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Financiamentos – Duas entidades financeiras, a Caixa Econômica Federal (CEF) e o Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES) foram convidados para apresentar suas operações no segmento de reciclagem e gerenciamento de resíduos sólidos. A CEF anunciou o lançamento de linha de crédito específica para cooperativas de catadores, com juros de 3,2% ao mês (TR + 2,5%) e prazo máximo de 24 meses. Segundo o consultor técnico da diretoria de desenvolvimento urbano da CEF, Oswaldo Serrano de Oliveira existe uma proposta de redução dos juros a 1,3% ao mês (TJLP + 0,5%) com verba do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e prazo a ser estudado.
Segundo Israel Blajderg, da área de planejamento da Gerência de Meio Ambiente e Recursos Naturais do BNDES, entre 1995 e 2000, a instituição liberou recursos da ordem de RS$ 28 milhões em projetos de apoio à reciclagem. Os recursos destinam-se a obras civis e instalações, aquisição de máquinas e equipamentos nacionais e importados, treinamento de pessoal, educação ambiental e assistência técnica. De janeiro a junho de 2001, o montante alcançou R$ 3 milhões.
As duas entidades apresentaram também estudos de casos. Oliveira ressaltou algumas expectativas em relação à legislação a ser adotada. “Esperamos que a lei não omita os recursos e sim amplie as fontes de financiamentos.” Dentre as questões pendentes, citou a necessidade de estabelecer claramente a base legal para a cobrança dos serviços (taxa ou tarifa), criando garantias para a participação privada, além de tornar viável novas estruturas de financiamentos, incentivar a implantação da indústria da reciclagem e possibilitar aos municípios o desenvolvimento de modelos adequados de prestação de serviços.
O analista de desenvolvimento de projetos na Gerência de Meio Ambiente e Recursos Renováveis do BNDES, Ronaldo Viana apresentou a palestra Crédito e Financiamento para a Reciclagem. Dentre os tópicos abordados, citou o Programa Avança Brasil, apresentado ao Senado Federal. “Determina, para o período de 2000 a 2007, recursos de R$ 165 bilhões, dos quais R$ 12 bilhões para meio ambiente e recursos renováveis.” Falou também do Planejamento Estratégico que prevê ampliação dos recursos disponíveis para o período de 2000 a 2005, principalmente para a área social. “Como o setor social tem interface muito grande com a questão ambiental, estima-se que os investimentos nessa área aumentem muito nos próximos anos.”
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Fôrmas plásticas — A deficiência das linhas de crédito, as altas taxas de juros e o excesso de burocracia na obtenção dos recursos são assuntos há muito debatidos no País. Lançado oficialmente no Recicleshow de 1999, o projeto Fôrmas Plásticas Recicláveis para Concreto Armado, desenvolvido e patenteado pela Empresa Brasileira de Reciclagem (EBR), de Santos-SP (www.formas.com.br), está entre as iniciativas que não saíram do papel por falta de recursos. Considerado inovador, voltou à pauta do seminário e recebeu elogios do secretário Sérgio Braga. |
Cuca Jorge |
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| Fôrmas plásticas: sem investimentos projeto
permanece no papel |
O projeto prevê a utilização de resinas revalorizadas para a produção de fôrmas usadas na construção civil, substituindo as similares de madeira. O diretor da EBR e inventor do sistema, Nelson Parente Júnior alega que o produto atende aos anseios dos construtores, em especial por evitar o desperdício de madeira e reduzir custos no médio prazo. Porém, ainda não conseguiu financiamento ou parceiro interessado em investir na construção da primeira planta, orçada em R$ 200 mil. Além de passar o chapéu nas instituições financeiras, Parente defende a possibilidade do BNDES comprar a patente para tornar o projeto de domínio público.
| Cuca Jorge |
O seminário abordou outras experiências interessantes adotadas tanto no exterior quanto no País, como a “caixa azul” (blue box) empregada no programa de coleta seletiva em Ontário, Canadá. A população coloca o lixo reciclável no recipiente, distribuído pela prefeitura ao custo de 3 dólares, após a coleta em caminhão especial a caixa retorna às residências. |
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| Parente: sistema substitui a madeira na
construção civil |
O diretor presidente da Tomra Latasa, José Roberto Giosa falou sobre a experiência da empresa na reciclagem de alumínio e PET. O Programa Permanente de Reciclagem, desenvolvido pela empresa há 10 anos, contribuiu para que o País conquistasse o título de 2º maior reciclador de latas de alumínio do mundo, com índice oficial de 78%. “O real ultrapassa 85% em função da existência de fundições clandestinas que fabricam pratos, lanças de portão e outros produtos”, informa.
O novo desafiou refere-se agora ao mercado de PET. No Brasil, 26% das garrafas produzidas são recicladas, contra 7,3 bilhões de latas de alumínio. Em março de 2001, a Latasa associou-se a Tomra Systems ASA, da Noruega, líder mundial em soluções para a reciclagem. O negócio envolveu a venda de 70% da Latasa Reciclagem para a companhia norueguesa. “Um dos trunfos da Tomra Latasa para tornar viável o recolhimento das garrafas são as Reverse Vending Machines, que podem diminuir o custo da coleta e melhorar os preços pagos pelas garrafas de PET”, salientou Giosa.
Em junho, a empresa firmou parceria com a rede de hipermercados Extra e a Ambev, dando origem ao Projeto Piloto Replaneta, para a instalação de RVMs em supermercados. “Oito lojas já receberam o posto de coleta e até o final de 2002 serão 50 centros espalhados por todo o Brasil.” As máquinas recebem latas de alumínio e garrafas de PET de todos os tamanhos e pagam por elas 2 centavos e 1 centavo, respectivamente, em vale-compra.
O Brasil é o 3o maior consumidor mundial de refrigerantes (9,5 bilhões de litros/ano), atrás apenas dos Estados Unidos e México; e o 4o no ranking da cerveja (10,2 bilhões de litros). Da produção de refrigerantes, 66% são envasadas em PET. O envase da cerveja segue 57% para o vidro, 34% para a lata de alumínio e 9% outros materiais.
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