POLÍMEROS ANTIGOS GANHAM NOVAS PROPRIEDADES

Mesmo sem ter sido palco de novos polímeros, a K
foi rica em aprimoramentos no polipropileno e em
vários plásticos de engenharia, garantindo
o bom nível da exposição nos pavilhões das resinas

Marcelo Furtado

Embora não tenha havido nenhum lan-çamento bombástico do segmento de resinas durante a última K’2001, não faltaram novidades no referente a melhorias nas características de importantes materiais consumidos pelo mercado. Essa tendência era evidente tanto nas poliolefinas como nos náilons, acetais, PETs e até no silicone.

No campo das poliolefinas, o destaque ficou por conta do polipropileno. Um dos maiores produtores mundiais, a Basell, sociedade entre Basf e Shell, apresentou novidades interessantes. Para começar, a sua linha Adflex para filmes de PP conta com novos grades com propriedades apri-moradas de flexibilidade e maciez. Mais especificamente, trata-se de dois novos tipos: o Adflex W e o Newest Adflex.

O Adflex W, para filmes cast ou blown usados em embalagens flexí-veis ou em filmes aderentes para supermercados, não contém plas-tificantes, o que elimina a preocu-pação de migração desses aditivos nos alimentos embalados. Trata-se de um co-polímero de PP com alto módulo de flexão, acima de 20 mPa, e com elasticidade equivalente aos filmes de PVC utilizados nessas aplicações.

O outro Adflex, denominado pelo vice-presidente da Basel, Greg Larson, como Newest (o mais novo), também tem a propriedade de flexibilidade (módulo de flexão de 20 mPa) e maciez. Da mesma forma, não possui plastificantes na formulação, tornando-o ideal para embalagens alimentícias. Com boa resistência química e capacidade de retenção de temperatura, encontra aplicação como substituto do PVC em sacos médicos para intravenosos. Aliás, os desenvolvimentos nos filmes de PP objetivam aproveitar os nichos formados pelo descontinuamento do PVC em algumas aplicações, tendo em vista a perseguição internacional à essa resina.

Também como destaque da Basell na área de PP foi o lançamento de quatro selantes da linha Adsyl. Para uso como camada de adesivo em filmes multicamadas dos tipos cast, orientado, blown e shrink, são dois adesivos: o 3HP e o 5HP. A principal inovação nos grades foi o aumento do chamado “delta de temperatura”, ou seja, a diferença entre o ponto de fusão e a temperatura de selagem inicial. Os outros dois adesivos, o Adsyl 6 e o Adsyl 7, têm como característica principal a redução na temperatura inicial de selagem: de 92,7ºC e 80ºC, respectivamente. Os selantes convencionais necessitam de 175ºC.

A uma nova família de PP chamada Clyrell a Basell credita qualidades de alto brilho, transparência, baixa temperatura de dureza e tolerância a microondas. Com esses predicados, torna-se indicada para embalagens de plástico rígidas e transparentes utilizadas em alimentos congelados e do tipo fast food para preparo em fornos de microondas. Para o vice-presidente sênior da Basell, Seetha-Coleman Kammula, as aplicações da linha Clyrell podem atender o mercado de sorvetes e cosméticos e, pelo brilho e transparência, tendem a incrementar a imagem dos produtos.

Não como novidade, mas para divulgar sua nova amplitude de comercialização, a Basell destaca a linha de PP metalocênico Metocene. Antes disponível apenas na Europa, a resina passou a ser comercializada nos Estados Unidos. Dessa linha, há os grades para injeção, que proporcionam maior rigidez, poucas deformidades e boa transparência para DVDs e CDs. 

Há também a linha Metocene para extrusão, cujas peças produzidas ganham em resistência mecânica e maciez, especialmente não-tecidos utilizados em filtros de ar, máscaras médicas e mantas de filtragem. Bom lembrar que em setembro de 2001 a Basell firmou acordo de pesquisa e desenvolvimento em PP metalocênico com a ExxonMobil.

A associação entre os dois grupos é apenas tecnológica, pois a comercialização das resinas continua a ser independente. E, por sinal, as vendas de polipropileno em geral têm ótimas perspectivas. Além do acordo, outra estratégia da ExxonMobil foi adquirir a unidade de polipropileno e e compostagem da Basell em Lillebone, França, elevando a capacidade mundial da empresa para 2,2 milhões de t.

A ExxonMobil foi a primeira no mundo a comercializar a tecnologia metalocênica para polipropileno, sob o nome comercial Achieve em 1995. Na área de polietilenos metalocênicos da linha Exceed (linear de baixa densidade), Divulgação
Linha metalocênica Exceed: em 15 estandes

a demanda também aumenta de forma surpreendente no mundo, a uma média de 50% ao ano. Apenas na feira, 15 fabricantes de máquinas (extrusoras, injetoras e sopradoras) processavam filmes e outros transformados com a linha Exceed. 

Para a gerente de marketing da ExxonMobil, Sybill Krämer, um dos motivos é a baixa nos preços das resinas metalocênicas, conseguida pela maior oferta de unidades produtivas pelo mundo e, especificamente, na Europa. A própria unidade dos polietilenos Exceed da empresa em Notredame, na França, foi recentemente ampliada para atender o mercado europeu.

Em poliolefinas, vale também citar o lançamento do grade Dowlex 2388, da Dow Chemical. Trata-se de polietileno voltado para extrusão de tubos com propriedades aperfeiçoadas: resistência hidrostática ao impacto, condutividade térmica, flexibilidade e resis-tência ao stress. Seu emprego vai desde o aquecimento, conexões, sistemas de troca de calor, painéis solares, entre outros.

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