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IRRIGAÇÃO MOSTRA BOM POTENCIAL
DE CRESCIMENTO PARA PE E PVC
Embora a irrigação localizada proporcione substancial economia de água e de ganho de produtividade em qualquer região do País, metade das vendas desse sistema destina-se ao Nordeste, em especial para a região do Vale São Francisco. Outro dado interessante detectado pela pesquisa da Maxiquim indica os produtores de frutas como os grandes usuários desse sistema, embora seus benefícios se estendam a outras culturas. Para ter idéia de suas vantagens, no Vale São Francisco se colhe uva de uma cepa a cada 20 semanas, resultado equivalente a duas vezes e meia em relação à colheita européia ou à do Chile.
Também vale ressaltar que a área total irrigada no Brasil cresceu 4% ao ano até 1998, quando atingiu 2.870 hectares. Dessa área, só 1.235 hectares empregavam técnicas de irrigação com material plástico, mas o levantamento previa aumento em 500 mil ha até 2000, privilegiando os plásticos, com expansão estimada em 40% nas demandas de PVC e de PE.
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Divulgação |
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Fitas melhoram produção de hortaliças e
frutas |
Os plásticos compõem 90% do sistema de irrigação localizada. Entram nos tubos para adução e distribuição de água, conexões e acessórios, mangueiras, gotejadores e microaspersores. Mesmo com todo potencial, esse setor ainda é dominado pela tecnologia estrangeira, sobretudo a israelense, de maior renome mundial (o cultivo irrigado chega a 80% da área de produção israelense).
A Scarcelli, de Avaré-SP, é uma das principais distribuidoras de sistemas de irrigação por gotejamento, com uma rede de 140 revendas espalhadas no País. A empresa traz com exclusividade as fitas gotejadoras da norte-americana Chapin e as mangueiras gotejadoras com tecnologia israelense da GoldenDrip. Além disso, fornece filtros, injetores de fertilizantes, válvulas hidráulicas etc. “Para um sistema de irrigação por gotejamento só não temos os tubos de PVC e as motobombas”, resume o gerente da área de irrigação Luiz Antonio de Andrade.
Mas as atividades da Scarcelli vão além de simples revendedor. A empresa instalou em Avaré uma escola de irrigação por gotejamento, onde capacita pessoal (balconistas, instaladores e engenheiros). Ainda neste ano, será inaugurada uma filial na região da Grande Belo Horizonte.
| Também promove em média cinco palestras mensais sobre o tema, em parceria com as revendas e fornecedores de tecnologia complementar (como os distribuidores de adubos especiais para esse tipo de irrigação). E para as revendas leigas no assunto, a Scarcelli se encarrega de elaborar todo o projeto técnico. |
Divulgação |
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| Curso de irrigação por gotejamento |
O sistema de irrigação localizada tem enorme potencial para os polietilenos, empregados em mangueiras (lisas ovais e gotejadoras), em microtubos e em gotejadores. A linha de mangueiras lisas ovais dispõe de plena produção nacional, informa Andrade. “Na minha bola de cristal, acredito que consumimos perto de 1.900 toneladas em 2001, mas com uma sazonalidade de vendas absurda, que o pessoal da indústria não entende e não gosta”, comenta. Já as do tipo gotejadoras, também conhecidas como tubos gotejadores contam com apenas dois fabricantes nacionais: a Netafim, de Ribeirão Preto, e a Carborundum, de Vinhedo, ambas no Estado de São Paulo. A principal diferença entre elas consiste no inserto de gotejadores ou aspersores, colocados fora da linha de produção nas lisas ovais. Essas mangueiras apresentam, em geral, diâmetro nominal de 16 mm e paredes de 0,75 mm até 1,4 mm de espessura, e são colocadas ao longo da linha de plantio, junto das plantas. Já as mangueiras gotejadoras são produzidas com os gotejadores insertados dentro delas. Também a espessura de parede é diferente: de 0,4 mm até 1,2 mm. São indicadas para culturas perenes, como o café. “Não tenho idéia do volume de polietileno para esse mercado, irresponsavelmente eu diria que é de 800 t/ano”, arrisca Andrade.
Um dos segmentos mais promissores para o polietileno são as fitas gotejadoras, que além de economizar água e energia, propicia aumento de produtividade. Pelos cálculos de Andrade, o produtor de tomates pode produzir até 30% mais. Não à toa, essa área apresenta crescimento médio de 18% ao ano, para proveito único dos fornecedores estrangeiros, pois não existe produção nacional. São mangueiras com espessuras variáveis entre 0,1 e 0,4 mm e que alcançam diâmetro de 16 mm quando infladas pela pressão da água. Os gotejadores são aplicados na parede da fita ou insertados.
Pela atual relação custo/benefício, essas fitas são mais indicadas para o cultivo de hortaliças e frutas. Na opinião de Andrade, as lavouras de tomate, morango, pimentão, folhosas em geral e melancia apresentam maior potencial de crescimento para as fitas. “Imagine que um hectare de tomate envarado consome cerca de 131 kg de polietileno em fita gotejadora. No Brasil se plantam anualmente 27 mil hectares de tomate envarado. Se todos os agricultores usarem a fita gotejadora quanto teremos de consumo? Serão 3.537 toneladas de PE por ano na cultura do tomate. Aí teremos de diminuir a área plantada em cerca de 30% devido à maior produtividade que a tecnologia permite. Mas e se os produtores trocarem a fita a cada dois anos? Então teremos um consumo de pelo menos 1.237 t/ano de PE. Agora, não esqueçam que temos 6 mil ha de morango, 22 mil ha de pimentão, 110 mil ha de melancia etc.” Esse exemplo basta para dar idéia do enorme mercado a ser explorado por transformadores e produtores de resinas. |
MERCADO CARECE DE
RESINAS E ADITIVOS
ESPECIAIS PARA O CAMPO
Na contramão da história, os mesmos produtores de polietileno que fomentaram a plasticultura nos anos 80, talvez desmotivados pelo pouco retorno, a deixaram de escanteio. Esta afirmação consta da pesquisa da Maxiquim, segundo a qual esse mercado mostra-se pouco atraente para a indústria em razão dos baixos volumes de resina consumidos. No entanto, também indica que o desenvolvimento de especialidades para o segmento agrícola ajudaria a expandir a plasticultura. Hoje, só a Petroquímica Triunfo oferece grade para a produção de filmes para cobertura de estufas. No campo dos aditivos não é muito diferente. Poucas empresas desenvolvem produtos específicos para a agricultura, entre as quais se destaca a Ciba, com centros de pesquisa específicos para os agronegócios na Itália e Espanha.
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| Fonte: Maxiquim |
Mauro Azanha, gerente de assistência técnica e desenvolvimento de produto da Polietilenos União, de Santo André-SP, mostra a distância com que a indústria se mantém da plasticultura. “Não temos uma força-tarefa destinada a esse mercado, embora dele participe e apóie, participando do grupo formado pelo INP para retomada desse mercado”, diz. Além de incipiente, ele considera o uso do plástico na agricultura brasileira regional, concentrado no Sul do País, em função do clima frio.
Vale ressaltar que uma das principais vantagens da plasticultura reside justamente no fato de possibilitar ao agricultor controlar as variáveis climáticas dentro das casas de cultivo e produzir o ano inteiro, faça chuva, faça sol, caia neve ou granizo. A pesquisa da Maxiquim, aliás, mostra que São Paulo concentra 70% do cultivo protegido. A informação é bastante compatível, levando-se em conta que 90% da produção de flores, quase toda ela sob estufas, também se concentra em São Paulo.
José Boaventura, da área de desenvolvimento de produtos e marketing da Triunfo, acredita que o PEBD tem grande potencial na agricultura. Na opinião dele, o aproveitamento desse potencial depende de vários fatores, como a maior divulgação das técnicas, a capacitação de profissionais e a conscientização dos agricultores sobre as vantagens do cultivo protegido.
O grade da Triunfo é um PEBD comercializado há anos pela empresa, aditivado com agente do tipo HALS (hindered amine light stabilizers), da classe das aminas estericamente bloqueadas, para proteção antiultravioleta. Embora há tempos em linha, o produto sofre constante aperfeiçoamento e deve ter suas propriedades melhoradas em breve. A idéia é incorporar à resina novo tipo de HALS com maior capacidade de proteção do filme em culturas que usam defensivos ácidos, como o cultivo de rosas. “Nosso objetivo é aumentar ainda mais a capacidade de proteção do filme em condições críticas de manejo, como é o caso de culturas que utilizam defensivos ácidos”, informa Boaventura. A empresa também fornece PEBD para produção de lonas, filmes para solarização e cobertura morta de solo, entre outros.
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