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| Cuca Jorge |
Aditivos – Há duas práticas comuns nesse campo: ou o fabricante de masterbatch elabora sua própria formulação e a coloca à disposição dos transformadores, ou produtores de filme e de aditivos desenvolvem em conjunto a formulação considerada mais adequada para sua finalidade e a repassam para um fabricante de masterbatch produzí-la. |
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| Lima: aditivo degrada sem contaminar o solo |
“A maioria dos transformadores prefere a última opção”, assegura Rodrigo Lima, da Ciba. A explicação para essa preferência é o fato de o transformador com sua própria formulação ter maior flexibilidade para modificá-la de acordo com suas necessidades.
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Cuca Jorge |
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Mulching elimina 70% de agrotóxicos |
Para Lima, o aditivo de maior demanda é o estabilizante à luz, indicado para filmes usados em estufas, túneis, mulching e silagem. A receita tradicional desenvolvida pela Ciba consiste numa mescla de estabilizante de amina impedida estericamente de alto peso molecular e co-aditivos, resistente aos raios de luz ultravioleta, pesticidas, inseticidas e agentes de desinfecção do solo. Essa resistência foi elevada a partir de 2000, quando a Ciba incorporou à sua linha de estabilizantes a nova tecnologia de HALS NOR, promotora de alta resistência a agentes químicos, inclusive enxofre, muito usado na cultura de rosas, entre outras.
Outra família de produtos de larga demanda engloba os aditivos antigotejos. Essas especialidades químicas têm por objetivo reduzir a condensação da água nos filmes agrícolas. Além de diminuir a transmissão de luz e, por conseqüência, a produtividade, a formação de gotejo ainda queima as plantas (efeito lente).
Boa novidade é o novo aditivo foto-termo-degradável que promove a degradação completa do plástico dentro do período estipulado, sem gerar qualquer resíduo contaminante, assegura Lima. Essas especialidades podem ser incorporadas ao polietileno ou polipropileno, em concentrações variadas, determinando o tempo de vida útil do filme. O mecanismo da degradação é baseado na oxidação térmica e/ou foto-oxidação. O produto cai como uma luva para os usuários de mulching, facilmente misturado com a terra durante o cultivo, mas também pode ser aplicado em telas de proteção e telas de sombreamento, entre outros.
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| Fonte: Maxiquim |
Também a Clariant dispõe de família própria para o segmento agrícola, na forma de concentrado. Seu cardápio oferece estabilizantes à luz, antioxidantes, antigotejo e agentes infravermelhos (destinados à produção de filmes térmicos, proporcionam retenção mais efetiva do calor). Inclui ainda concentrado de ingredientes ativos para fotodegradação controlada de filmes de poliolefínicos, para uso na produção de filmes para mulching, por exemplo.
Agrofilmes – Há cerca de quatro fabricantes nacionais referência em filmes agrícolas: Plastisul e Poliagro, esta mais conhecida como Plasticultura Gaúcha, ambas no Sul do País; e as paulistas Nortene e Electro Plastic. A Poliagro, dirigida por Edílio Sganzerla, desenvolveu tecnologia própria durante 15 anos de atividade na plasticultura, e também conta com know-how oriundo dos fabricantes de resinas e aditivos. “Um exemplo é o filme seletivo antibotrytis, até o momento fabricado somente pela Poliagro e uma empresa israelense”, diz Sganzerla. O botrytis é um fungo que ataca flores e hortaliças, causando sérios danos e até comprometendo a colheita inteira. O fungo, no entanto, não se desenvolve em ambientes com luz cujos comprimentos de ondas ficam entre 280 e 320 nanômetros. E é justamente esse efeito que o filme antibotrytis proporciona. Para obter essa propriedade, o filme recebe absorvedores especiais e aditivos difusores de luz.
A Poliagro produz ampla gama de agrofilmes para estufas e túneis, como os ultravioleta transparentes e brancos, térmicos, difusores de luz, antivírus e antibotrytis. Também fornece filmes mulching e, há três anos, lançou a manta branca, especial para silagem forrageira. Além de forte presença no mercado brasileiro, a empresa exporta para países vizinhos, sobretudo Uruguai, onde sua marca predomina no setor.
Outro nome forte no mercado é a Nortene. Seu gerente da divisão agrícola Lincoln Franco Cruz garante ser a empresa que mais investe no setor e a única a oferecer tamanha variedade de produtos, além de filmes específicos, como o tricapa e o dupla face, únicos de produção nacional. O tricapa consiste num filme de três camadas, à base de PEBD, com três opções de aditivos, que podem ser usados isoladamente ou em conjunto: difusor de luz, antivírus e térmico. O primeiro confere efeito difusor de luz, ou seja, distribui luz e calor de modo homogêneo dentro da casa de cultivo. “É uma tendência irreversível”, diz. Graças a essa aditivação, a planta sofre menos stress, portanto, se desenvolve melhor, aproveita mais os nutrientes e fica mais resistente a doenças.
Já o antivírus tem ação indireta no controle do vetor do vírus. O aditivo bloqueia a passagem de uma faixa de luz ultravioleta visível para insetos transmissores de vírus, como a mosca branca e o trips, inibindo sua entrada na estufa. Além disso, esse aditivo também diminui a multiplicação do fungo da botrytis, que precisa da mesma faixa de luz para se desenvolver. O aditivo responsável pelo efeito térmico é mais indicado para regiões com temperaturas muito baixas ou de invernos rigorosos. Seu objetivo é potencializar o efeito térmico do filme, retendo mais o calor dentro da estufa.
É possível integrar os três aditivos no mesmo filme, um em cada camada, sem comprometer as propriedades e características do produto, garante Cruz. A quantidade de aditivos na formulação também pode variar de acordo com a necessidade da produção. Com isso, a Nortene oferece filmes aditivados com dois ou três anos de garantia, na espessura de 150 micra. Ainda é possível adquirir o tricapa transparente, sem os aditivos especiais, com garantia de 180 meses.
Outra exclusividade nacional da Nortene é o dupla face. Esse filme tem a finalidade de escurecer a estufa para controle de horas de luz, ou mesmo para construção de estufas totalmente escuras (usadas, por exemplo, na produção de cogumelos). Por ser branco do lado externo, tem a vantagem de refletir o calor. Já o lado preto, interno, impede a passagem da luz. Fornecido com espessura de 120 ou 150 micra, tem garantia de um ano.
Outro item do cardápio da Nortene é o filme específico para solarização, usado para tratamento de solo, utilizando a luz solar. A idéia, explica Cruz, é transferir o efeito estufa para o solo: aquecendo a temperatura do solo, o produtor mata uma série de microorganismos causadores de doenças, sem, no entanto, matar microorganismos benéficos. São fornecidos na espessura de 50 micra, com garantia de seis meses (o tratamento consome entre 30 e 60 dias e é feito, em geral, de setembro a março, período de maior irradiação de calor).
A Nortene ainda produz filmes para mulching e telas. O mulching é padrão, com 25 micra de espessura, em várias larguras. Tem garantia de dez meses. Já a linha de telas inclui produtos para sombreamento (em diversos percentuais), antigranizo, antipássaros e para controle de insetos. “Somos o único produtor de telas de PEAD fabricadas com sistema de urdimento, que não desfia ao ser cortada”, ressalta Cruz. Aos interessados, ainda é possível adquirir geomembranas para revestimento de reservatórios de água na linha agrícola.
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