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Nas universidades, os temas relativos ao uso do plástico na agricultura estão dispersos em várias disciplinas. “Isso provoca distorções na qualidade das informações que chegam aos estudantes e não atende às demandas de trabalho”, diz o novo presidente do Comitê Brasileiro de Aplicação de Plásticos na Agricultura (Cobapla) Antonio Bliska Junior, envolvido com as técnicas da plasticultura há 19 anos na iniciativa privada e no meio acadêmico. Segundo ele, o problema se agrava com a rápida evolução do setor na aplicação de novos produtos. “Neste ponto, as universidades são lentas em reconhecer as necessidades e transformações da sociedade”, admite. Há, ainda, cursos oferecidos pelas universidades e escolas técnicas, como o básico de hidroponia da Unicamp, já em seu sétimo ano, ou o curso de cultivo protegido da Escola de Extensão e Faculdade de Engenharia Agrícola da Unicamp (Feagri).

Na opinião do presidente da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast) Merheg Cachum, a capacitação tecnológica é a principal dificuldade para a evolução do mercado de cultivo protegido, apesar de muitas universidades e escolas técnicas incluírem em seus currículos disciplinas sobre as técnicas. “Em regra geral, esses currículos não são padronizados e as informações se tornam pulverizadas e insuficientes”, pondera.
Mesmo assim, ainda falta fazer a tecnologia alcançar o usuário final de forma simples, prática, na linguagem deles – e de graça. Afinal, muitos produtores rurais são reticentes a novas tecnologias, sem contar aqueles que experimentam a plasticultura de modo errado, não obtêm sucesso e a difamam.
Disposição para mudar existe, e é essa a pretensão da nova diretoria do Cobapla com proposta para aproximar todos os elos da cadeia produtiva. Para isso, informa Bliska, a própria diretoria foi constituída com representantes do setor privado. A idéia é montar comissões técnicas com fornecedores de insumos (resinas e aditivos, mas também adubos, sementes etc), transformadores de plásticos, revenda e produtores rurais, explica Rodrigo A. de Lima, da área de aditivos da Ciba, também integrante da nova direção. “O fazendeiro apontará suas dificuldades e necessidades.”
O objetivo desses grupos de trabalho será identificar problemas e gargalos dos diversos segmentos usuários do plástico no meio rural, como a indicação de estruturas de estufas e filmes plásticos adequados às condições de clima tropical, informa Bliska. “Estamos mapeando esses problemas para solucioná-los e potencializar a utilização dos plásticos em conjunto com o Instituto Nacional do Plástico.”
Entre as medidas adotadas pelo INP, agora também um Organismo de Normalização Setorial (ONS), consta a elaboração de normas técnicas para padronizar a produção dos filmes agrícolas. Além disso, o instituto coordena um programa chamado O Plástico no Agronegócio Brasileiro, dividido em quatro subprogramas: cultivo protegido, irrigação, armazenagem e logística, e embalagem. Em conjunto com o Cobapla, o INP ainda pretende desenvolver projetos e encaminhá-los via Fórum de Competitividade da Cadeia Produtiva do Plástico.
Fundado em 1997, o Cobapla segue os moldes do Comitê Internacional do Plástico na Agricultura (CIPA) e de outros países, como Espanha e Portugal. Seu objetivo é contribuir para o desenvolvimento e difusão da plasticultura. Entre as atividades fora da universidade, a entidade promoveu em São Pedro-SP, em 2000, o II Simpósio Ibero-Americano de Aplicação do Plástico na Agricultura.
Mais gargalos – A difusão dos plásticos no meio rural ainda emperra em outros entraves. A iniciativa do INP em ditar normas técnicas deve resolver um deles: inibir a oferta de filmes de baixa qualidade, ainda existentes no mercado e um dos fatores responsáveis pelo descrédito do uso dos plásticos no cultivo protegido. Os filmes de má qualidade geraram prejuízos para o produtor agrícola e criaram uma imagem negativa da plasticultura, identificada como “uma tecnologia que não presta, não funciona”.
Outro tendão de Aquiles é o financeiro. Mesmo com todos os benefícios, o investimento inicial no cultivo protegido ainda é alto para o pequeno agricultor. Portanto, financiamentos especiais e acessíveis aos produtores de pequeno porte poderiam impulsionar o uso do plástico na agricultura. Algo difícil de se atingir no curto prazo, a julgar pelo corte nas verbas destinadas à comissão técnica de plasticultura, formada por funcionários da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI), extensão rural da Secretaria de Agricultura do Estado de São Paulo.
| Cuca Jorge |
Esses membros da comissão ficam sediados em diferentes regiões do estado, nas Casas de Agricultura, braços atuantes da CATI. “A comissão cessou as atividades em 2000 por falta de recurso financeiro”, diz o diretor regional da CATI de Mogi das Cruzes Gilberto Job B. de Figueiredo. |
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| Job: falta de verbas paralisou atividades |
Segundo ele, os recursos humanos continuam, e ainda prestam assistência técnica aos produtores, porém o corte de verba impede o grupo de se reunir, trocar informações, e também de exercer outras atividades, como a elaboração de boletins técnicos. Ainda existem poucos exemplares em estoque de informativos orientando o agricultor como construir estufas e a empregar técnicas como a solarização (cobertura do solo com plástico transparente para esterilização natural) e o mulching. Não serão reimpressos.
A esperança de Figueiredo é um projeto em elaboração no Governo Federal relativo aos cuidados com o meio ambiente, e a água em particular, para entrar em vigor em 2004. O mote seria agricultura sustentável com uso racional do plástico para economia de água. O projeto visaria estimular a produção sob estufas, solarização, irrigação etc. Por conta desse projeto, o diretor espera um investimento por parte do governo para fomentar as técnicas da plasticultura, via divulgação literária (informativos), capacitação através de cursos, palestras e incentivos para financiamentos.
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