SOPRADORA PARANAENSE AGITA O MERCADO DE PET

Cercada por plantações de soja, a Multipet produz máquinas 100% nacionalizadas para verticalizar a produção das pequenas indústrias de refrigerantes

FERNANDO DE CASTRO

Em Toledo, Oeste do Paraná, região notabilizada pela alta produtividade de grãos, em especial a soja, e pelo complexo abatedouro da Sadia, três empresários reunidos na Multipet Ltda., quebraram o paradigma da vocação econômica local ao produzirem uma nova linha de sopradoras para embalagens de PET, que poderá modificar substancialmente o mercado de bebidas brasileiro, nos próximos anos.

Isso porque, ao invés de buscar o transformador tradicional, a Multipet está direcionando seus negócios para a verticalização das fábricas de refrigerantes, com o objetivo de baratear custos, aumentando a rentabilidade dos engarrafadores. Segundo um dos sócios da empresa, Hélio da Igreja, 140 sopradoras com essa filosofia de produção foram instaladas em fábricas de refrigerantes nos últimos três anos, 50 delas neste ano. As sopradoras saem da linha de montagem a partir de um processo produtivo em que todas as peças e componentes são usinados na própria planta industrial de Toledo.

O resultado é uma sopradora bastante rentável, de elevada confiabilidade, ciclo de produção de primeira linha, por um preço 20% abaixo da concorrência. É o que garante Igreja. Segundo ele, a idéia de construir sopradoras surgiu há oito anos em uma viagem à Suíça, onde conheceu máquinas fabricadas com tecnologia de ponta que, no seu entender, poderiam ser produzidas no Brasil, adaptadas à realidade local. Num primeiro momento, a Multipet passou a importar e a instalar essas máquinas. No entanto, um estudo mais aprofundado demonstrou a necessidade de nacionalizar o produto para torná-lo competitivo.

O projeto Multipet começou há cinco anos, em Videira, Oeste de Santa Catarina, onde Hélio da Igreja operava uma empresa especializada em montar cervejarias, com a contratação de duas consultorias norte-americanas e a incorporação de uma rede de parceiros pinçados criteriosamente nas universidades da região de Cascavel, cidade vizinha a Toledo. De lá saíram engenheiros de produção, projetistas de software, entre outros especialistas, que geraram a família de sopradoras Multipet 1000, 2000 e 3000 – a numeração que denomina os modelos correspondentes ao número de peças/hora produzidas pelas máquinas, sendo que a Multipet 1000 é semi-automática e as outras duas são 100% automatizadas. A transferência da unidade fabril do território catarinense em direção ao Paraná, nesse aspecto, foi estratégica para garantir mão-de-obra e fechar a cadeia produtiva dos equipamentos.
Fernando de Castro
Equipamento semi-automático requer operador

 

Divulgação
Sopradora consome até 70% menos energia: acima modelo completo automatizado; abaixo, detalhe do compartimento de saída das embalagens prontas
Economia na base – As Multipets chegaram efetivamente ao mercado em 1998, passando a ocupar espaço em fábricas de refrigerante do Acre, Pará, Rio Grande do Norte, Ceará, interior do Paraná, São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, só para citar os principais centros compradores das sopradoras da marca. “Nós conseguimos fazer um produto que consome 70% menos energia que as sopradoras tradicionais”, assegura Hélio da Igreja. Segundo ele, a alta qualidade se completa com um eficiente sistema de aquecimento, operado por modulação de freqüência e combinado a um dispositivo de alta compressão e algumas modificações no sistema de sopro. “Seguimos conceitos diferentes dos sistemas tradicionais”, reforça o empresário.

Conforme ele, o investimento inicial para produzir garrafas com uma sopradora Multipet é substancialmente menor em relação ao da concorrência: “Vamos pegar uma razão de mil garrafas por hora. Existem máquinas que se pagam em três meses. O custo do sopro do concorrente é 6 centavos e o nosso, apenas 1,3 centavo. Como o fabricante de refrigerante compra a garrafa a 12 centavos de real, com a nossa sopradora os pequenos engarrafadores estão optando por verticalizar a embalagem, porque essa alternativa transformou-se num grande negócio”, exemplifica Hélio. Outra vantagem, assinala, é a competente logística montada pela empresa para prestar assistência técnica aos clientes em regiões tão distantes: “Em 18 horas foi possível colocar uma peça em Manaus para consertar uma sopradora”, assegura o empresário. 

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