir aplicações já existentes. “Se empatarmos já estará bom, mas temos expectativa de pequeno crescimento.”

Entre as novidades, Guimarães destaca o desenvolvimento de uma nova polissulfona de alta transparência para aplicações óticas, como fibras óticas e lentes. A nova resina permite produzir lentes mais finas e de melhor qualidade em relação ao policarbonato e acrílico, garante. O novo grade suporta temperaturas superiores em relação à maioria dos polímeros transparentes devido à sua alta temperatura de deflexão ao calor, de 174ºC, e ainda oferece excelente estabilidade dimensional, resistência química e à hidrólise. Também é versátil em termos de processo. Pode ser injetado, extrudado em chapas ou filmes, e termoformado.

Forte na Europa e em expansão nos Estados Unidos, no campo das polieterssulfonas, e também produtora de poliamidas aromáticas, cujas propriedades se situam entre as poliamidas 6.6 e a polissulfona, a Basf ainda não desenvolveu esses mercados no País, informa o diretor José de Santa Rita Vaz. A temperatura constitui a diferença básica entre essas resinas: as poliamidas aromáticas suportam uso contínuo de 240 ºC e fundem a 295 ºC. Podem substituir metais em peças automotivas ou na aviação. “Os custos limitam o uso”, justifica.

Cuca Jorge

Eva: plásticos especiais cresceram 200% em 2001

Melhor sorte teve a Lati, tradicional produtora de compostos italiana, com subsidiária em São Paulo. A diretora Eva Fernandez comemora aumento de 200% nas vendas de compostos de alto desempenho ao mercado sul-americano no ano passado, do qual o brasileiro respondeu por 80%. Os destaques foram as polissulfonas (80%) e o polissulfeto de fenileno, mais usados na área médica e de construção. Como a Lati ainda é nova na área de alto desempenho, e como o mercado está retraído, a diretora espera crescimento menor para este ano, da ordem de 50%.

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