Plásticos biodegradáveis - A busca dos polímeros biodegradáveis também chamou a atenção dos congressistas da ABPol. Neste campo, sobressaiu-se entre dezenas de trabalhos uma pesquisa feita também pela equipe da Universidade Federal de São Carlos, que vem utilizando o polímero de milho como monômero para obtenção de plástico. 

O estudo mostrou que um dos materiais mais promissores para a produção de plásticos biodegradáveis é o amido termoplástico. O amido nativo se apresenta na forma de grânulos e é semi-cristalino, não sendo um verdadeiro material termoplástico. Entretanto, sob pressão e temperatura e na presença de um plastificante, como água ou glicerina, o amido pode ser gelatinizado e sob efeito de cisalhamento se transformar em um fundido, pregam os autores.

Nesse fundido as cadeias de amilose e amilopectina estão intercaladas e a estrutura do grânulo foi destruída. O material é denominado amido termoplástico. O processo de fusão pode ser efetuado em equipamento para processamento de polímeros, como extrusoras, cilindros e misturadores intensivos. O trabalho relacionou ainda uma série de pesquisas para avaliar a extensão da degradação, como por exemplo, o estudo de Willet. Compostos de amido termoplástico utilizando amido de milho híbrido e glicerina como plastificante, reforçados ou não com fibras celulósicas obtidas de polpas de madeira foram caracterizados por cromatografia de exclusão por tamanho. Os resultados das análises de cromatografia de permeação em gel mostraram que, com o aumento do teor de plastificante, ocorre menor degradação das cadeias de amilose e amilopectina. A presença de fibra nos compósitos de amido termoplástico não aumenta a degradação do amido. “O fator determinante na degradação da amilose e da amilopectina é o teor de plastificante dos materiais, e é pouco afetada pela presença de fibras de reforço”, conclui o trabalho. No entanto, os próprios autores admitem que neste tipo de polímero a dificuldade é chegar à sua classificação e caracterização como termoplástico. De qualquer forma, essa linha de pesquisa tem futuro certo porque conta com o apoio oficial da iniciativa privada do Japão e da França. 

Cuca Jorge Pesquisas crescem - No balanço geral, os papas dos estudos dos polímeros perceberam o crescimento sensível com a qualidade da pesquisa científica. No entender do novo presidente da ABPol, Domingo Jafelice, há grandes avanços para o controle, criando a possibilidade real de medir e alterar quimicamente as relações interfaciais. 
Jafelice assume a presidência da ABPol

“Tem coisas que são fundamentais no segmento de polímeros, como a caracterização de cada plástico. Na minha opinião é a base de todo o desenvolvimento. Pode ser um elastômero, um termofixo ou termoplástico, não importa, compósitos ou blenda, a caracterização do material é fundamental”, disse Manrich. Para ele, a partir da caracterização é possível vislumbrar as propriedades químicas e mecânicas do polímero.

O grave problema das patentes em pesquisas científicas no Brasil, em particular na indústria química, foi outro tema tratado no 6o Congresso Brasileiro de Polímeros. Com o trabalho denominado o “Valor econômico das patentes e o nível de patentes no setor de polímeros nas universidades brasileiras”, a professora Elizabeth Rosa fez um alerta. “O brasileiro não discute o valor econômico de suas patentes porque ainda considera o conhecimento tecnológico como uma obra social e não como um negócio”. O resultado é que as universidades brasileiras não têm uma política de patentes e de propriedade industrial, e só agora começam a despertar para a importância do tema, advertiu. No ano passado, apenas vinte trabalhos foram patenteados. Na década de 80, não passavam de quatro por ano, em média.

Nesse aspecto, os pesquisadores citaram o exemplo norte-americano. Nos EUA boa parte dos recursos obtidos com as patentes é devolvida às universidades como fonte para financiar novas pesquisas. “O que se observa é que a maior parte das universidades não presta o apoio necessário no que se refere à propriedade industrial e à obtenção de patentes. O pesquisador precisa de facilidade para patentear suas descobertas e inventos. Este é um dos motivos para que o País registre uma estatística ridícula no registro de patentes”, disse Manrich.

Em paralelo ao Congresso ocorreu ainda uma série de palestras do IX Coloquium Internacional de Macromoléculas, terminologia que alguns segmentos da pesquisa científica estão preferindo utilizar para denominar os polímeros. “É apenas uma denominação diferente que talvez predomine no futuro”, resumiu Manrich.

<<< Anterior

Índice >>>