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DÓLAR, LUZ E GUERRA ABALAM O MERCADO
Desvalorização cambial, racionamento de energia e conflito externo baixam as vendas e afligem os
fabricantes numa das piores crises dos últimos tempos
MARCELO FURTADO
Uma união “explosiva” de problemas afetou de forma preocupante o mercado brasileiro de extrusão de filmes. Como se estivesse sob ataque, o setor tem sofrido com a somatória das sucessivas crises locais e mundiais. O pesadelo começou com a desvalorização cambial acumulada neste ano, aumentou com a bancarrota argentina e pelo racionamento de energia, e culminou, de forma inesperada, com os atentados nos Estados Unidos, que tendem a agravar a já visível recessão mundial.
| “Nunca tivemos tantos problemas juntos no Brasil”, comenta Luiz Antonio Dellosso Simões, gerente comercial da Carnevalli, de Guarulhos-SP, líder local na produção de extrusoras e co-extrusoras tipo balão para filmes. Na visão dele, os efeitos mais negativos começaram a afetar os clientes a partir de agosto. Até então, o volume de fabricação, tanto para atender o mercado interno como externo, sobretudo o da América Latina, mantinha-se não muito longe da normalidade, apesar de revelar sinais de desaquecimento. “No primeiro semestre, ainda conseguimos nos valer da vantagem cambial, para exportar e nos proteger de qualquer tipo de importação de concorrentes”, afirma. |
| Cuca Jorge |
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| Simões: poucas negociações marcaram o ano |
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O agravamento da situação, no entanto, coincidiu com a eclosão da crise energética. Se nos primeiros seis meses apenas o encarecimento dos insumos atrelados ao dólar (leia-se de modo principal resinas) diminuiu um pouco o ritmo de investimento dos grandes clientes, o medo do apagão puxou o freio definitivamente. Isso ocorreu de modo especial com os principais transformadores, concentrados no Sudeste do País, região das mais afetadas pelo plano de racionamento. Alguns poucos negócios com a região Sul, sem problemas de energia, atenuaram levemente as perdas.
Pode-se afirmar que essa foi a primeira fase com efeito cumulativo negativo ao setor. A falta de energia tornou-se uma espécie de “tiro de misericórdia” para os transformadores, que já trabalhavam com margens de lucro pressionadas pelos aumentos provocados pela alta do dólar no preço das resinas e demais insumos. Isso sem falar que essas companhias também conviviam com a alta inadimplência dos fabricantes de embalagens, os grandes consumidores de filmes flexíveis.
Quando se pensa que o importante nas vendas de bens de capital são as ampliações de produção, o cenário criado com esses fatores foi dos piores. “Além das poucas negociações com o Sul do País, o máximo que fizemos foi substituir equipamentos velhos, mas isso não chega a movimentar a fábrica”, diz Simões. Como ilustração do momento delicado da extrusão, o gerente comenta a existência de grandes fabricantes de embalagens atualmente com carteira de pedidos para faturar em apenas dois ou três dias. “Em tempo normal, o planejamento é para meses”, lamenta.
Como conseqüência, Simões prevê queda de 20% a 30% nas vendas de extrusoras em 2001. Isso significou até final de outubro, para a Carnevalli, cerca de 75 máquinas. Uma igual ou até maior retração deve valer para todo o mercado nacional de extrusão de filmes por balão, cuja condição normal garante o fabricantes e importadores a venda de 180 a 220 máquinas por ano. Desse total, o gerente Simões acredita que sua empresa detenha cerca de 80% dos fornecimentos. O restante fica dividido entre importadores e outras empresas, como Rulli Standard e Windmoeller & Hoelscher.
| Co-extrusão – Apesar de o novo panorama deficitário ter reduzido a capacidade produtiva das empresas, como o ocorrido na Carnevalli, que segundo o gerente Luiz Antonio Simões “precisou se adequar à demanda fraca”, uma tendência do setor não foi muito abalada. Trata-se da co-extrusão, processo pelo qual o uso de três ou mais cabeçotes garantem a produção de filmes multicamadas.
A primeira prova da estabilidade do segmento de co-extrusão foi a investida da Carnevalli nesse ramo. Iniciada de maneira mais firme há cerca de três anos, ainda se mantém sem nenhum percalço. |
| Divulgação |
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| Coextrusora opera com cabeçote de projeto diferenciado |
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Até mesmo no fraco desempenho geral de 2001, a empresa conseguiu fornecer cerca de 15 sistemas de co-extrusão para três camadas. Essas últimas vendas elevaram para mais de 60 unidades de co-extrusão da empresa instaladas no País, sendo cerca de 50 delas para três camadas e o restante para duas ou cinco.
| Divulgação |
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| Sistema consome menos energia elétrica |
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A experiência acumulada nos quase quatro anos dessa segunda investida da Carnevalli em co-extrusão – em 1992 a empresa tentou introduzir os sistemas mas não obteve o esperado retorno do mercado – fez as máquinas se modernizarem. Pelo menos é essa a opinião do seu gerente comercial Luiz Antonio Simões: “Estamos ouvindo e compilando críticas e sugestões dos clientes para promover modificações nos equipamentos”, diz. |
A última dessas mudanças foi demonstrada pela primeira vez na co-extrusora 3 PO-1800 exibida na K’2001, em Duesseldorf, na Alemanha, de 25 de outubro a 1o de novembro. Conforme explica Simões, o cabeçote da máquina teve a construção simplificada para facilitar sua limpeza, diminuindo o tempo de manutenção e permitindo que o filme deslizasse melhor por sua parte interna.
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