CONGRESSO BATE RECORDE PARA DISCUTIR A EVOLUÇÃO DOS POLÍMEROS NO MUNDO


Encontro apresentou quase 600 pesquisas com os avanços científicos destinados a melhorar o desempenho da indústria

FERNANDO DE CASTRO, de Porto Alegre

Realizado de 11 a 15 de novembro, em Gramado-RS, o 6o Congresso da Associação Brasileira de Polímeros (ABPol) bateu o recorde em número de trabalhos apresentados. A organização do evento contabilizou 589 pesquisas divulgadas no evento, representando 500 cientistas de todas as regiões do Brasil e mais 14 países dos quatro continentes, entre os quais, Austrália, Áustria, França, Alemanha, Inglaterra, Estados Unidos, Itália, Venezuela, Colômbia, Chile, Espanha e Portugal. Em 1999, foram 400 participantes e perto de 460 experimentos divulgados.

Gramado se constituiu também em avant premiére das tendências, para os próximos anos, na cadeia produtiva de polímeros em nível mundial, como bem salientou Silvio Manrich, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), que, ao final do evento, entregou o cargo de presidente da ABPol para Domingos Jafelice, da DSM Elastômeros. “As poliolefinas se sobressairão no mercado em relação aos polímeros metalocênicos, que já não têm a mesma importância se comparado com cinco anos atrás”, assinalou Manrich. 

Segundo ele, os laboratórios da indústria e da rede universitária estão conseguindo dobrar a relação propriedade e desempenho, empregando os polímeros convencionais ou obtidos a partir do octeno e do hexeno, dois monômeros que, até então, não se ajustavam à obtenção do polietileno com a mesma eficácia do eteno.

Cuca Jorge
Manrich ressaltou o empenho dos estudiosos na área de reciclagem

 “As resinas convencionais estão aceitando algumas transformações que permitem alto controle com custo mais baixo”. Conforme Manrich, a indústria petroquímica, em todo o mundo, já investiu US$ 5 bilhões em pesquisa para o aperfeiçoamento dos polímeros, e agora os empresários querem o retorno. 

Ainda sobre as tendências de mercado, atesta Manrich, o polietileno de baixa densidade linear está substituindo gradativamente o convencional. Para ele, o crescimento do consumo atual de PE ocorre por conta do linear e não da commoditie, que estagnou, pois atingiu sua exaustão comercial. “O polietileno de alta e o polipropileno estão crescendo também, sendo que o PP é o que mais cresce. Atualmente o Brasil conta com seis plantas de PP, com ênfase para as linhas de produção da Polibrasil e da OPP”, reforçou Manrich. Segundo ele, se o PIB brasileiro crescer ao redor de 3%, em média, a projeção para a cadeia produtiva petroquímica é de 9% do PIB. O presidente do 6o Congresso da ABPol salientou ainda que o PVC está saindo da alça de mira dos ambientalistas e reocupando espaço no mercado. 

Outra área de pesquisa que cresceu foi a de reciclagem. “Nós tivemos um reconhecimento mais acentuado da reciclagem. O destaque é para o crescimento e a diferenciação, como as pessoas estão se envolvendo com reciclagem de descartáveis, de luvas hospitalares, luvas industriais e borrachas, que continuam sendo um problema sério no mundo inteiro”. Para Manrich, a preocupação com os resíduos sólidos é apenas uma parcela do problema, destacando o envolvimento dos pesquisadores com a lavagem dos materiais e rejeitos provenientes desse processo. “Você lava um frasco e sai uma água toda contaminada. A alternativa que estão apresentando é o tratamento. De nada adianta fazer a reciclagem da matéria-prima e deixar de lado a preocupação com os rejeitos resultantes do processo. Não será possível salvar o meio ambiente sem recuperar o material usado na lavagem e despejo”, alertou. 

Houve ainda, como apontou Manrich, uma acentuada preocupação com o desenvolvimento dos compósitos e blendas, como confirmaram algumas pesquisas, entre as quais a coordenada pela pesquisadora do Instituto de Macromoléculas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IMA), Bluma Guenter Soares. Ela apresentou o estudo de copolimerização do NBR com o EVA. Bluma explicou que o campo da ciência e tecnologia de polímeros vem apresentando grande evolução durante as últimas décadas.

Conforme a pesquisadora, inicialmente, houve o desenvolvimento de novos polímeros a partir de uma variedade relativamente grande de monômeros. Em seguida, empregou-se a copolimerização estatística como uma técnica para produção de polímeros modificados. Foi desenvolvida então a copolimerização controlada em bloco e grafitizada para a produção de novos materiais. “O EVA apresenta excelente resistência ao ozônio e a intempéries, com boas propriedades mecânicas a baixas temperaturas”, explicou. Conforme a pesquisadora, o EVA já foi adicionado a várias borrachas, inclusive à borracha natural e ao policloropreno. 

Bluma explicou que se encontram na literatura algumas citações sobre mistura com borracha nitrílica (NBR). Essa mistura pode gerar uma importante classe de materiais com boa resistência a óleos e à abrasão, e boas propriedades mecânicas promovidas pela NBR, além de resistência ao oxigênio e ozônio devido ao EVA. De acordo com a literatura, essa mistura é imiscível e com baixas propriedades, em função da baixa adesão entre as fases. “Esse problema pode ser minimizado por alguns métodos de controle”, garante Bluma.

O “Estudo Microreológico de Blendas de Poliestireno e Borracha Reciclada e Desvulcanizada” realizado por Carlos Scuracchio e Rosário Bretas, do Departamento de Engenharia de Materiais da Universidade Federal de São Carlos (Dema/UFSCar), teve como objetivo comprovar a influência dos parâmetros de processamento e das propriedades reológicas na morfologia de blendas de poliestireno com borracha desvulcanizada através de ultra-som. Segundo Scuracchio, o trabalho será importante no futuro para ajudar na configuração da rosca de extrusão dupla e entender as mudanças morfológicas durante o processo de extrusão e injeção dessas blendas.

O resultado do estudo com as blendas mostrou que a adição de borracha desvulcanizada tende a diminuir o inchamento do extrudado e a primeira diferença de tensões normais em relação ao poliestireno puro. Esta mesma adição tende a diminuir a recuperação elástica após a aplicação de tensão (creep). O formato das partículas obtidas na mistura de PS com borracha desvulcanizada é bastante irregular devido à alta quantidade de gel e às características do processo de desvulcanização. 

<<< Anterior

Próxima >>>