|

|
Fibras — A principal novidade, no entanto, destina-se à indústria têxtil. Trata-se da Alya Eco, fibra composta por PET e algodão reciclados, desenvolvida pela Rhodia-Ster na fábrica de Poços de Caldas-MG. Foram cinco anos de pesquisa e investimento da ordem de US$ 5 milhões. Lançado no início do ano na São Paulo Fashion Week, o projeto ganhou novos parceiros na última edição do evento, realizada de 27 de junho a 3 de julho, no prédio da Bienal de São Paulo. A iniciativa uniu a Rhodia-Ster, Santista e M.Officer. A partir da fibra Alya Eco (20% mais fina que a de algodão), a Santista desenvolveu o novo índigo (35% Alya Eco e 65% fibra de algodão reciclado).
O material foi usado na confecção da nova coleção da M.Officer. O resultado já pode ser visto nas vitrinas das 80 lojas da grife em bermudas, saias, calças, vestidos e tops. Além das lojas brasileiras, as roupas serão vendidas em Londres, Nova Iorque e Hong Kong. O projeto também contou com a participação da Coopa Roca – Copperativa de Trabalho Artesanal e de Costura da Rocinha, equipe responsável pelos bordados da nova coleção. Depois do projeto pioneiro, a Rhodia-Ster pretende multiplicar as parcerias envolvendo a Alya Eco. As empresas interessadas serão homologadas e os artigos ostentarão etiqueta garantindo sua origem da fibra 100% PET reciclado. O desenvolvimento rendeu à Rhodia-Ster o prêmio Abit Fashion Brasil, na categoria Inovação Tecnológica, e gerou frutos.
De acordo com números divulgados pela Associação Brasileira de Produtores de Fibras Artificiais e Sintéticas (Abrafas), a produção brasileira de fibras de poliéster deve crescer 5% em volume neste ano em relação às 97 mil t de 2000. A maior parte desse mercado, no entanto, ainda opera com resina virgem. Da produção de 7,5 mil t de fibras/mês da Rhodia-Ster, algo em torno de 200 t são fabricadas com material reciclado. Já a Ecofabril, de Jundiaí-SP, nasceu em 1994 para trabalhar apenas com material reciclado. Além de produzir os flocos a partir das garrafas de PET, confecciona a fibra de poliéster destinada principalmente às indústrias de tapetes, carpetes e enchimentos.
No início de 2001, a empresa ampliou a capacidade produtiva de 400 mil t/mês para 1.000 t/mês, e investiu aproximadamente U$S 3 milhões na atualização e incremento da planta. Mesmo com o aporte de capital e o crescimento da demanda de fibras, a Ecofabril opera com ociosidade de 50% em decorrência da escassez de matéria-prima. “A falta de material para reciclar é o principal gargalo do processo”, avalia o diretor da empresa Tiago Latorre Noronha. As críticas, no entanto, não recaem apenas sobre a inexistência de programas de coleta seletiva. “É grande a parcela de responsabilidade dos fabricantes de embalagens de PET que dificultam a reciclagem ao usar PVC nos rótulos e vedantes das garrafas”, afirma. O PVC contamina o PET e torna inviável o aproveitamento do material. “As indústrias têm a obrigação de contribuir com a reciclagem e, embora sejam advertidas com freqüência sobre o uso de PVC, ignoram o fato”. O polietileno e polipropileno são mais indicados para rótulos e vedantes. Outra questão polêmica, na opinião de Noronha, refere-se à alta incidência de garrafas verdes. Isso porque o PET colorido tem aplicações menos nobres quando comparado à resina incolor. “A colaboração das indústrias de refrigerantes e fabricantes de embalagens torna-se fundamental para o avanço da reciclagem no Brasil”, avalia. A coleta seletiva é outro aliado importante. Além de aumentar a oferta de recicláveis, colabora para a melhoria da qualidade do material, menos contaminado que os provenientes de lixões.
Mais sujo — O diretor da Repet, recicladora com unidades em Mauá-SP e João Pessoa-PB, Vladmir Kudrjawzen, também ressalta a dificuldade na obtenção dos recicláveis. “Além da reduzida oferta, a péssima qualidade dos resíduos, provenientes em sua maioria de lixões, encarece o processo.” Para manter as duas fábricas com as capacidades tomadas – 800 t/mês na unidade paulista e 700 t/mês na planta do Nordeste – compra material de todos os estados brasileiros.
Além das dificuldades de transporte e custo, a Repet, assim como outras empresas do setor, enfrenta a alta tributação do material reciclado: 15% de IPI e ICMS nas transações interestaduais. “Os recicláveis deveriam ter trânsito livre entre os estados”, argumenta Kudrjawzen. Toda a produção da empresa segue para a Unnafibras, de Santo André-SP, fabricante de fibras de poliéster para diversos segmentos industriais têxteis e não têxteis, que opera com aproximadamente 70% de fibra reciclada. Pioneira na produção de fibras a partir de embalagens de PET recicladas, a Unnafibras também lançou produto destinado à produção de tecidos, marca Ecofibra.
Entre os investimentos mais recentes da Repet, Kudrjawzen cita a aquisição de duas extrusoras para a unidade paulista e outra para o Nordeste, destinadas a granular parte da produção de flakes, além de modernizar da produção com a filtragem do material, garantindo melhoria da qualidade do reciclado. A extrusora de João Pessoa entra em operação a partir de outubro. Em São Paulo, a produção já começou. Pelos cálculos de Kudrjawzen, pelo menos 30% do PET reciclado no País seguem para a indústria têxtil. “Trata-se de um mercado com grande potencial de crescimento”, avalia. Entre as aplicações que mais se destacaram este ano, cita também a injeção e extrusão de chapas. “Nos Estados Unidos, os dois maiores são o de fibras, com pelo menos 60% do total reciclado, e o de chapas para termoformagem.”
|
Cempre organiza evento |
| O Cempre - Compromisso Empresarial para a Reciclagem em parceira com a Abimaq (Associação Brasileira das Indústrias de Máquinas e Equipamentos) e Sebrae promovem, de 7 a 10 de novembro, o II Recicle Show - 2º Seminário e Exposição sobre os Desafios Técnicos e Econômicos para a Reciclagem, no Centro de Convenções Indianópolis, na sede da Abimaq, em São Paulo. De acordo com o diretor do Cempre, André Vilhena, o seminário deverá contar com 450 inscritos. Estima também que mais de 2 mil pessoas visitem a mostra que já soma 13 expositores e continua com espaços à disposição. |
| Cuca Jorge |
 |
| Vilhena estima 450 inscritos no seminário |
|
A edição anterior, realizada em novembro de 1999, recebeu cerca de mil visitantes e contou com 24 empresas na exposição. “O evento discute a reciclagem em todas as suas etapas, da coleta seletiva à geração de novos produtos”, explica Vilhena. Entre os temas a serem discutidos no seminário estão: Avaliação da Situação Atual do Gerenciamento do Lixo e Reciclagem; De 1999 a 2001 – Uma Análise Crítica; Programa Brasileiro de Aproveitamento de Resíduos; A Indústria Ecoeficiente; Gerenciamento Integrado do Lixo – Coleta Seletiva; Incineração e Disposição Final; Incrementos à Reciclagem (tributação, financiamento e novas tecnologias); e a Indústria da Reciclagem (tecnologias, mercado e aspectos econômicos). Inscrições e informações podem ser obtidas pelo telefone (11) 5582-6429, site www.abimaq.org.br, e-mail e eventos@abimaq.org.br. |
Chapas — A Reciclean, recicladora de Diadema-SP, prepara-se para lançar em breve a linha de produção de chapas. A empresa, há quase dez anos no mercado de reciclagem, fabrica granulados de PET amorfo e cristalizado, resina esta mais resistente às altas temperaturas na etapa de desumidificação (suporta até 140ºC). As atividades começaram com a revalorização de polipropileno (PP) e polietileno (PE). Atualmente, recicla 60 t/mês entre as duas resinas.
| Cuca Jorge |
 |
| Santos quer agregar mais valor à produção |
|
Para melhorar a qualidade, a Reciclean investiu também no processo de filtragem, capaz de eliminar impurezas que a lavagem não consegue. “O sistema garante a produção de granulado isento de impurezas e com peso mais uniforme”, afirma o sócio da empresa Cláudio dos Santos. Com capacidade para produzir 200 t/mês de PET, das quais 95% de resina cristalizada, a Reciclean vislumbrou no setor de chapas boa oportunidade de crescimento. “Foi um dos mercados que mais se destacaram no último ano”, avalia Santos.
|
|
Para tanto, pretende ampliar a produção em mais 100 t/mês, por meio da modernização dos equipamentos. O racionamento de energia elétrica, no entanto, limitou a expansão. “A empresa reduziu a jornada de trabalho às sextas-feiras e cancelou o expediente aos sábados e domingos.” Fornecedora para as indústrias de laminados, a Reciclean decidiu investir na extrusão de chapas para fabricação de bandejas e embalagens termoformadas, visando agregar mais valor à produção. Outra iniciativa foi o desenvolvimento das exportações. No ano passado, vendeu para o Uruguai e agora prepara-se para fechar negócio com indústria de laminados dos Estados Unidos. “Nossa resina já foi testada e aprovada pelos americanos”, garante Santos.
|
| Cuca Jorge |
 |
| Bandejas termoformadas empregam PET reciclado |
|
|
A Formar, de Diadema, no mercado de termoformagem e vacuum forming há 21 anos, passou a produzir embalagens com PET reciclado nos dois últimos anos. “Antes empregávamos apenas resinas virgens”, explica o gerente comercial Thiago Carrieri. A opção deu-se principalmente visando a redução no custo do produto final, sem comprometer a qualidade. “Conseguimos repassar a economia ao consumidor e aumentar as vendas em pelo menos 15%”, afirma. A diferença é realmente representativa. “Deixamos de pagar R$ 4,00 o quilo do PVC ou do PS para comprar PET reciclado a R$ 1,00.” Atualmente, a empresa consome 100 t/mês de reciclado, além de 150 t/mês de material virgem (PVC, PS, PE e PP).
|
| Cuca Jorge |
 |
| Carrieri: custo caiu e vendas aumentaram 15% |
|
|
|