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K´2001 VENCE A CRISE
COM INOVAÇÕES EM MÁQUINAS
A feira alemã do plástico não se deixou abater pelo clima de insegurança mundial e se manteve
como a principal vitrine para os grandes fabricantes de máquinas
MARCELO FURTADO
Parte 1
| Nem o medo com o terrorismo conseguiu diminuir o brilho da K, a maior e mais importante feira da indústria mundial do plástico e borracha, realizada de 25 de outubro a 1º de novembro em Düsseldorf, na Alemanha. Aliás, não fossem mensagens de solidariedade ao povo americano afixadas em alguns estandes, a impressão seria a de que o mundo passava por um período de paz naquela semana de frio ameno na Renânia. |
Marcelo Furtado |
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| Visitante islâmico (à esq.): clima de
tranqüilidade |
Nem mesmo a segurança da feira sofreu alteração aparente e, de vez em quando, podia-se até ver visitantes trajando turbantes e barbas à moda do Islã.

Como sempre, o burburinho da feira se concentrava nos salões das máquinas, os de 1 a 3, e os de 9 ao 17, cujos corredores permaneciam bem mais lotados dos que os destinados aos produtores de resinas, aditivos e produtos acabados (nos halls de 4 a 8). Não por menos, uma enquete da organização revelou que, de cada quatro visitantes, três tinham ido ao evento para ver as novidades mecânicas e de engenharia de processo.
Esse interesse do público pelas máquinas beirava quase à euforia. Isso tanto pelo acúmulo dos costumeiros “colecionadores de brindes” como pela curiosidade que as novidades despertavam nos visitantes mais técnicos. Neste último caso, a ocasião não poderia ser mais propícia: os fabricantes sempre reservam boas surpresas para a K, que, além de ser a maior feira do mundo, ocorre no país líder na produção de máquinas para plástico e borracha. A Alemanha detém cerca de 35% desse segmento no mundo, o que em 2000 representou um faturamento de 5,6 bilhões de dólares.
Certas constantes nortearam os lançamentos das principais famílias de máquinas. No campo das injetoras, a tendência foi a evolução das elétricas no mercado europeu, até então um pouco reticente com esses modelos. Em extrusão, o destaque foram os novos equipamentos e cabeçotes para filmes de 5, 7, 9, 10 e até 20 camadas, os aperfeiçoamentos em controladores de espessura e anéis de resfriamento, bem como as extrusoras de dupla rosca para tubos e perfis. Na área de sopro, as máquinas de injeção-sopro de simples estágio mais versáteis e rápidas e o lançamento de sopradoras elétricas para PET e PEAD foram fatos importantes.
Como forma de resumir o universo quase infinito das máquinas da K’2001, Plástico Moderno preparou a seguir reportagens segmentadas pelas principais famílias (injeção, extrusão e sopro) e ainda complementadas com algumas novidades em outras áreas correlatas, como a da termoformagem.
INJETORAS
Nos estandes mais procurados, os das injetoras, era nítida a preocupação dos fabricantes em destacar novas linhas de máquinas elétricas. A impressão deixada na K’2001 foi a de que os europeus, e em especial os alemães, começam a vencer os preconceitos com relação a essas máquinas, até então mais relegadas a americanos e japoneses. Por sinal, das 10 mil injetoras elétricas já vendidas no mundo, menos de mil se encontram na Europa.
Muitos especialistas acreditam que a resistência européia às injetoras elétricas tenha a ver com a grande tradição dos fabricantes do velho continente na produção de máquinas hidráulicas e nos seus acionamentos e válvulas. E, para complicar ainda mais, a aceitação desses equipamentos já há algumas décadas tem sido das melhores, tendo em vista a liderança mundial dos fabricantes alemães.
Mas a possível reviravolta na mentalidade dos europeus também tem algumas explicações prontas. Em primeiro lugar, a questão energética começa a ganhar mais peso na Europa, com o surgimento de novos impostos “verdes” e de políticas de subsídio a quem economizar energia. E é bom lembrar que as elétricas são até 50% mais econômicas.
Outro fator com muita influência para a Europa se render a essas injetoras é o aumento da demanda por transformados de alta precisão, como conectores, engrenagens, produtos médicos e ópticos (CDS, DVDs), entre outros. E as elétricas são propícias a essa demanda, visto possuírem precisão acentuada de movimentos, velocidade e, além do mais, terem a propriedade de não contaminar os produtos com óleos hidráulicos para lubrificação.
Exemplos de expositores europeus com novas injetoras elétricas não faltaram: Arburg, Krauss-Maffei, Battenfeld, Engel, Negri Bossi, Netstal, só para ficar nos principais. Vale a pena começar pela fabricante suíça, a Netstal, famosa pelo nível tecnológico de suas injetoras hidráulicas, mas que dessa vez destacava em seu estande no hall 15 a nova geração E-Power de máquinas totalmente elétricas. Dessa linha, a Netstal possuía dois modelos em demonstração. A primeira elétrica da empresa, a E-Jet, apresentada à imprensa européia em junho e voltada exclusivamente para produção de CDs e DVDs, estava injetando em policarbonato, a um ciclo de 3,5 segundos, DVDs de 8 gramas em molde de uma cavidade.
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| A elétrica E-jet injeta apenas DVDs e CDs |
Segundo informou Reto Morger, diretor de marketing da matriz da Netstal, em Naefels, na Suíça, a E-Jet só será comercializada em 2002.
| Marcelo Furtado |
Com força de fechamento de 500 kN, ciclo a seco de 0,6 segundo e velocidade de injeção de 400 mm/s, a E-Jet possui servomotores encapsulados, o que reduz consideravelmente o barulho da operação e a torna ideal para processos em sala limpa. Muito compacta, ocupando 2,9 metros quadrados, a injetora admite o uso de moldes simples e duplos. “Além disso, consome 25% menos energia do que as hidráulicas”, completou Morger. |
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| Morger: até 2003 Netstal terá elétrica
multiuso |
A outra injetora elétrica da Netstal é ainda um projeto, a ser lançado comercialmente apenas em 2003. Mas seu protótipo estava em operação sob o nome de Project Study. Sua diferença com a linha E-Jet é que a máquina poderá injetar qualquer tipo de produto e não só CDs ou DVDs. O limite de força de fechamento da máquina na K era de 1.200 kN e, a um ciclo de 5 segundos, injetava disquetes de PP com molde de duas cavidades de 7,6 g e 7,8 g, respectivamente.
De acordo com Morger, o propósito da Netstal é atender a uma faixa de demanda de injetoras elétricas com faixa de força de fechamento de 400 a 1.750 kN, nas quais cada unidade de fechamento de molde pode ser combinada com até três unidades de injeção. O motivo da entrada nesse mercado, para Morger, é não ficar de fora de uma tendência irreversível. “No mercado de injetoras com força de fechamento até 4.000 kN a demanda pelas elétricas vai crescer a uma média anual de 35% nos próximos três anos, o que representará, em 2003, um share de 30%”, disse.
Com pouco óleo – A alemã Krauss-Maffei foi outra empresa a surpreender com uma nova linha de máquinas elétricas, a série Eltec, com quatro modelos em exposição. Apesar disso, a máquina não pode ser considerada totalmente elétrica, por contar ainda com pequenos cilindros hidráulicos no final das placas para garantir o fechamento. Essa peculiaridade demanda em média dois litros de óleo para lubrificar o fechamento.
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Mesmo assim, segundo explicou o diretor-superintendente da Krauss-Maffei do Brasil, Luiz Hellbrügge, por ter acionamento totalmente encapsulado a máquina atende os pré-requisitos para operação em sala limpa. Disponível na faixa desde 60 t até 150 t de força de fechamento, a Eltec tem uma outra peculiaridade. Segundo Hellbrügge, ela possui duas placas, ao contrário das demais elétricas do mercado, com três placas e fechamento por joelhos. |
Marcelo Furtado |
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| Hellbrügge: elétrica Eltec tem duas placas |
Hellbrügge chama a atenção ainda ao motor da máquina, fornecido pela alemã Siemens. Com alto torque e recurso acumulador de energia, o motor aciona a plastificação e a injeção. “Os outros servomotores disponíveis nas injetoras concorrentes necessitam de correia, enquanto o da Siemens, patenteado e exclusivo para nossas máquinas, não”, comentou. A partir de abril de 2002, a série Eltec começa a ser comercializada.
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A Arburg, outra empresa alemã, apresentou um modelo elétrico com possibilidade de executar algumas etapas do processo hidráulico. Trata-se da Allrounder A, conclusão de um projeto da empresa iniciado na K’1995 quando foi lançado um protótipo de máquina totalmente elétrica. O novo modelo ganhou destaque no estande de 1.450 metros quadrados do fabricante. |
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| Allrounder A possui plastificação modular |
Além do motor elétrico desenvolvido pela própria empresa, a característica marcante da Allrounder é sua modularidade. Isso porque, dependendo do molde, a máquina pode ter a unidade de plastificação acionada hidráulica ou eletromecanicamente. Ou seja, apenas as funções de abrir/fechar molde, injetar e dosar são necessariamente comandadas pelo servomotor elétrico. Funções como desrosquear, extração e acionamento de gaveta podem ser configuradas pelo usuário.
Essa forma modular defende a injetora de uma proclamada desvantagem da tecnologia elétrica. Caso o molde seja muito grande, complexo e tenha machos hidráulicos, ou bicos de câmara quente, ou se ainda a produção exigir altas tonelagens de fechamento, o acionamento mais apropriado seria o hidráulico.
| Marcelo Furtado |
O acionamento elétrico volta-se, segundo o consenso, para onde as necessidades são a repetibilidade, precisão, ciclos menores, operação em sala limpa e, por fim, o custo reduzido de energia. “Com a possibilidade de escolher o acionamento, esses problemas acabam”, afirma o diretor de negócios internacionais da Arburg, o espanhol Miguel Garcia. |
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| Garcia: molde determina acionamento |
A Allrounder A exposta tinha força de fechamento de 800 kN e dimensão de 420 mm. Era equipada com os eixos principais (movimentos de fechamento, injeção e rotação da rosca) acionados pelo motor servoelétrico. O fechamento por joelhos de cinco pontos era movido eletricamente e o bico injetor, por meio hidráulico. Utilizava um molde de 72 cavidades por câmara quente para produzir uma peça médica normalmente fabricada por máquinas híbridas. A nova linha da Arburg só estará disponível a partir do segundo semestre de 2002 e outros tamanhos serão lançados no futuro próximo.
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