CRISE ATRAPALHA MAS NÃO
IMPEDE EXPANSÃO DO SETOR

Atropelada pelo dólar alto, luz racionada, crise
argentina e guerra, a área de injeção cresceu
neste ano mas vendeu abaixo das expectativas

MARIA APARECIDA DE SINO

Mesmo com crise econômica na Argentina, alta do dólar, racionamento de energia e guerra, os negócios fluíram além do esperado no campo da injeção. Tanto fabricantes nacionais como estrangeiros comemoram o fechamento do ano no azul. O crescimento, porém, ficou muito aquém das expectativas projetadas no início do ano, a partir das perspectivas alvissareiras de negócios engatilhados na última Brasilplast. Além do famoso jogo de cintura do brasileiro, a necessidade premente de substituir máquinas muito antigas, para aumentar a produtividade, reduzir custos, e economizar energia elétrica, levaram os transformadores às compras, ainda que forçadas. Mas ninguém pôde reclamar. Afinal, o empenho dos fabricantes em oferecer injetoras mais produtivas e eficientes resultou em ampla variedade tecnológica, para atender todas as necessidades e bolsos.

A compensação pelo esforço pode não ter sido a esperada, mas, considerando os problemas enfrentados, os resultados foram até satisfatórios, na opinião da maioria dos fornecedores. “O saldo foi positivo, com crescimento de 27% nas vendas em 2001 sobre o ano anterior”, declara Cleber Scherer, gerente de vendas da Jasot, fabricante de Novo Hamburgo-RS.  Cuca Jorge
Máquina de180 t vendeu mais na Jasot
Ele estima terminar o ano com 209 injetoras vendidas, contra 165 em 2000. A maior procura, informa, recaiu sobre os modelos com 160, 180 e 220 t de força de fechamento. As indústrias de cosméticos, brinquedos e de calçados lideraram os segmentos de maior demanda. Segundo ele, os brinquedos foram favorecidos pela queda das importações e os calçados, pelas exportações. Cuca Jorge
Para Scherer, crescimento de 27% foi satisfatório

Já a Romi, um dos maiores fabricantes brasileiros, com fábrica em Santa Bárbara d’Oeste-SP, registrou queda de 5% no número de máquinas vendidas neste ano, em relação ao ano passado. 

Cuca Jorge O faturamento, porém, subiu 10%, porque o transformador comprou mais máquinas de maior porte, portanto de superior valor agregado, informa o vice-presidente Giordano Romi Junior. Enquanto em 2000 predominaram as de 65 a 220 t de força de fechamento, em 2001 sobressaíram as de 300, 450 e 600 t.
Romi: embalagens puxaram a maior parte da demanda

Entre os equipamentos mais procurados destacaram-se as máquinas de ciclo ultra-rápido, além de versões especiais para PVC rígido. Os sistemas integrados, compostos por máquina, molde, câmara quente e robô, também tiveram muito boa aceitação no mercado. 

Para Romi, a maior demanda se concentrou na área de embalagens, principalmente as voltadas para as indústrias de alimentos e refrigerantes (tampas). Outros segmentos fortes foram os produtos descartáveis (bandejas, copos, talheres etc), os médicos, cirúrgicos e farmacêuticos, as caixas plásticas para colheitas agrícolas e bebidas, bem como containers industriais e caixas para uso doméstico. 

Cuca Jorge Além desses setores, Romi considera que a indústria de brinquedos também contribuiu bem para engrossar a carteira de pedidos da empresa.

Embalagens e brinquedos, além das autopeças, também impulsionaram os negócios da Sandretto, sediada em Arujá-SP. 

Seu diretor geral Guido Pelizzari informa ter elevado em 15% as vendas em faturamento neste ano, em relação a 2000. 

Pelizzari estima vendas 15% superiores neste ano

 

“Os modelos mais procurados foram os da linha SB Uno, de 80 a 600 t de força de fechamento, e os da Mega TEF, de 550 a 1.100 t, que apresentam alta velocidade de funcionamento e baixíssimo consumo energético.” Cuca Jorge
Máquina da Sandretto consome pouca luz

Em sua opinião, a venda dessas máquinas foi privilegiada em função do racionamento de energia elétrica e o aumento de custos desta.

Das empresas de produção nacional, a Oriente foi a mais prejudicada, com queda na demanda da ordem de 50% e grave prejuízo no faturamento, em relação a 2000, informa o gerente comercial Silas Passarelli. O modelo IHP 1500 H 670 foi dos mais vendidos porque, na opinião dele, oferece maior distância entre colunas e curso de abertura, alta velocidade de produção e opera com dispositivos que possibilitam reduzir em até 30% o consumo de energia elétrica.

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