Mercado - A Hece, um dos maiores fabricantes nacionais de termoformadoras, cujas operações no setor começaram em 1973, encerra o ano com 11 máquinas produzidas, e inicia 2002 com quatro unidades a serem entregues, incluindo moldes. Pelas contas de Sverzut, a demanda brasileira cresceu aproximadamente 35% em relação a 2000, totalizando entre 40 e 50 máquinas, excluindo equipamentos para confecção de blisters. Atualmente, as importações representam algo em torno de 25%, principalmente com máquinas de grande porte e altos índices de automação e produtividade. Porém já foram superiores a 50%, pelas contas de Sverzut.

No período de crise, com as importações em alta e os equipamentos nacionais com reduzida participação no mercado local, as máquinas para corte e solda, outro ramo de atuação da Hece, garantiram a manutenção da empresa. 

“Conseguimos até crescer graças ao desempenho da outra linha de máquinas”, afirma Sverzut. 

O sócio-gerente da Eletro-Forming, de Embu-SP, Jorge Lakatos também relembra as dificuldades enfrentadas pelas indústrias do setor entre 1995 e 1998, quando as importações ficavam com expressiva parcela da demanda nacional em função da valorização do real em relação ao dólar. “O mercado ficou paralisado”, afirma. Cuca Jorge
Para Lakatos, 2000 foi bem melhor

Na avaliação de Lakatos, a recuperação do setor, iniciada em janeiro de 1999, teve seu ápice no ano passado, quando o setor registrou os melhores resultados. Com a mudança do câmbio e o incremento das vendas, os fabricantes nacionais voltaram a investir em novos desenvolvimentos e a implementar melhorias nos equipamentos. Nos últimos dois anos, as importações despencaram, inclusive com a solicitação de novos projetos visando a nacionalização. O incremento das vendas garantiu novo fôlego para as indústrias nacionais voltarem a investir na modernização de suas linhas e enfrentar com mais força a concorrência, não só dos similares importados, como também o avanço da injeção de ciclo rápido em alguns nichos.

No Brasil, o emprego de termoformadoras de pequeno e médio portes e, ao mesmo tempo, mais flexíveis e versáteis é outra característica favorável aos fabricantes locais, mais dedicados à confecção desse tipo de equipamento e, portanto, aptos a oferecer preços mais acessíveis. Já os de grande porte e com índices altos de automação representam a menor fatia da demanda e a maior das importações.

Em meados de 2001, as vendas até então aquecidas voltaram a cair. Os segmentos mais afetados foram o de autopeças e eletrodomésticos, entre outros. A crise na América Latina, principalmente na Argentina, reduziu o volume de exportações em 2001. “Só exportamos peças de reposição”, lamenta Sverzut. Aproximademente 90% da produção da empresa destina-se ao mercado nacional. A empresa tem termoformadoras em operação na Argentina, Peru, Bolívia, Chile e Paraguai.

Processo - Segundo Sverzut, a termoformagem oferece algumas variações, embora a base seja a mesma: aquecimento e moldagem a vácuo. O processo de pressure forming emprega ar comprimido, podendo injetar cerca de 7,0 kgf/cm² de pressão. Destina-se à produção de itens no qual a relação altura x dimensão da boca é maior que 1. Por exemplo: um copo descartável de 300 ml possui altura igual a 110 mm e diâmetro da boca de 76 mm. Já o processo de vacuum forming atinge apenas 1 kgf/cm² de pressão negativa, mas pode operar também com pressão positiva. O processo, no entanto, adequa-se a produtos baixos, tais como pratos, bandejas e tampas, e também a peças técnicas e especiais de maior porte, em geral com chapas de espessura superior a 1,5 mm. Um dos pontos críticos do processo é o aquecimento, principalmente para o processamento de policarbonato (PC) e acrílico.

Com 131 funcionários, a Hece fabrica quatro modelos de termoformadoras. A Pressure Forming HF-400, de pequeno porte para produção de descartáveis em poliestireno (PS), tais como copos, tampas, pratos, bandejas etc., oferece dimensão máxima de formagem de 460 mm x 190 mm e até 40 ciclos por minuto. A Pressure Forming HF-550, de grande porte, para produção de descartáveis em PS, copos, tampas, pratos, bandejas ou embalagens industriais em polipropileno (PP), potes, tampas, opera com dimensão máxima de formagem de 600 mm x 280 mm e até 35 ciclos por minuto.

A Pressure Forming HF-550-RS, máquina grande e robusta, destina-se à produção de embalagens industriais em PP, potes, tampas etc. O modelo Vacuum Forming HVF-600 II, equipamento automático para produção de descartáveis em PS ou PP, possui estações de formagem, corte e empilhamento. “Todas alimentadas por bobinas com espessura máxima de 2,5 mm para altas produções.” A linha HF possui ainda controlador lógico programável (CLP), servomotor CA “brushless” no transporte da chapa, desbobinador automático com suporte de bobina de até 1 m de diâmetro, afastador automático das estufas de aquecimento, aquecedor de borda e controle de temperatura microprocessado, entre outros itens de série, além de equipamentos opcionais, tais como empilhadores automáticos com servomotor (robô), pré-estufa de aquecimento horizontal, servomotor CA “brushless” no contra-molde (plug) e maiores velocidades de fechamento e abertura. A empresa também fornece moldes para moldagem de polipropileno (PP) e poliestireno (PS).

A série HVF possui alguns recursos extras ou standard, tais como CLP, estação de formagem com vácuo e pressão, e de empilhamento com mesa motorizada. Como itens opcionais traz desbobinador automático com suporte de bobina de até 1 m de diâmetro, afastamento automático de estufa de aquecimento, controle de temperatura microprocessado, partida automática com simulador de ciclo e rebobinador automático.

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