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Borracha sonha com US$ 12 mi na 4ª feira
Mostra reúne 180 expositores, entre fabricantes de máquinas e insumos, e espera receber 12 mil visitantes
| Apesar do momento de tensão pelo qual o mundo passa com a guerra entre os EUA e o Afeganistão, e os conflitos no Oriente Médio, as expectativas de sucesso para a Expobor/Recaufair 2001 são boas. A 4ª Feira Internacional de Tecnologia, Máquinas e Artefatos de Borracha, de 6 e 9 de novembro de 2001, no Expo Center Norte, reúne 180 expositores de 18 países. Segundo o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Artefatos de Borracha (Abiarb) e, também, do Sindicato da Indústria de Artefatos de Borracha no estado de São Paulo (Sindibor), Edgar Solano Marreiros, a feira deve gerar negócios da ordem de US$ 12 milhões entre máquinas e equipamentos, matérias-primas e compras de tecnologias. |
| Cuca Jorge |
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| Marreiros: setor sofreu com a queda do consumo |
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A promoção e organização do evento, que espera acolher cerca de 12 mil visitantes nos 6 mil metros quadrados da feira, ficou por conta da Francal Feiras e Empreendimentos; o patrocínio e iniciativa é da Abiarb/Sindibor e conta com apoio institucional da Associação Brasileira de Tecnologia da Borracha (ABTB) que realizará, simultaneamente, o 9º Congresso Brasileiro de Tecnologia da Borracha.
| Cuca Jorge |
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| Abdala: feira será nos anos pares |
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Para o presidente da Francal, Abdala Jamil Abdala, será apresentado o que há de mais moderno não só para a indústria de borracha, como para a de recauchutagem, e aquelas voltadas às oficinas mecânicas. Na opinião dele, a tecnologia trazida do exterior, com destaque para a reparação automotiva, deverá revolucionar o mercado. Só a Itália participa com um estande coletivo, fruto de uma parceria entre a Francal e a Autopromotec — tradicional feira dos setores de reparação e recauchutagem que acontece na Itália — importante para o crescimento do intercâmbio entre este país e o Brasil. |
Ainda participam da Expobor, China, México, Taiwan, Colômbia, EUA, Malásia e Espanha. “Na Recaufair temos a Alemanha, Argentina, Áustria, Holanda, México, EUA, Itália e Índia”, conta Abdala. Segundo ele, nenhuma das empresas estrangeiras divulgou, até agora, o que irão expor. “Elas guardam as cartas na manga. É o famoso segredo industrial que só iremos conhecer na feira”.
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O presidente da ABTB, João Miguel Chamma, não acredita em nenhum tipo de prejuízo com relação à visitação na feira, mesmo porque não há, em sua opinião, grande número de americanos ou europeus que venha vê-la. “Este evento tem um público direcionado ao Brasil e Cone Sul”, frisa. |
| Cuca Jorge |
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| Chamma ressalta a evolução tecnológica |
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Mercado — O parque industrial de borracha reúne hoje 1.250 empresas em todo território nacional, das quais 950 na grande São Paulo. No ano passado, segundo estimativa da Abiarb, o setor obteve resultado financeiro de US$ 1,75 bilhão, contra US$ 1,4 bilhão em 1999, e a estimativa para 2001 atinge US$ 1,82 bilhão. Entretanto, as crises internacionais e suas repercussões na economia do País, além do racionamento energético, provocarão, na opinião de Marreiros, “redução do emprego, encarecimento dos custos, adiamento de investimentos e implantações tecnológicas e, por fim, queda no desempenho econômico geral”.
Para o presidente da ABTB, o mercado foi afetado pela queda de produção da indústria automobilística, estimada em 1,4 milhão de veículos neste ano –, muito aquém dos dois milhões previstos. Do ano passado para cá, a queda foi cerca de 200 mil automóveis. O desempenho de 2000, ao contrário foi bom. “Neste ano, como em todas outras áreas, havia uma expectativa positiva, mas, desde abril, ela foi frustrada com a queda do consumo”, observa Marreiros.
Abdala, por sua vez, acredita que o mercado está em crescimento e mostra sua potencialidade.
“Depois de passar toda esta confusão mundial, que deixa a economia apreensiva, o crescimento será substancial no Brasil, principalmente na área automobilística”, acredita. O aumento do complexo produtivo instalado no País, para ele, vai aumentar as exportações, o que representa um crescimento do setor automotivo e, conseqüentemente, do de borracha. Na opinião do presidente da Francal, os EUA são o maior mercado, mas também o mais vulnerável e complicado, em virtude da situação beligerante que atravessa. Apesar de todas as crises, o Brasil crescerá. O que atravanca este desenvolvimento, acredita, é a política mal direcionada. “Em 2001, tivemos um Senado que não trabalhou e só procurou picuinhas.” E argumenta: “O empresariado tem mostrado sua preocupação e responsabilidade com o crescimento e geração de empregos. Quando acabarem os desvios, e mudar a filosofia de crescimento individual para o coletivo, aí o Brasil vai desenvolver”.
De acordo com Chamma há vários fatores responsáveis por esta crise. O primeiro é a taxa cambial.
“A sua alta gerou aumentos de custos, pois todos itens dependem de matéria-prima importada”, explica. Em segundo lugar, caíram os financiamentos internos e aumentaram os juros. O terceiro ponto foi a crise energética que, embora tenha incidido em menor grau, gerou o aumento dos custos. Por último, o problema na Argentina, um parceiro consumidor do Brasil.
Considerando o indexador artefatos acabados de borracha, calcula-se um crescimento de 6 mil toneladas/ano de 2000 para 2001. Neste ano, segundo o presidente da Abiarb, deve fechar com 99 mil toneladas, divididas entre montadoras de automóveis com 10%, sistemistas com 28% e reposição com 13%, somando 51% do desempenho global. Os outros 49% se direcionam aos eletroeletrônicos e eletrodomésticos com 9%, calçados 8%, mineração e siderurgia 6%, saúde (luvas cirúrgicas e procedimentos, preservativos, tubos cirúrgicos, bicos de mamadeiras e afins) 4%, entretenimento (balões de encher, máscaras e brinquedos) também 4% e atividades petrolíferas, saneamento, construção civil e indústrias em geral, com 18%.
Novidades — As pesquisas nesta área não param. Marreiros afirma que, segundo os últimos dados disponíveis, o setor de artefatos de borracha tem cerca de 2% de seu faturamento nominal gasto em trabalhos de investigação, pesquisa e desenvolvimento. As contínuas formulações de compostos (borracha sintética x natural) são as provas cabais desses esforços. A exemplo do que acontecem com os termoplásticos, as pesquisas e os testes para descoberta e aplicação de novos compostos e produtos são permanentes no setor de elastômeros. “Novos produtos no campo dos solados e nos mangotes flutuantes para indústria petrolífera exemplificam esse desenvolvimento”, observa o diretor da Abiarb.
Segundo Chamma, melhorou e foi positivo para a indústria de borracha, a diversificação do parque automobilístico. “Ela trouxe tecnologia de ponta e, com o advento das plataformas no Brasil, o aumento das montadoras nos últimos anos, houve um desenvolvimento da tecnologia no setor de peças técnicas de borracha”, salienta. Marreiros ainda cita, como uma das atrações especiais, os solados combinados de couro e borracha.
Sucesso — “Com certeza, nestes dois anos desde a última Expobor, muita coisa em termos de tecnologia se aprimorou”, salienta Abdala. Na sua opinião, a feira é um dos meios mais fantásticos para divulgação e para colocar produtores e compradores em contato. “A feira não é feita somente para vender, embora venda também. É muito mais. Serve para alavancar processos futuros de comercialização.”
A partir do próximo ano haverá mudança significativa na feira, pois ocorrerá um replay. Isso será feito para que, a partir de 2002, a mostra aconteça em anos pares, quando não há eventos do gênero, a fim de adequá-la aos calendários de feiras no mundo e também no Brasil. “Vamos tomar a dianteira de fazer a Expobor dois anos seguidos para que se preencha um espaço até hoje não ocupado”, adianta Abdala.
CONFIRA AS PRINCIPAIS NOVIDADES DA FEIRA
Auriquímica
A expositora apresenta a linha de suas representadas, com várias novidades. Da DuPont Dow destaca os novos grades Nordel IP 4760, com alta capacidade de absorção de carga, e Nordel IP 4820 e o 4920 (80% e 90% de teor de etileno), para fabricação de vulcanizados rígidos de alta resistência.
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